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Comunidade de Monte Serrat enfeitou caminho para passagem da Cruz levada pelos jovens (Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)

Símbolos da Jornada pela Comunidade foram acolhidos pela comunidade de Monte Serrat e do entorno, na periferia de Florianópolis na tarde do dia 12 de janeiro. Padre Vilson Groh avaliou que este fato é muito importante para dar visibilidade aos que são invisíveis diante do centro da cidade, das grandes instituições e organizações. Jovens aproveitaram o momento para ler uma carta que critica a violência gratuita das forças policiais.

Uma carreata, que partiu da Penitenciária de Florianópolis, onde aconteceu uma celebração com internos do Hospital de Custódia, trouxe a Cruz Peregrina e os Ícones de Nossa Senhora e da Beata Albertina até o Alto da Caieira, o ponto mais alto da comunidade. Cerca de 60 pessoas esperavam em frente à capela da localidade.

Padre Vilson conduziu a celebração iniciada com um minuto de silêncio pelos jovens mortos pela violência nas grandes cidades. Antes disso, recomendou que os gestos e a causa de Jesus sejam seguidos, para além da busca da fé, que é vida. Ele citou como exemplo os projetos sociais com os quais a comunidade se envolve para combater a violência, que muitas vezes leva à morte.

— No último funeral que eu fiz foi aqui no Alto da Caieira de um menino que se chamava John. John foi espicaçado pelo facão. No dia que fomos enterrá-lo, seu pai agarrou-se no seu corpo morto, gelado pela geladeira na qual ficou por três dias, arrastou-o pelo cemitério gritando: “Meu filho! Meu Filho” — lembrou, ao defender a necessidade de projetos que defendam a vida.

O padre acusou o poder econômico de promover “uma cultura consumista, uma cultura sem coração, uma cultura idolátrica” que exclui “milhares e milhares de jovens” e que se tornam “uma massa sobrante em busca de uma oportunidade de vida”. Em contrapartida, a Cruz aponta em outra direção, a vida.

—A cruz que agrega milhões de jovens ao redor do mundo, quer nesta tarde se tornar uma cruz símbolo, uma cruz de direção, uma cruz de caminho. Quer dizer a nós que Jesus não se esqueceu de nós e de que ele caminha com a gente — analisou.

Diego Francisco Trípoli, 23, instrutor no projeto social que o tirou do crime leu uma carta que ele e outros cinco jovens assinaram para condenar a violência gratuita da polícia e reclamar políticas públicas. A carta foi escrita especialmente para a celebração.

Segundo o texto, a violência é “fruto de da superstição de que o lugar de onde viemos nos define”. “Somos cidadãos como todos os outros, somos seres políticos e queremos fazer política não só de dois em dois anos, queremos participação efetiva na política municipal, queremos ter voz e vez não somente nos espaços públicos, mas também perante as igrejas e dioceses”, continua a carta. Para eles, isto é necessário na luta “contra o aliciamento de jovens para o tráfico de drogas”.

A Cruz Peregrina foi levada pelos jovens da comunidade e outros que a visitavam para até a Catedral Metropolitana onde foram entregues aos jovens do centro. A comunidade enfeitou o trecho no morro com balões e papéis brancos. À noite, os símbolos teriam como destino Bofe Fé Floripa.