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Nos dias 19 e 20 de agosto de 2022, as coordenações da ação evangelizadora do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB estão reunidos, em Criciúma/SC, para a 54ª Assembleia Regional de Pastoral. Na assembleia estão presentes: bispos, coordenadores diocesanos de pastoral, ecônomos diocesanos, coordenações das pastorais, movimentos, serviços e organismos em nível estadual.

O segundo dia da assembleia iniciou com a Celebração Eucarística presidida por Dom Guilherme Werlang, Bispo da Diocese de Lages. Os temas abordados neste dia são: Projeto Encantar a Política com Frei Olavo Dotto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora, Economia de Francisco e Clara com Gabriela Consolaro Nabozny, formadora Nacional da Juventude Franciscana do Brasil (JUFRA) e integrante da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Serviço de Proteção ao Menor e Vulnerável com Dra. Eliane de Carli, assessora da Comissão Especial de Proteção da Criança e do Adolescente.

 

Projeto Encantar a Política

O Conselho Nacional do Laicato no Brasil – CNLB, em parceria com outros organismos, elaborou o “Projeto Encantar a política”. O objetivo do projeto é colaborar com a formação da consciência do eleitor brasileiro, por meio de um processo que o leve a uma leitura crítica e para uma cidadania ativa.

Frei Olavo Dotto, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora | Foto: Jaison Alves da Silva

Frei Olavo Dotto, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB, diz que: “A iniciativa vai além das eleições 2022. Este é um projeto de formação política permanente, que nós desejamos que contribua durante as próximas eleições”. Destaca ainda “que o processo tem ainda um longo caminho a ser percorrido, por se tratar de um amplo projeto de formação”.

O texto do caderno “Encantar a política” é inspirado nas encíclicas do Papa Francisco: “Laudato Si”, “Fratelli Tutti” e da Exortação Apostólica pós-sinodal, Alegria do Evangelho que tratam a política como decorrência ética do mandamento do amor. O caderno está organizado em cinco capítulos: 1º A universalidade do amor cristão; 2º Amizade social e ética da política; 3º As grandes causas do Evangelho; 4º Cuidar da Casa comum e 5º 2022 Eleições e democracia.

O texto abaixo é do Caderno “Encantar a Política” e resume os cinco capítulos:

O primeiro fala da universalidade do Amor cristão. Retoma o ideal das primeiras comunidades cristãs dos Atos dos Apóstolos; trabalha o conceito do amor ao próximo na Fratelli Tutti, a solidariedade como valor, e buscar o bem comum como ampliação e organização política da solidariedade.

No segundo capítulo, o tema é a amizade social e a ética política, reflete sobre a Política como “amizade social” e como “ciência e arte do bem-comum”; são abordados aspectos da Política que raramente são expostos na vida cotidiana – e menos ainda – nos meios de comunicação e redes virtuais; apresenta a realidade atual da política no Brasil e a proposta para a ação e os diferentes espaços da política.

No terceiro capítulo são abordadas as grandes causas do Evangelho; o que a Igreja quer, quando nos convida à ação transformadora no campo da Política; o que política tem a ver com a Evangelização, qual é sua missão específica; Evangelização e Política; a Paz fundada na Justiça; as causas estruturais da pobreza e, finaliza, retomando a expressão “Civilização do Amor”, cunhada por São Paulo VI e muito querida de São João Paulo II e Papa Francisco para expressar o projeto político que a Igreja quer para a Humanidade.

O quarto capítulo aponta como a parábola do Bom Samaritano ajuda a expor a necessidade da amizade social nos dias atuais. O Papa Francisco abre o horizonte da espiritualidade cristã para a Política como “ciência e arte do bem comum” e convida a dar mais um passo: alargar o âmbito da política para nele incluir a “nossa irmã Terra”; para isso ele se inspira na figura do irmão universal, que é São Francisco de Assis. Ecologia Integral; Grito da terra, Grito dos pobres e qual o lugar da política são temas também tratados neste capítulo.

O quinto e último capítulo fala das eleições e democracia. Após as reflexões sobre diferentes campos da política como amor social, seguindo o ensinamento do Papa Francisco em suas encíclicas, o capítulo aborda a questão eleitoral. Embora a política seja muito mais do que eleições, este é um tema que não pode ser ignorado. Com mais razão ainda porque o Brasil está numa crise político-econômica que abalou seriamente a confiança do povo nas instituições e o processo eleitoral é o momento mais favorável para um grande debate nacional a fim de encontrar a melhor saída para a crise. O capítulo quinto ainda recorda a crise política e institucional do Brasil; aponta os princípios éticos para um governo de união nacional; destaca o papel dos movimentos populares e sociais e convida a participar ativamente nas eleições.

 

Economia de Francisco e Clara

“Francesco vai, repara a minha casa que, como vês, está em ruínas”. No espírito de São Francisco o Papa convida jovens empreendedores, economistas, para juntos pensarem uma economia que seja mais justa, fraterna e sustentável. Nesse contexto, o objetivo é construir novos caminhos para os problemas estruturais da economia mundial. Há necessidade de questionar as “leis” econômicas que geram a desigualdade e a exclusão. Em síntese, o objetivo do Papa Francisco é que no mundo haja uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável. No Brasil, o movimento se chama “Economia de Francisco e Clara”.

A Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara – ABEFC definiu 10 princípios com o objetivo de ser fio condutor para a construção da “Economia de Francisco e Clara”. São eles: “Cremos na ecologia integral; Cremos no desenvolvimento integral; Cremos em alternativas anticapitalistas; Cremos nos bens comuns; Cremos que “tudo está interligado”; Cremos na potência das periferias vivas; Cremos na economia a serviço da vida; Cremos nas comunidades como saída; Cremos na educação integral e Cremos na solidariedade e no clamor dos povos”.

Gabriela Consolaro Nabozny, formadora Nacional da Juventude Franciscana do Brasil (JUFRA) e integrante da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco | Foto: Jaison Alves da Silva

Para Eduardo Brasileiro e Gabriela Consolaro Nabozny, em artigo publicado na Revista “Vida Pastoral” número 344 da Editora Paulus, “as propostas da Economia de Francisco e Clara precisam ser enraizadas e interiorizadas nas comunidades, precisam pulsar no mesmo ritmo que as ações pastorais, para que as práticas, fortalecidas, possam representar a sobreposição ao individualismo. Esse objetivo se concretizará apenas com a potencialidade da educação popular e com a urgência da educação ecológica, linhas mestras capazes de romper com o ciclo de perpetuação da negligência egoísta (LS 36), voltando o olhar e as práticas para o comunitário e para o cuidado com a casa comum”.

Neste contexto a ABEFC propôs a construção de “’Casas de Francisco e Clara’ espaços físicos que, no meio das comunidades, podem fazer ressoar os ideais das novas economias, organizar o povo que quer um mundo novo e melhor e educar para a ecologia integral, tudo isso amparado em espiritualidades plurais e libertadoras. Como forma de enraizar essa proposta, não é necessária a estrutura completa de uma casa, mas apenas um lugar que, materialmente, possa abraçar as potencialidades brotadas nos territórios, a fim de criar pontes entre as experiências emancipadoras existentes e as pessoas que almejam efetivar novas práticas relacionais e economias” (BRASILEIRO e NABOZNY, Revista Vida Pastoral).

Em Santa Catarina a primeira “Casa de Francisco e Clara” fica localizada em Florianópolis, na comunidade do Monte Serrat, no maciço do morro da Cruz. O objetivo dentro do estado é “Difundir, fomentar e articular o chamado do Papa Francisco em Santa Catarina para tornar realidade a Economia de Francisco e Clara em nossos territórios, comunidades, bairros e cidades”.

Gabriela C. Nabozny apresenta algumas propostas para as dioceses:

  • Falar da temática para as comunidades pelas homilias;
  • Em cada Diocese ou Arquidiocese uma ou mais pessoas responsáveis por pensar a EFC a partir das atividades locais desenvolvidas;
  • Elo entre a equipe regional de articulação e a Diocese ou Arquidiocese.
  • Pessoas envolvidas em algum projeto em sintonia com EFC, pessoas interessadas, ou aquelas que se enquadram como destinatários(as) do chamado do Papa – até 35 anos, ativistas, acadêmicos, empreendedores.
  • Apresentar possibilidades, acompanhar dificuldades e sugerir aprimoramentos nos projetos.
  • Realizar os fóruns de discussão permanente.
  • Gerar movimentações nas dioceses (incidência nos conselhos econômicos a partir da proposta da EFC;
  • Rodas de conversa e formações; identificar os projetos já existentes alinhados com a proposta da EFC)

Para finalizar, Gabriela cita o Papa Francisco: “Não esqueçam: iniciar processos, traçar caminhos, ampliar horizontes, criar pertencimento. […] Nada de atalhos, vamos ser fermento! Sujar as mãos!”

 

Serviço de Proteção ao Menor e Vulnerável

A proteção de menores é uma preocupação que a Igreja enfrenta. Diante dessa realidade, em dezembro de 2013, o Santo Padre instituiu a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, que nasceu com a missão de propor iniciativas para proteger os menores e os adultos vulneráveis, garantir que esses tipos de crime, na esfera civil e canônica, não sejam mais repetidos na Igreja.

No Motu Proprio “Vos estis lux mundi”, na introdução do documento, Papa Francisco diz que: “Os crimes de abuso sexual ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade de fiéis”. Para o Papa Francisco, para que “não aconteçam tais abusos, é necessária uma conversão contínua e profunda dos corações, atestada por ações concretas e eficazes que envolvam a todos na Igreja, de modo que a santidade pessoal e o empenho moral possam concorrer para fomentar a plena credibilidade do anúncio evangélico e a eficácia da missão da Igreja”.

Após a publicação do Motu Proprio “Vos estis lux mundi” que estabelece novos procedimentos para denunciar assédios e violências e garantir que, entre outras coisas, bispos e superiores religiosos prestem contas de suas ações, a Comissão Especial de Proteção da Criança e do Adolescente da CNBB elaborou orientações para garantir o cumprimento do decreto papal e criou o Núcleo “Lux Mundi”.

O núcleo possui como objetivo: “Facilitar a instalação e constituição de novas estruturas e políticas de proteção nas Dioceses (278) e Congregações Religiosas, Ordens e Institutos contemplativos e monásticos (472) do Brasil. O projeto visa alcançar nos próximos quatro anos 100% das dioceses, arquidioceses e Congregações do Brasil, esperando ter ao menos 75% com realização efetiva das novas estruturas e políticas de proteção”.

Dra. Eliane de Carli, assessora da Comissão Especial de Proteção da Criança e do Adolescente | Foto: Jaison Alves da Silva

Dra. Eliane de Carli fala que “o importante é ajudar a igreja a se relacionar com a rede de proteção que já existe no Brasil, no qual, alguns de nós já estamos envolvidos nos conselhos. Peço aos senhores bispos, que incentivem as pessoas a fazerem parte do conselho. Temos núcleos de trabalho, de pesquisa e produção de artigos. Temos uma pessoa especifica, que tem nos acompanhado mais de perto e tem estudado o tema da igreja. Ela fez com que compreendêssemos algumas situações delicadas que precisávamos entender para ajudar a igreja”.

Os 5 pilares do trabalho do Núcleo “Lux Mundi” são:

1) Colaborar com a instalação e constituição de Serviços Diocesanos de proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis, para que todas as dioceses e congregações religiosas do país tenham seus Serviços de Proteção constituídos.

2) Ajudar na sistematização, por meio de diretrizes, das medidas de segurança e proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis na Igreja do Brasil.

3) Promover a formação e capacitação no que se refere à doutrina da proteção integral e na prevenção da violência contra crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis para que os espaços da Igreja sejam seguros, trazendo o conhecimento e novas atitudes para prevenir e evitar quaisquer formas de violência dentro da Igreja do Brasil.

4) Estabelecer parcerias eficazes através de termos de cooperação com instituições para a realização dos cursos.

5) Reforçar a relação com a Rede de Proteção da Criança e do Adolescente, nacional e localmente.

 

A 54ª Assembleia Regional de Pastoral encerrou com uma celebração vocacional conduzida por Pe. Marlon Malacoski e Dom Francisco Carlos Bach fez a benção e envio dos participantes.

Abaixo segue algumas fotos do segundo dia da Assembleia.

 

Por CNBB Sul 4 | Fotos: Jaison Alves da Silva