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O episcopado brasileiro está reunido nos dias 28 de agosto a 2 de setembro para a segunda fase da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O evento acontece no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). O tema central do encontro é “Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão”. A temática está em sintonia com o processo do Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa Francisco, e também está relacionada às celebrações dos 70 anos de criação da CNBB. Além do aprofundamento do Tema Central, propostas e indicações para a elaboração das próximas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE serão feitas rumo à consolidação na 60ª Assembleia Geral da CNBB, em 2023.

Neste primeiro dia da Assembleia, o episcopado brasileiro se dedicou às análises de conjuntura eclesial e social; a aprovação do texto da tradução do Missal Romano; o aprofundamento do Tema Central, a Campanha Junho Verde, da CNBB e a elaboração de duas mensagens: uma direcionada ao povo brasileiro e a outra ao Papa Francisco.

A Análise de Conjuntura Social com o tema: “Exigências Éticas, Justiça e Democracia: uma análise de conjuntura”, teve como base o Documento 42 da CNBB: “Exigências da Ordem Democrática”. O texto levou em consideração todo o contexto de um segundo semestre do ano com eleições gerais no Brasil, em um ambiente mundial e regional de muitas tensões, além da erosão da democracia e da qualidade de vida da população. Os principais pontos abordados foram: América Latina – Os recentes movimentos políticos e eleitorais; Mineração; Religião e Política e Eleições 2022. Para concluir, a equipe da análise diz: “é fundamental retomar os caminhos da esperança. Os movimentos sociais e populares ganharam nova força e as ruas em 2022. Experiências comunitárias, populares e organizadas, como as experiências espalhadas pelo país da Economia de Francisco e Clara”.

A análise de conjuntura Eclesial, “Pentecostalismo e evangelização”, surgiu em 2017 quando Dom Francisco Biasin, apresentou as “respostas” pastorais diante das questões levantadas pelo pentecostalismo e pelo neopentecostalismo à evangelização. “A primeira, ‘agilizar nossa solicitude pastoral’, recorda que muitos fiéis saem da Igreja por não se sentirem ajudados em momentos de carência e vulnerabilidade. A segunda, ‘fomentar pequenas comunidades e lideranças leigas’, evoca o tamanho das paróquias da Igreja, que inviabiliza a criação dos sentimentos de proximidade e da acolhida, tão presentes nas muitas igrejas evangélicas criadas nos bairros populares e na zona rural. A terceira, ‘investir na catequese e na formação bíblica’, lembra a falta de formação de muitos fiéis, o que os torna público-alvo da pregação evangélica fundamentalista. A quarta, ‘cultivar a espiritualidade e discernir a dimensão carismática da Igreja’, aponta a experiência da proximidade e do poder de Deus na experiência pentecostal, que se manifesta no caráter emotivo, presente em seus diversos tipos de cultos e ausentes em boa parte das liturgias celebradas na Igreja católica”.

A partir das questões levantadas acima, foi realizado o estudo no qual abrangeu três etapas: 1. Diagnóstico: A primeira parte da análise de conjuntura que se segue responde a duas questões sobre “Pentecostalismo e Evangelização” referidas ao cenário eclesial interno e ao cenário eclesial externo; 2. Análise: se concentrará em refletir sobre os desafios do pentecostalismo para a evangelização na Igreja católica. Para isso, ela trará alguns elementos do cenário interno ao movimento pentecostal, tomados como seus pontos fortes ou fracos, e elementos do cenário externo, tidos como oportunidades ou desafios a serem levados em consideração no discernimento sobre a ação evangelizadora da Igreja.  3. Prospecção: nesta última parte da análise, retoma os dados da primeira e da segunda partes, indicando em que eles podem favorecer, obstaculizar, potencializar ou prejudicar a evangelização da Igreja, apontando ainda as possíveis estratégias que ela deve ter para enfrentar os elementos ambíguos ou problemáticos dos movimentos pentecostais que ameaçam o processo evangelizador, ou as estratégias que ela deve adotar para potenciar o crescimento e o desenvolvimento desses movimentos, ou, enfim, as estratégias de sobrevivência para responder aos desafios desses movimentos.

Foto: Luiz Lopes Jr/CNBB

Durante a manhã os bispos já realizaram a primeira votação. Foi aprovado o primeiro bloco referente à tradução da terceira edição típica do Missal Romano. Essa parte compreende as orações eucarísticas e as orações sobre o povo. Após a apresentação da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), que explicou o processo da última etapa de consultas em vista da aprovação final da tradução brasileira da terceira edição do Missal Romano, os bispos anotaram seus votos, contabilizados pela equipe de escrutínios. Dos 266 votantes presentes na etapa presencial da 59ª Assembleia Geral da CNBB, eram necessários 216 votos para aprovação de acordo com as normas vigentes na Conferência. 265 bispos aprovaram a tradução do texto. Houve 1 abstenção na votação geral. Ainda haverá um segundo bloco de votações referentes ao Missal no decorrer da assembleia.

Outro tema abordado pelos bispos é o “Junho Verde”, lei 14.393/2022, sobre a norma que altera a Política Nacional de Educação Ambiental e institui a celebração do mês temático como parte das atividades educativas na relação com o meio ambiente. O texto foi sancionado no dia 4 de julho. O destaque no texto é a indicação que as iniciativas da campanha devem observar o conceito de Ecologia Integral, que incluem dimensões humanas e sociais dos desafios ambientais. É este o conceito que permeia as reflexões e os apontamentos do Papa Francisco na encíclica “Laudato Si” – sobre o cuidado da casa comum.

O objetivo da Campanha Junho Verde, segundo o texto sancionado, é “desenvolver o entendimento da população acerca da importância da conservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos e do controle da poluição e da degradação dos recursos naturais, para as presentes e futuras gerações”.

Durante o período da tarde, os Bispos foram para uma reunião privativa. O encerramento do dia será com a missa às 18h, no Santuário Nacional. A celebração será presidida pelo bispo de Novo Hamburgo e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, Dom João Francisco Salm.

Abaixo segue vídeo de Dom Onécimo Alberton, Bispo da Diocese de Rio do Sul, que nos conta como foi este primeiro dia.

 

Por CNBB Nacional e Sul 4 | Fotos: Jaison Alves da Silva