O Advento é um tempo de espera vivido na expectativa da vinda do Salvador. Na vida da Igreja, recordamos duas perspectivas importantes: o nascimento do Menino Jesus em Belém e a vinda do Cristo no fim dos tempos. Entre a primeira e a segunda vindas, somos chamados a celebrar o Mistério da nossa Salvação, seja nos acontecimentos diários, seja na história pessoal e comunitária. O Advento e o Natal assinalam o início de um tempo novo, a ser vivido na esperança do fim dos tempos e com o olhar voltado para as maravilhas que o Senhor realiza no hoje da história e de nossas vidas.

O Natal anuncia que o Criador do universo entrou na história e vestiu pele humana. O Natal fala desse glorioso mistério que a mente mais brilhante não pode alcançar: Deus se fez homem, o Rei dos reis se fez servo. O eterno entrou no tempo. O infinito nasceu de uma virgem. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura.

Vigilância

Jesus Cristo vem, e, por isso, precisamos vigiar! Vigilância significa viver no Espírito, com profundidade e coragem, com um olhar atento, voltado para os sinais de Deus. É preciso ter atenção, pois o Senhor vem sem alarde, de maneira simples e silenciosa. Esta é a linguagem do Advento: o Senhor pede acolhimento e vigilância.

Oração

Em primeiro lugar, somos convidados a viver a vigilância no silêncio e na oração, pois orar é, antes de tudo, uma atitude de abertura. Sem abertura à novidade e às surpresas de Deus, sem admiração, sem silêncio e escuta, a oração corre o risco de se tornar uma ladainha cansada e superficial. Onde podemos encontrar as surpresas de Deus, na nossa história e na nossa vida? Que este tempo de Advento nos ajude a perceber as surpresas de Deus no cotidiano e, assim, orar a partir delas.

Escuta da Palavra

No caminho de preparação para o nascimento do Filho de Deus, a novena de Natal nos ajuda a adquirir a atenção e a sensibilidade necessárias, através da reflexão e oração a partir de três temas: Esperança, Alegria e Paz! E na escuta da Palavra de Deus, somos introduzidos no Mistério e nos símbolos do Natal. Por isso, somos convidados a vivenciar em família a dinâmica da montagem do presépio, definido pelo Papa Francisco “como um Evangelho vivo que transborda das páginas da Sagrada Escritura”.

É tempo de recristianizarmos o Natal e devolvê-lo ao seu verdadeiro dono. É tempo de celebrarmos Cristo e não a nós mesmos. É tempo de nos prostrarmos diante dele para adorá-lo, como o fizeram os magos do Oriente, e não fazermos festa para nós mesmos. É tempo de nos alegrarmos com grande e intenso júbilo, porque Deus nos amou de tal maneira que nos deu seu próprio Filho Unigênito, para que nele pudéssemos ter a vida eterna. Eis o conteúdo do Natal! Eis o propósito do Natal! Eis a glória do Natal! Deus desceu até nós para nos adotar como seus filhos e filhas. Deus desceu até nós para nos dar vida e vida em abundância!

Eis a magia do Natal: Deus se dá a nós. “Eu estarei sempre com vocês” (cf. Mt 28,20). Por isso, não há motivo para desanimar diante das inevitáveis incompreensões, desafios e dificuldades, pois, como dizia Paulo a partir da sua experiência prática de missionário, quando Deus está conosco nada estará contra nós (cf. Rm 8,11). Nestes dias de esperança e expectativa, coloquemo-nos a caminho de Belém! Neste caminho de preparação, o Senhor, que nos pede acolhimento, oração, escuta e vigilância, nos tocará com sua graça e misericórdia.

Meus sinceros votos de um abençoado tempo de Advento e um Santo e Feliz Natal para você e sua família!

 

Dom Odelir José Magri, Bispo da Diocese de Chapecó (SC) | Foto: Silvana da Silveira