“Ide! Da Igreja local aos confins do mundo”

 

Em 1926, o Papa Pio XI instituiu o Dia Mundial das Missões, celebrado anualmente no penúltimo domingo do mês de outubro. Após quarenta e seis anos, em 1972, o Brasil começou, não apenas a celebrar um dia, mas um mês inteiro, para despertar, em medida maior, a consciência e a importância da missão através de um gesto concreto e solidário: a Campanha Missionária Nacional.

Neste ano, a Campanha Missionária traz o tema: “Ide! Da Igreja local aos confins do mundo” e a inspiração bíblica é baseada no texto dos discípulos de Emaús: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,13-35). A Campanha Missionária deste ano põe em evidência que cada Igreja local tem o dever de evangelizar toda pessoa e todos os povos até os confins da terra. Destaca-se que este ímpeto missionário nasce da experiência do amor de Cristo, que cativa e impulsiona cada cristão, cada cristão.

“Corações ardentes, pés a caminho” também foi o lema da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões. O texto focaliza a atenção sobre o encontro com Jesus Ressuscitado como a motivação central do ser e agir missionários. Os pés dos discípulos, fincados em uma realidade bem determinada, se põem a caminho somente porque antes os corações se inflamaram no encontro com Jesus, que os ouviu, caminhou com eles, explicou-lhes a Escritura e ficou com eles para a partilha do pão.

Em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Papa ainda enfatiza: “Hoje, como então, o Senhor Ressuscitado está próximo dos Seus discípulos missionários e caminha ao lado deles, sobretudo quando se sentem frustrados, desanimados, temerosos perante o mistério da iniquidade que os rodeia e quer sufocá-los. Por isso, ‘não deixemos que nos roubem a esperança!’ (Francisco, Exort. Ap. Evangelii Gaudium, 86). O Senhor é maior do que os nossos problemas, sobretudo quando os encontramos ao anunciar o Evangelho ao mundo, porque esta missão, afinal, é dEle e nós somos simplesmente os Seus humildes colaboradores, ‘servos inúteis’ (cf. Lc 17,10)”.

E continua o Pontífice: “Em Cristo, expresso a minha proximidade com todos os missionários e missionárias do mundo, especialmente àqueles que atravessam um momento difícil: caríssimos, o Senhor Ressuscitado está sempre convosco e vê a vossa generosidade e os vossos sacrifícios em prol da missão evangelizadora em lugares distantes. Nem todos os dias da vida são cheios de sol, mas lembremo-nos sempre das palavras do Senhor Jesus aos Seus amigos, antes da Paixão: ‘No mundo, tereis tribulações; mas tende confiança: Eu já venci o mundo!’ (Jo 16, 33)”.

Portanto, deixemo-nos sempre acompanhar pelo Senhor Ressuscitado, que nos explica o sentido das Escrituras. Deixemos que Ele faça arder o nosso coração, nos ilumine e transforme, para podermos anunciar ao mundo o Seu mistério de Salvação, com a força e a sabedoria que vêm do Seu Espírito.

O Mês Missionário, com a riqueza do testemunho de tantos santos e santas, com a espiritualidade Eucarística e a Palavra, toca nossos corações, nos recorda que todos podemos colaborar concretamente com as missões, através da oração e da ação, com ofertas e com o próprio testemunho. Por isso, em todas as Igrejas do mundo, no penúltimo domingo de outubro (21 e 22), realiza-se a Coleta Missionária, destinada integralmente para a missão universal. É o nosso gesto de amor movido pelo desejo, para que todos os povos possam conhecer a Jesus, se encontrar com Ele, e serem salvos por Ele.

 

DOM ONÉCIMO ALBERTON, Bispo da Diocese de Rio do Sul