Joaçaba, 17 de novembro de 2023 – O Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu-se para o segundo encontro anual do Conselho Regional de Pastoral (CRP) nos dias 16 e 17 de novembro, no Pavilhão Frei Bruno, anexo à Catedral Santa Teresinha do Menino Jesus, na diocese de Joaçaba.

O encontro contou com a participação de bispos, coordenadores diocesanos de pastoral, ecônomos diocesanos e coordenações estaduais das pastorais, movimentos, organismos e serviços. Os temas centrais abordados foram a Crise Climática, com destaque para o recente apelo do Papa Francisco, e a problemática da Violência Doméstica/Feminicídio.

 

Crise climática, novo apelo do Papa Francisco a partir da Encíclica Laudato Si.

A Crise Climática foi abordada pelo professor Telmo Pedro Vieira, explorando a encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco. O Santo Padre enfatiza a interconexão entre a crise ecológica, justiça social e responsabilidade humana. A crise é resultado do “uso desordenado e irresponsável dos bens da criação”, alerta o Papa, destacando a dimensão ética e moral do problema.

Na Encíclica, Francisco destaca a importância da ecologia integral, promovendo uma abordagem holística para enfrentar a crise. Além disso, encoraja a adoção de práticas sustentáveis, a proteção de ecossistemas e a promoção da justiça social. Ele chama a atenção para a relação entre a degradação do meio ambiente e as desigualdades sociais, destacando que os mais vulneráveis são os que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas.

Na Encíclica também destaca a importância da educação ambiental e da promoção de estilos de vida sustentáveis. O Papa encoraja a todos a adotarem uma conversão ecológica, que envolve uma mudança profunda nos valores, atitudes e comportamentos em relação ao meio ambiente.

Ao abordar a crise climática, o Papa Francisco ressalta a necessidade de uma ação coletiva e global. Ele faz um apelo a todos para que assumam a responsabilidade de proteger o planeta, adotando políticas e práticas que promovam a justiça ambiental e o cuidado com a criação.

Algumas ações concretas que podem ser tomadas para enfrentar a crise climática:

  • Reduzir o consumo de energia e de recursos naturais;
  • Investir em fontes de energia renováveis;
  • Adotar práticas sustentáveis de produção e consumo;
  • Proteger as florestas e outros ecossistemas;
  • Promover a justiça social e a equidade.

 

Violência Doméstica/Feminicídio

A violência doméstica e o feminicídio são graves problemas de saúde pública que afetam milhões de mulheres em todo o mundo.

Ivone Ester Vidal Borges, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, abordou a Violência Doméstica/Feminicídio, destacando os alarmantes dados do Brasil. A cada 10 minutos, uma mulher é agredida por um homem, e os casos de feminicídios aumentaram 2,6% no primeiro semestre de 2023.

A palestrante apresentou os tipos de violência enfrentados pelas mulheres diariamente. Violência Física qualquer ação que cause dor, sofrimento ou lesão física. Violência virtual: compartilhar fotos ou vídeos íntimos na internet sem autorização, fazer comentários depreciativos em relação à mulher na internet ou redes sociais. Violência psicológica: qualquer ação que cause danos psicológicos. Violência sexual: qualquer ação que constranja a mulher a manter relações sexuais sem seu consentimento. Violência moral: xingamento, desqualificação, insultos, humilhações públicas, inclusive em redes sociais. Violência financeira ou patrimonial: controlar seu dinheiro, negar o acesso aos seus bens. Violência política de gênero: ações que causem danos ou sofrimento a uma ou várias mulheres com o objetivo de impedir, depreciar ou dificultar o exercício dos direitos políticos. Violência obstétrica: desrespeito ao corpo, à vontade e à autonomia da mulher, violência verbal ou física, abuso de diagnósticos médicos ou de procedimentos desnecessários.

O feminicídio é considerado um crime hediondo, com pena de reclusão de 12 a 30 anos. O feminicídio é o ápice da violência doméstica. Ele ocorre quando o agressor não consegue mais controlar a mulher e decide matá-la. O feminicídio, por sua vez, representa o “assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres”, finaliza Ivone Ester Vidal Borges.

Freibergue Rubem do Nascimento abordou os dados de Santa Catarina (SC), elencando alguns programas criados de combate à Violência contra a mulher e o Feminicídio.  A Polícia Militar de SC possui o Programa Institucional direcionado à prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher chamada “Rede Catarina de Proteção à Mulher”.

Outro programa apresentado foi “Protetores do Lar” que busca formar protetores de seus lares, auxilia jovens a lidar com a violência doméstica prevenindo que sejam novas vítimas ou autores. O projeto foi criado em parceria com Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).  As ações são palestras e encontros presenciais sobre violência doméstica e familiar contra a mulher. Este programa possui o público-alvo os alunos do segundo e terceiro anos do Ensino Médio.

Alguns dados da violência contra a mulher em SC em 2023 apresentado por Freibergue: 43 feminicídios entre jan/set; 91 prisões em flagrante decorrentes do acionamento do botão do pânico; 3.049 ocorrências de descumprimento de medida protetiva de urgência; 11.445 ocorrências de ameaça contra a mulher (violência doméstica); 9.591 ocorrências de lesão corporal contra a mulher (violência doméstica); 23.207 Crimes no contexto de violência doméstica; 25.642 mulheres atendidas pela Rede Catarina em todo o estado.

 

Outros assuntos e Espiritualidade

O encontro também abordou temas como o Movimento Mães que Oram Pelos Filhos, o X Congresso Regional da Pastoral Familiar, o Projeto “Capacita em Redes” e a Missão Ad Gentes. Além disso, o CRP contou com momentos de espiritualidade, incluindo duas celebrações eucarísticas: dia 16/11 presidida pelo bispo da Diocese de Tubarão, Dom Adilson Pedro Busin, CS e  dia 17/11 presidida pelo bispo da Diocese de Joaçaba Dom Frei Mário Marquez, OFMCap.

 

Matéria/Fotos | Jaison Alves da Silva