Povos dos nove países da Pan-Amazônia estão reunidos na Bolívia para o XI Fórum Social Pan-Amazônico. O evento tem por objetivo fortalecer as alianças entre atores sociais da região Pan-Amazônica, trocar experiências e construir estratégias de ação na defesa da vida das populações e do bioma. Realizado nos municípios de Rurrenabaque e San Buenaventura, na Bolívia, o encontro conta com a participação da Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representada pelo assessor, padre Dário Bossi.

A finalidade desse fórum é gerar incidência nos âmbitos local, nacional, amazônico e internacional sobre questões ligadas aos povos indígenas e populações amazônicas, à “Mãe Terra”, ao extrativismo e alternativas e às resistências das mulheres. Grupos de trabalho de cada um desses quatro eixos trabalham em busca de apontar propostas de ações coletivas frente aos desafios enfrentados na região.

Contribuem nesse processo os povos da Pan-Amazônia, como comunidades camponesas, organizações comunitárias, movimentos populares, grande representação dos povos indígenas e representantes da Igreja, como bispos bolivianos, religiosas e religiosos, pastorais sociais e ambientais.

A programação conta com momentos de debates e reflexões a partir dos eixos, mesas de trabalho, construção de documentos com propostas de ação, além de visitas às comunidades indígenas da região e atrações culturais.

Incidência da ecologia integral

A Comissão para a Ecologia Integral da CNBB contribui nos espaços de reflexão sobre a ecologia integral e na proposta de incidência em eventos internacionais sobre o meio ambiente, como a Conferência do Clima de 2025, a COP30. Também ganha destaque no evento a elaboração de propostas de incidência na 16ª edição da Conferência sobre Biodiversidade da ONU, marcada para novembro deste ano, na Colômbia, e na reunião do G20, encontro marcado para o mesmo, aqui no Brasil, reunindo líderes das 20 maiores economias do mundo para pensar em caminhos para lidar com os desafios globais.

Estão na pauta dos espaços com a participação da Comissão da CNBB temas como conversão ecológica pessoal e comunitária, o aprendizado das práticas e espiritualidades dos povos ancestrais, a inserção e o fortalecimento das comunidades que constroem alternativas que não cedem ao extrativismo. Os debates também buscam “fortalecer o trabalho em rede da Igreja, acompanhar as comunidades que defendem seus territórios e enfrentar os projetos extrativistas”.

Padre Dário também destacou que a atuação da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB no evento está conectada ao trabalho de uma Comissão que trabalha sobre esse tema no Conselho Episcopal Latino Americano (Celam).

Igreja ao lado dos povos

Como possíveis encaminhamentos, se espera reforçar a aliança da Igreja com os povos amazônicos; consolidar a presença da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama) no caminho dos povos da Amazônia e ainda reafirmar o itinerário “Ruta Laudate Deum”, que conecta os principais eventos e define uma posição comum da Igreja nos eventos da COP16, do G20 e da COP30.