Na tarde de 9 de março teve início o Conselho Episcopal Regional (CONSER) do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro reúne bispos e arcebispos das sete dioceses e três arquidioceses de Santa Catarina, juntamente com o encontro regional dos coordenadores de pastoral e ecônomos. As atividades acontecem em Florianópolis, na casa de encontros Recanto Champagnat.

Durante o encontro, os participantes acompanharam uma exposição realizada de forma on-line por Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB. A apresentação teve como objetivo contextualizar a história, a estrutura e a missão da conferência episcopal no Brasil.

Origem e desenvolvimento da CNBB

Em sua fala, Dom Ricardo recordou que a CNBB foi fundada em 1952, durante o pontificado de Papa Pio XII, sendo uma das primeiras conferências episcopais organizadas no mundo. A primeira reunião oficial ocorreu no dia 14 de outubro daquele ano, no Rio de Janeiro, então capital federal do país.

O primeiro presidente da CNBB foi Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo de São Paulo. À época, o Brasil possuía cerca de 53 milhões de habitantes e a criação da conferência teve ampla repercussão no país.

Atualmente, a CNBB é considerada a maior conferência episcopal do mundo, reunindo 497 bispos — entre eles 172 eméritos — e 281 circunscrições eclesiásticas. Segundo Dom Ricardo, há ainda a perspectiva de criação de novas circunscrições nos próximos anos.

Estrutura e organização

Durante a apresentação, o secretário-geral também explicou a organização da conferência, que se estrutura a partir da Assembleia Geral, do Conselho Permanente, da presidência e do secretariado geral.

A CNBB conta ainda com 12 comissões episcopais pastorais, responsáveis por acompanhar diferentes áreas da ação evangelizadora da Igreja, entre elas: animação bíblico-catequética, liturgia, ação sociotransformadora, laicato, juventude, comunicação, cultura e educação, ministérios ordenados e vida consagrada, ecumenismo e diálogo inter-religioso, entre outras.

Além das comissões permanentes, existem comissões especiais que são criadas conforme as necessidades pastorais do momento, como as dedicadas à Amazônia, à bioética, à ecologia integral e mineração, ao enfrentamento do tráfico humano e à comunhão e partilha.

Campanhas e iniciativas da Igreja no Brasil

Dom Ricardo destacou também a importância das campanhas promovidas pela CNBB, especialmente a Campanha da Fraternidade e a Campanha para a Evangelização. Essas iniciativas mobilizam comunidades em todo o país e contribuem para o financiamento de projetos pastorais e sociais.

No caso da Campanha para a Evangelização, 45% dos recursos permanecem nas dioceses, 20% são destinados aos regionais e 35% ao âmbito nacional. Já o Fundo Nacional de Solidariedade, ligado à Campanha da Fraternidade, destina 60% dos recursos às dioceses e 40% à CNBB.

Instituições e serviços vinculados

Outro ponto apresentado foi o conjunto de instituições vinculadas à conferência, como a Cáritas Brasileira, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz e diversos organismos e pastorais que atuam em nível nacional.

Dom Ricardo também mencionou algumas responsabilidades diretas da CNBB, entre elas as Edições CNBB, o Centro Cultural Missionário e o Colégio Pio Brasileiro, em Roma, que acolhe sacerdotes enviados pelas dioceses para estudos.

Transparência e organização administrativa

Ao final da exposição, o secretário-geral ressaltou a importância da organização administrativa e da transparência na gestão das dioceses e regionais. Ele destacou a necessidade de utilização de novas tecnologias, de prestação de contas e de trabalho conjunto entre bispos, ecônomos e equipes diocesanas.

Dom Ricardo também incentivou o aproveitamento dos materiais produzidos pelas Edições CNBB, que oferecem subsídios pastorais e formativos para as dioceses em todo o país.

Caminho pastoral e novas diretrizes

Durante o diálogo com os participantes, o secretário-geral mencionou ainda o processo de elaboração das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Segundo ele, o documento deverá ser aprovado na próxima Assembleia Geral da CNBB e posteriormente encaminhado às dioceses para implementação e acompanhamento.

O CONSER do Regional Sul 4 segue reunindo os bispos catarinenses ao longo da semana para momentos de reflexão, partilha e encaminhamentos pastorais para a Igreja em Santa Catarina.

Matéria e fotos: Jaison Alves da Silva