“O Senhor Deus colocou o homem no Jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo”. (Gn 2,15)

Neste mês de julho, entre tantas datas significativas, celebramos o Dia do Agricultor. É ele que cuida da terra e semeia a boa semente que se transforma em frutos, que não só sustentam a sua família, mas chegam em todas mesas.

Na Bíblia, a ação de Deus a respeito do homem em relação a terra se exprime nestes termos: “Tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden, para cultivá-lo e guardá-lo” (Gn 2,15). Noutra passagem se lê que, ao primeiro casal humano, disse: “… Povoai a terra, submetei-a e dominai” sobre a Criação (cf. Gn 1,28). “Dominar” e “cultivar” a terra deveria ser o princípio sempre observado por todos os homens na administração deste dom de Deus… Foi vontade do Criador que o homem se comunicasse com a natureza como “senhor” e “guarda” inteligente e nobre, e não como “desfrutador” e “destrutor” sem respeito algum” (Redemptor Hominis,15).

O ser humano é o guardião da obra da Criação e, como tal, é chamado a viver em comunhão com Deus também através do seu trabalho. Isso o Papa Francisco faz questão de ressaltar aos cristãos, a partir da fonte de luz e motivação que vêm da Eucaristia, quando, no Ofertório, o padre apresenta o pão e também o vinho a Deus com esta oração: “Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos de Vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora Vos apresentamos e para nós vai se tornar Pão da Vida”.

Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional, nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa (LS, 217). Neste sentido, sublinhando a importância desta existência virtuosa, o Catecismo da Igreja Católica afirma: “O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso: ‘A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele e, por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador’.” (CIC 27).

Como filhos amados por Deus e chamados para viver em comunhão com Ele, na missão de continuar a obra do cuidado da Criação, temos a responsabilidade de fazer do trabalho a obra mais perfeita e amorosa, de fazer germinar em nosso coração as sementes que o Divino Semeador lançou em cada um de nós.

 

Por Dom Onécimo Alberton, bispo da Diocese de Rio do Sul