Em agosto de 2017 a Diocese de Joinville recebeu mais de 800 pessoas participantes da 10ª edição do Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom). Seu tema foi “Educar para a Comunicação”, possibilitando a formação do senso crítico das pessoas e compreensão do verdadeiro potencial da comunicação a serviço da evangelização. De 13 a 16 de julho deste mês acontece o 13º MUTICOM em João Pessoa, na Paraíba, com o tema “Comunicar para a Cultura do Encontro”. As palestras contemplarão temas urgentes e exigentes do momento:  “Tolerância e múltiplas diversidades”, “Influenciadores Digitais: efeitos e perspectivas”, “Amizade Social e Diálogo na era da desinformação”, “Ecologia integral e cultura do bem viver”. A palavra mutirão se refere a uma construção coletiva realizada por um grupo, comunidade ou organização. Neste sentido, o Mutirão Nacional de Comunicação tem por finalidade colocar em comum os saberes, as pesquisas e as práticas de comunicação no âmbito da sociedade e da Igreja.
 
No site nacional da Pascom (https://muticom.com.br), encontramos que “o objetivo do Mutirão Brasileiro de Comunicação é o de reunir comunicadores, profissionais, pesquisadores, agentes de pastoral e autoridades da Igreja e civil para refletirem, conjuntamente, sobre a democratização e as políticas de comunicação, as perspectivas das relações entre a Igreja Católica, a sociedade brasileira e a cultura contemporânea no campo da Comunicação Social. Nesse sentido, cada mutirão trabalha com um tema motivador, buscando refletir e aprofundar aspectos teóricos e práticos da vivência e das políticas de comunicação na Igreja e na sociedade. Desenvolvem também atividades de aperfeiçoamento técnico-profissional e de educação para a comunicação, exposições culturais e com pesquisas na área e outros assuntos vigentes do momento! ”. 
 
Não podemos esquecer a história da comunicação em nossa Igreja. Recordo que Pio XI, em fevereiro de 1931, fundou a Rádio Vaticana, mas foi com o Papa Pio XII (1939-1958), que a Igreja aprofundou e ampliou suas reflexões sobre o uso dos meios de comunicação social. No dia 8 de setembro de 1957 o referido Papa escreveu a Encíclica “Miranda Prorsus”, convencido da influência da comunicação e de sua importância para que a Igreja pudesse atingir seus objetivos na área de evangelização. Caracterizada como uma advertência pastoral, a Encíclica apresenta dois pensamentos básicos: as novas tecnologias de comunicação são preciosos dons de Deus e devem difundir os ensinamentos de Deus.
 
É inegável que vivemos sob as luzes geradas pelo Concílio Vaticano II, realizado em Roma, em três sessões, de outubro de 1962 a dezembro de 1965. O Decreto “Inter Mirifica”, aprovado no dia 4 de dezembro de 1963 e o segundo dos dezesseis documentos publicados pelo Vaticano II, confirma que a Igreja aceita oficialmente os meios de comunicação para desenvolver seu trabalho pastoral. Pela primeira vez, um documento oficial e universal da Igreja assegura a obrigação e o direito de utilizar os instrumentos de comunicação social. A partir desta determinação, embora não sem encontrar dificuldades e resistências, a Igreja ampliou sua reflexão com novos documentos e gradualmente inseriu os meios de comunicação na realização de sua missão.
 
A exigência da evangelização, consequência da nossa identidade cristã, nos impele, por um lado, a anunciar que o reconhecimento da verdade plena de Deus é condição prévia e indispensável para a consolidação da justiça e da paz na sociedade. Recordo as palavras de João Paulo II, proferidas no dia 7 de julho de 1980, na cidade de Salvador, Bahia: “A Igreja, fundada por Cristo, indica ao homem de hoje o caminho a seguir para construir a cidade terrestre, prelúdio – embora não isento de antinomias e contradições – da cidade celeste. A Igreja indica o modo de construir a sociedade em função do homem, no respeito ao homem. Sua tarefa é inserir em todos os campos da atividade humana o fermento do Evangelho”.
 
Por outro lado, a comunidade cristã encontra nos meios de comunicação um instrumento sinodal precioso para a unidade, pastoreio e comprometimento de seus membros. São muitíssimas as atividades continuamente realizadas em nossas comunidades. O que fazer para que as ricas experiências e atividades não fiquem escondidas? Encontramos a resposta na Pastoral da Comunicação, em nível diocesano e paroquial. Quanto melhor for a comunicação maior será o interesse e a participação de todos. Parabéns, Pasconeiro! 
Por Dom Francisco Carlos Bach, bispo da Diocese de Joinville | Foto-Arte: Pascom-Joinville