Entre os dias 04 e 07 de maio de 2025, a Comissão Episcopal para a Liturgia do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Sul 4), em parceria com a Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), promoveu a 3ª Semana Litúrgica. A iniciativa integrou as ações formativas da Comissão de Liturgia e celebrou os 40 anos da Carta Encíclica Dominum et Vivificantem, de São João Paulo II, documento dedicado à reflexão sobre a presença e a missão do Espírito Santo na vida da Igreja e do mundo.
Com o tema “O Espírito Santo é o artífice e o protagonista da Liturgia”, a jornada foi vivida como um tempo de formação, aprofundamento e reflexão sobre a ação do Espírito Santo na vida litúrgica da Igreja. Realizado em formato online, o evento foi transmitido pelos canais de comunicação da CNBB Sul 4, arquidioceses, dioceses catarinenses e também pela FACASC, possibilitando a participação de agentes de pastoral, diáconos, padres, bispos, religiosos e religiosas, seminaristas e fiéis de diversas regiões do Brasil.
A programação contou com assessorias de especialistas na área da teologia e liturgia. A cada noite, os participantes foram convidados a aprofundar uma dimensão específica da presença do Espírito Santo, percorrendo temas que partiram da identidade do Espírito, passaram pela sua ação na liturgia e na Sagrada Escritura e chegaram às expressões da fé popular.
Quem é o Espírito Santo? A identidade e a ação do Paráclito
Abrindo a programação, no dia 04 de maio, o Pe. Dr. Ademir Eing conduziu a reflexão sobre o tema “Quem é o Espírito Santo?”, partindo dos 40 anos da Dominum et Vivificantem. Em sua abordagem, destacou que o Espírito Santo é revelado na Sagrada Escritura por meio de símbolos profundamente dinâmicos — vento, água, fogo, unção, luz, selo e pomba — sinais que revelam sua ação criadora, transformadora e vivificadora. O Espírito aparece como força que gera vida, move a história e conduz o povo de Deus ao encontro com Cristo.
Durante a formação, o assessor recordou que o Espírito Santo permanece, por vezes, como a Pessoa menos conhecida da Santíssima Trindade, justamente porque sua missão não é atrair para si, mas conduzir a Igreja a Jesus Cristo. O Espírito revela o rosto do Filho e atualiza, na história, o projeto salvífico do Pai. A reflexão também ressaltou que toda a vida cristã nasce da ação do Espírito: é Ele quem desperta a fé, comunica a vida nova no Batismo, fortalece para a missão e sustenta a caminhada da Igreja.
Outro aspecto apresentado foi a missão conjunta entre Cristo e o Espírito Santo. Assim como o Pai enviou o Filho ao mundo, enviou também o Espírito para agir continuamente na vida dos fiéis. A Igreja, a liturgia, os sacramentos, a oração, os carismas e o testemunho dos santos são lugares onde o Espírito continua atuando, renovando a vida cristã e conduzindo a humanidade à plenitude do Reino de Deus.
O Espírito Santo na Liturgia: presença silenciosa e transformadora
Na segunda noite, 05 de maio, o Pe. Dr. Rafael Alex da Silva refletiu sobre “O Espírito Santo na Liturgia”, destacando que não existe celebração cristã sem a ação do Espírito Santo. Em sua exposição, explicou que a presença do Espírito é essencial para que os fiéis reconheçam Jesus como Senhor, se dirijam a Deus como Pai e participem plenamente do mistério celebrado pela Igreja.
O assessor ressaltou uma característica própria da tradição litúrgica: a ação discreta e silenciosa do Espírito. Segundo ele, o Espírito não ocupa o centro para si, mas conduz a comunidade ao encontro com Cristo. Trata-se de uma presença que age interiormente, iluminando os corações, tornando viva a Palavra proclamada e conduzindo a assembleia à comunhão com Deus. Essa ação silenciosa revela a missão do Espírito de tornar os cristãos cada vez mais semelhantes a Jesus.
A reflexão também abordou a presença do Espírito nos sacramentos, especialmente na iniciação cristã. O Batismo, a Confirmação e a Eucaristia foram apresentados como lugares privilegiados dessa ação divina. Destacou-se ainda a importância da epiclese — a invocação do Espírito Santo — presente nas celebrações litúrgicas, por meio da qual a Igreja suplica a Deus que derrame o Espírito sobre os dons e sobre a assembleia reunida.
Pentecostes entre o Antigo e o Novo Testamento
No dia 06 de maio, o Pe. Esp. João Humberto Luciani conduziu a reflexão sobre “A festa bíblica: Pentecostes entre o Antigo e o Novo Testamento”, apresentando as raízes bíblicas da solenidade. Inicialmente, explicou a relação da festa judaica de Shavuot — a Festa das Semanas — com as colheitas e a ação de graças pelos frutos recebidos. Com o passar do tempo, a celebração passou também a recordar o dom da Lei entregue a Moisés no Sinai.
A partir dessa compreensão, o assessor mostrou como a Igreja reinterpretou Pentecostes à luz da Páscoa de Cristo. A solenidade cristã não é uma festa isolada, mas a conclusão do tempo pascal, celebrando o maior dom do Ressuscitado: o Espírito Santo. Pentecostes manifesta a plenitude da Páscoa e marca o nascimento missionário da Igreja, quando os discípulos, fortalecidos pelo Espírito, saem para anunciar o Evangelho.
Também foram apresentados elementos litúrgicos próprios da Solenidade de Pentecostes, especialmente as orações, leituras e símbolos da Missa da Vigília e do Dia. A reflexão ressaltou que a unidade realizada pelo Espírito não elimina diferenças, mas cria comunhão. A Igreja nasce diversa, missionária e reunida pelo mesmo Espírito, capaz de unir povos e culturas em torno do anúncio do Evangelho.
O Espírito Santo na piedade popular
Encerrando a programação, no dia 07 de maio, o Pe. Dr. Kelvin Borges Konz apresentou o tema “O Espírito Santo na piedade popular”, destacando como a ação do Espírito também se manifesta nas expressões de fé do povo. A reflexão partiu da compreensão da piedade popular como um espaço privilegiado de encontro com Cristo e um verdadeiro patrimônio espiritual da Igreja latino-americana.
A partir do exemplo da Festa do Divino Espírito Santo, o assessor apresentou elementos históricos, culturais e religiosos dessa tradição, mostrando sua origem em Portugal e sua chegada ao Brasil. A devoção tornou-se uma das expressões mais significativas do catolicismo popular, reunindo espiritualidade, símbolos, manifestações comunitárias e práticas de solidariedade.
Entre os aspectos destacados estiveram as bandeiras do Divino, a coroação, as folias, a figura do Imperador do Divino e a distribuição de alimentos como sinal de fraternidade. A reflexão concluiu indicando a necessidade de integrar liturgia e piedade popular, evitando separações e valorizando essas manifestações como expressão viva da fé encarnada na cultura e sustentada pela ação do Espírito Santo.
Ao longo dos quatro dias, a 3ª Semana Litúrgica proporcionou aos participantes um itinerário de aprofundamento que uniu teologia, liturgia, espiritualidade e vida pastoral. A iniciativa reafirmou o compromisso da Comissão Episcopal para a Liturgia do Regional Sul 4 em oferecer espaços de formação permanente, ajudando as comunidades a compreenderem, celebrarem e viverem a ação do Espírito Santo no cotidiano da Igreja.
Por Jaison Alves da Silva


