Na manhã do último sábado, 27 de dezembro, monsenhor Gilson Meurer foi ordenado bispo para a Diocese de Lages (SC). A celebração foi realizada na Catedral Diocesana Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages (SC). O evento foi transmitido ao vivo pelo YouTube da Diocese de Lages e pelo Facebook da CNBB Sul 4 e das dioceses e arquidioceses de Santa Catarina, permitindo que os fiéis acompanhassem a celebração.
Dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ, arcebispo metropolitano de Florianópolis, presidiu a cerimônia como bispo ordenante, acompanhado dos bispos coordenantes dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ, arcebispo emérito de São Salvador da Bahia, e dom Odelir José Magri, MCCJ, arcebispo metropolitano de Chapecó. A cerimônia contou também com a presença de todos os bispos do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de outras regiões do Brasil.
Homilia de dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ

Na homilia, dom Wilson Tadeu situou a celebração no contexto do Tempo do Natal e da festa de São João Evangelista, destacando que toda a missão episcopal nasce do mistério da Encarnação, contemplado na gruta de Belém. Assim como os pastores, o bispo é chamado a admirar o mistério de Deus feito homem e a anunciá-lo a todos os povos.
Dom Wilson recordou que a ordenação acontece no Ano Jubilar e às vésperas do Centenário da Diocese de Lages, sublinhando que este tempo é marcado por renovação e esperança. O novo bispo e a diocese são chamados a caminhar juntos, acolhendo a Palavra de Deus como realidade viva que orienta a vida e a missão eclesial.
Ao comentar os sinais do rito da ordenação, ressaltou o significado da cruz, do anel, da mitra e, especialmente, do Evangelho colocado sobre a cabeça do eleito durante a oração de consagração. Esses gestos expressam que o bispo é consagrado para viver, guardar e proclamar o Evangelho, colocando toda a sua vida a serviço de Cristo e da Igreja.
A partir do Evangelho da Ressurreição, dom Wilson destacou a passagem do “ver físico” para o “ver da fé”, exemplificada por Maria Madalena, pelos apóstolos e por Tomé. Somente o encontro com Cristo ressuscitado permite compreender plenamente o mistério da fé e anunciar o Evangelho com verdade e coragem.
Por fim, afirmou que o ministério episcopal existe para conduzir o povo de Deus a esse encontro com Cristo vivo. Ao acolher o chamado, dom Gilson assume não um privilégio, mas um serviço: ser testemunha do Cristo ressuscitado, para que, por meio de sua fé e de seu testemunho, Deus continue realizando a sua obra na Diocese de Lages e além dela.
Rito de Ordenação
Após a homilia, teve início o rito de ordenação episcopal. Monsenhor Gilson Meurer foi questionado sobre sua fé e disposição para assumir a nova missão; em seguida, prostrou-se no chão enquanto foi entoada a Ladainha de Todos os Santos. Dom Wilson então impôs as mãos sobre o novo bispo, gesto repetido em silêncio por todos os bispos e arcebispos presentes.
O Evangeliário aberto foi colocado sobre a cabeça de monsenhor Gilson, e a prece de ordenação foi proferida por dom Wilson. Após a ordenação, dom Gilson foi ungido na cabeça com o óleo santo e recebeu as insígnias episcopais. O novo bispo tomou posse canônica da cátedra da Catedral e foi saudado pelos demais bispos, sinalizando sua acolhida no colégio episcopal.
Mensagem de boas-vindas de dom Odelir José Magri, MCCJ, em nome da CNBB Sul 4
Dom Odelir saudou dom Gilson Meurer, os arcebispos e bispos presentes, acolhendo-o oficialmente no Regional Sul 4 da CNBB. Recordou que dom Gilson já fazia parte da caminhada da Igreja em Santa Catarina e que, agora, passa a integrar o Regional como bispo.
Destacou, de modo especial, a Província Eclesiástica de Chapecó, composta pelas dioceses de Joaçaba, Caçador, Lages e Chapecó, lembrando que a Diocese de Lages é considerada a “diocese-mãe” da província, olhada com carinho e respeito por todas as Igrejas locais.
Dom Odelir afirmou que a chegada de dom Gilson vem para somar e fortalecer a missão da Província Eclesiástica e do Regional Sul 4, desejando-lhe plena integração na caminhada pastoral.
Na ocasião, agradeceu a dom Guilherme Werlang, que acompanhou o Regional por cerca de sete anos e nove meses, reconhecendo o caminho construído em comunhão durante esse período.
Encerrando sua mensagem, dom Odelir reforçou a unidade na missão episcopal, manifestando a alegria do Regional pela chegada de dom Gilson e reiterando: “Estamos juntos na missão. Seja bem-vindo”.
Encerramento e bênção
Dom Gilson agradeceu a presença dos bispos e ressaltou que esse gesto é sinal de que não caminha sozinho no novo ministério, mas conta com amizade, conselhos e ajuda fraterna. Dirigiu um agradecimento especial a dom Guilherme, destacando sua sabedoria e o modo como vive a etapa da emeritude, conforme o chamado do Papa, “nessa arte do desapego e de saber retirar-se”. Reconheceu o empenho de dom Guilherme na acolhida e no cuidado pastoral da Diocese de Lages, recordando as palavras de São Paulo: “Um é o que planta, outro é o que rega, mas é sempre Deus que faz crescer”, comprometendo-se a cuidar das sementes já lançadas.
Em seguida, manifestou gratidão aos padres, diáconos, religiosos, seminaristas, lideranças leigas, autoridades civis e ao povo de Deus, reafirmando os pilares que orientam sua missão episcopal: a comunhão eclesial, a fidelidade ao Evangelho e o serviço pastoral. Recordou o chamado de Pedro, no Evangelho de Lucas, assumindo como lema pessoal: “Por causa da tua palavra, lançarei as redes”, expressão de confiança na graça de Deus diante da nova missão. Por fim, agradeceu à família pelo apoio constante e confiou o novo caminhar da Diocese de Lages à intercessão de Nossa Senhora dos Prazeres.
No encerramento da celebração, dom Adalberto, acompanhado pelos bispos ordenantes, percorreu a assembleia, abençoando os fiéis.
Confira a missa de ordenação na íntegra.
Matéria e fotos: Jaison Alves da Silva












