O 2º Fórum das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) do Regional Sul 4 reuniu lideranças, agentes pastorais e representantes de diversas dioceses catarinenses para refletir sobre as novas vocações para a missão sociotransformadora da Igreja. O encontro promoveu momentos de espiritualidade, formação, partilha e escuta, fortalecendo a articulação das pastorais sociais no estado de Santa Catarina.
A abertura do encontro teve um momento orante conduzido por representantes da juventude, destacando a missão da Igreja junto aos pobres, excluídos e vulneráveis. Em uma das preces, os participantes rezaram “pelas novas vocações à missão sociotransformadora, para que surjam corações generosos e comprometidos com a justiça”, reforçando o horizonte do fórum.
O secretário executivo da CNBB Sul 4, padre Antonio Madeira, acolheu os participantes e destacou a importância da proximidade entre o regional e a CNBB para fortalecer os processos pastorais nas comunidades. Em sua reflexão, recordou que a ação sociotransformadora nasce do Evangelho encarnado na realidade concreta das pessoas.
“Servir aos pobres, defender direitos, promover fraternidade, cuidar da Casa Comum e gerar processos de transformação social também é resposta a um chamado de Deus”, afirmou o sacerdote. Padre Antonio também ressaltou que a pastoral social nasce “de um coração que se deixa afetar pela dor do outro” e reforçou a necessidade de cultivar sensibilidade vocacional nas comunidades.
O encontro contou com a presença do arcebispo de Chapecó e presidente da CNBB Sul 4, dom Odelir José Magri, MCCJ, que destacou o caminho sinodal vivido pela Igreja e a importância da comunhão, participação e missão. O arcebispo também enfatizou o protagonismo das juventudes na evangelização e nos processos de transformação social.
“Que essa reflexão possa fortalecer quem está nessa caminhada e iluminar os processos pastorais nas dioceses e comunidades”, afirmou dom Odelir, ao recordar que os diferentes sujeitos da evangelização precisam ser valorizados no contexto das novas diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.
A assessoria do fórum foi conduzida pelo padre Edson Thomassim, assessor da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB. Em sua exposição, ele destacou que o projeto “Novas Vocações para a Missão Sociotransformadora” busca despertar novas lideranças e fortalecer a sensibilidade social da fé, especialmente entre as juventudes.
Segundo o assessor, a Igreja é chamada a “encantar, formar e enviar” pessoas comprometidas com a transformação da realidade, superando práticas superficiais e desenvolvendo processos pastorais mais próximos da vida concreta das pessoas. Padre Edson reforçou que a missão sociotransformadora exige novas metodologias, capacidade de escuta e presença junto às realidades vividas pelas juventudes.
Durante a reflexão, foram apresentados desafios atuais enfrentados pelas pastorais sociais, como saúde mental, dignidade do trabalho, combate ao racismo, cuidado com a Casa Comum, violência, exclusão social e acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Também foi destacada a necessidade de fortalecer o protagonismo juvenil e promover processos pastorais integrados e intergeracionais.
Padre Edson ainda ressaltou que a fé cristã e a questão social são inseparáveis à luz do Evangelho. Inspirado na encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, o assessor recordou que “a dignidade de cada pessoa não depende das capacidades que possui, riquezas ou da função que desempenha, mas é um dom que a precede e a ultrapassa”.
O fórum também refletiu sobre a importância da escuta das juventudes e da construção de novos processos de acompanhamento pastoral. Leonardo Cerisoli, da Pastoral da Juventude de Santa Catarina, destacou que muitas vezes as propostas pastorais não dialogam com a realidade vivida pelos jovens.
“Os jovens não querem apenas estar presentes nos espaços, mas participar da construção dos processos e das decisões”, afirmou. Segundo ele, o protagonismo juvenil exige abertura para escuta verdadeira, acompanhamento e participação efetiva nas estruturas eclesiais.
Outro destaque do encontro foi a reflexão sobre a necessidade de atuação em sinergia entre as diversas pastorais e organismos da Igreja. Padre Edson Thomassim propôs uma caminhada integrada entre as frentes de atuação social, evitando ações isoladas e fortalecendo a dimensão comunitária da missão.
O bispo emérito da Diocese de Lages, dom Guilherme Antonio Werlang, MSF, também participou do encontro e reforçou a importância da indissociabilidade entre fé e compromisso social. O bispo destacou a necessidade de sensibilizar as novas gerações para a dimensão social da fé e para o cuidado com os mais vulneráveis.
Ao final do fórum, os participantes reafirmaram o compromisso com uma Igreja samaritana, missionária e comprometida com a defesa da vida, da dignidade humana e da justiça social. Inspirados pelo lema “Minha comunidade eclesial transforma o mundo”, os agentes pastorais renovaram a esperança e o compromisso de continuar construindo caminhos de transformação social à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.

Por Jaison Alves da Silva | Ascom CNBB Sul 4





