Na quinta-feira, 15 de fevereiro, às 11h, a Equipe Executiva da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Sul 4 lançou a Campanha da Fraternidade 2024 com uma missa na Capela da Sede. A celebração foi presidida por Dom Onécimo Alberton, bispo auxiliar de Florianópolis (SC) e secretário da CNBB Sul 4. Estiveram presentes o padre Antonio Madeira, secretário executivo da CNBB Sul 4, Marline Dassoler Buzatto, coordenadora regional da Pastoral Indigenista, e membros do secretariado da CNBB Sul 4.
Em sintonia com a Carta Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, assinada na Basílica de São Francisco em Assis, na Itália, a Campanha da Fraternidade 2024 propõe uma jornada quaresmal em três dimensões: primeiro, convida as pessoas a reconhecerem as situações de hostilidade que geram divisões, violência e prejudicam a dignidade dos filhos de Deus; segundo, incentiva a iluminar-se pelo Evangelho que as une como família; terceiro, exorta à ação em conformidade com o espírito quaresmal, buscando uma conversão contínua que promova mudanças tanto pessoais quanto comunitárias. O tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Amizade Social”, com o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Cf. Mt 23,8).
Em sua homilia, Dom Onécimo enfatizou a importância de seguir os passos de Jesus, destacando que acompanhar Cristo requer renúncia e a disposição de carregar nossa cruz diariamente. Ele lembrou que Jesus chamou seus discípulos com total liberdade, sem impor obrigações, e levantou questionamentos sobre as prioridades e escolhas pessoais, relacionando-os ao tema da CF 2024.
Leia a homilia na integra:
HOMILIA – 15/02/2024
No coração do Evangelho de Lucas, encontramos um convite desafiador de Jesus: renunciar a si mesmo tomar a própria cruz diariamente e segui-lo. Este chamado é um eco da própria jornada de Cristo, marcada por sofrimento, rejeição e, finalmente, a morte na cruz, seguida pela ressurreição. A mensagem aqui é profunda e convoca cada um de nós a uma reflexão intima sobre o verdadeiro o centro do nosso discipulado. Sobre o que realmente conta, o que move nosso coração e nossa vida.
Ao convidar seus discípulos a carregar sua própria cruz, Jesus os chama à liberdade verdadeira, encontrada na entrega total a Deus e no serviço aos outros. O renunciar é o verdadeiro sinal de abertura do coração que confia em Jesus, que sabe que entregando-se inteiramente a Ele, encontrará forças para renunciar tudo (considerar um lixo) para permanecer com Ele.
A afirmação de perder a vida para salvá-la revela uma verdade espiritual profunda: a vida eterna é alcançada não pela autopreservação, mas pelo autossacrifício. Este princípio desafia as noções mundanas de narcisismo soberbo, e individualista, de sucesso e realização, de querer ser dono da missão e maior que Jesus. No coração deste ensinamento, está o convite para abraçar o amor sacrificial como o caminho para a verdadeira vida. Não existe decisão de amor livre do sacrifício, da autodoação e entrega total de si. (Não de metades ou de partes que me agradam e me satisfazem, o daquilo que me representa, mas não apresenta Jesus).
Jesus confronta-nos com uma pergunta penetrante sobre o valor da vida: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se se perde e se destrói a si mesmo?” Esta interrogação nos chama a ponderar sobre nossas prioridades, sobre o que verdadeiramente valorizamos, o que colocamos no centro de nossa vida e o que colocamos no centro de nossas relações. Nos convida a considerar a eternidade, em vez de nos perdermos na busca por ganhos temporais e prazeres passageiros.
- “Não podemos pensar na vida cristã fora deste caminho que Ele percorreu primeiro. É o caminho a humildade. O estilo cristão sem cruz não é, de forma alguma, cristão e se a cruz é uma cruz sem Jesus, não é cristã” (Francisco).
- “A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, (…) a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus é o caminho mais seguro da penitência”. (Catecismo da Igreja Católica, no 1.435).
Confira algumas imagens da celebração.
Matéria e fotos: Jaison Alves da Silva













