Serviço Pastoral do Migrante celebra um ano da Casa do Migrante Scalabrini

Por equipe de comunicação do SPM/SC

Neste dia 31 de outubro de 2020 o Serviço Pastoral dos Migrantes de Santa Catarina (SPM SC), em aliança com os missionários scalabrinianos, celebra um ano de abertura e funcionamento da Casa do Migrante em Florianópolis. Através do financiamento do ACNUR e da parceria entre o Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPM NE) e da Cáritas Suíça esta casa de acolhida faz parte do projeto “Acolhendo vidas, reconstruindo sonhos”.

No período de um ano, acolhemos e integramos 51 pessoas que chegaram na cidade em três momentos diferentes. A perspectiva é receber mais um grupo até final de 2020. O objetivo do projeto é promover a integração destas pessoas em Santa Catarina, a partir da inserção laboral e educacional.

Para isso, todos os acolhidos recebem atendimentos do âmbito jurídico, contemplando as questões de regularização migratória, auxílio com inserção laboral, bem como são ofertadas aulas de português dentro da Casa.
No dia 31 de outubro de 2019 recebemos 20 migrantes venezuelanos através do processo de interiorização do Governo Federal em conjunto com entidades parceiras. O Exército Brasileiro fez o traslado das primeiras pessoas que chegaram no aeroporto até a Casa.

Este primeiro grupo de acolhidos foi composto por 5 mulheres e uma delas grávida, 6 homens e 9 crianças com idades entre 10 meses e 12 anos. Das nove crianças, apenas um menino, de doze anos, estava com idade para ser matriculado na escola. Este foi acompanhado pela equipe para realização da matrícula e ambientação com a escola.

Matrícula realizada em escola pública próxima à Casa Scalabrini
As demais tinham menos de cinco anos e precisariam ser inseridas em creches públicas, mas não conseguiram vagas no momento em virtude da lotação máxima pela cidade. É importante destacar como essa inviabilidade de vagas nas creches para as crianças influencia também no processo de inserção laboral dos adultos. Por exemplo, em núcleos familiares com dois responsáveis, apenas um por vez consegue sair de casa para procurar emprego e o outro precisa ficar em casa cuidando das tarefas domésticas e dos filhos. E quando há apenas um responsável, a situação fica ainda mais difícil.

Por conta da dificuldade de inserção no mercado de trabalho formal, muitos de início, conseguiram trabalhos na informalidade, como no setor de construção civil, costura e limpeza de domicílios. No entanto, a maioria das mulheres, em razão das crianças pequenas e da falta de creche, tinham que permanecer em casa. Pela chegada desse grupo em Florianópolis ter sido no período de final e início de ano, e ser alta temporada para o turismo, os valores para aluguel costumam ser mais altos, o que dificultou também a saída da casa.

Integração de final de ano em 2019 com a equipe da CNBB Regional Sul 4
Ao longo das semanas de permanência na casa, com exceção dos que conseguiam trabalho, todos frequentavam as aulas de português. Durante as aulas, contávamos com auxílio de voluntários que ficavam com as crianças pequenas enquanto os adultos se dedicavam aos estudos.
Desde os primeiros dias, todos tiveram acesso ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo da casa, bem como ao posto de saúde. O apoio da Marinha do Brasil foi também fundamental na questão de alimentação. Semanalmente, a Casa do Migrante recebia alimentos que eram direcionados aos acolhidos.

Deste primeiro grupo, dois adultos foram integrados na cidade de Laguna, para trabalhar em um hotel no setor de serviços gerais. Outra família foi para a cidade de Bom Retiro com o propósito de trabalho e moradia na área rural. E outra ainda foi para Tubarão. Os demais, ao sair da Casa, continuaram morando em Florianópolis.

Já no dia 12 de fevereiro de 2020, a equipe recebeu mais 20 acolhidos vindos de Roraima. Com o início da pandemia do COVID-19, anunciada em março no Brasil, o período para esses acolhidos foi de bastante angústia e incertezas.

Pois, desde a chegada na Casa eles têm a expectativa de conseguir uma oportunidade de trabalho rapidamente para garantir sua autonomia financeira. No entanto, este momento se mostrou extremamente adverso para isso, considerando o aumento diário dos casos de contaminação, o fechamento do comércio e a interrupção dos serviços públicos de transporte urbano. As aulas de português também tiveram que ser adaptadas ao modelo virtual.
Desses 20, três mulheres em idade adulta foram integradas na cidade de Gaspar, com vínculo empregatício na empresa Círculo. Uma família com três pessoas foi para a cidade de Biguaçu e outras três foram para o estado do Rio Grande do Sul para trabalhar com colheita de maçãs. Da última família metade permaneceu em Florianópolis, pois já tinham empregos com carteira assinada no setor de construção civil e a outra parte da família foi para a cidade de Brusque.

O terceiro grupo a chegar na Casa Scalabrini desembarcou na cidade no dia 21 de setembro de 2020. Este foi um grupo reduzido com oito pessoas que vieram através da parceria com o Serviço Pastoral dos Migrantes Nacional. E, por fim, no dia 19 de outubro mais uma família chegou com três pessoas. Ao todo, dos 11 acolhidos, três já saíram da Casa e estão trabalhando e morando na cidade de Joinville.

Assim, é com muita alegria que compartilhamos esses momentos de êxito dos últimos doze meses, mas é preciso lembrar também que os desafios impostos desde o início do projeto ainda permanecem, como a falta de vagas em creche e a dificuldade de inserção laboral. Para o próximo ano, desejamos que esses obstáculos sejam superados e que a acolhida aos migrantes em Florianópolis seja cada vez mais receptiva, garantindo, principalmente, o acesso amplo a todos seus direitos.
Visita de parceiros da Caritas/PR
É importante registrar que todo esse trabalho é realizado por nossa equipe, composta por cinco pessoas, sendo: a gestão feita pelo diretor Pe. Nelson Francisco Mariano e pelo coordenador Pe. Marcos Mario Bubniak; nas áreas de integração e proteção atuam nossas colaboradoras Natalia Benatti Zardo, educadora, e Emanuely Gestal, assistente de projetos; e também conta com o nosso agente Pastoral, Levi Diniz, responsável pelos cuidados e organização do espaço.
Agradecemos aos parceiros ligados ao projeto e que tornaram possíveis todas essas ações. Destacamos aqui a parceria fundamental do SPM NE e da Cáritas Suíça que, desde o princípio, foram nossas bases para a execução da Casa. Agradecemos também às agências das Nações Unidas como a OIM e o ACNUR, que apoiaram com recursos e estão à disposição para eventuais necessidades.
Estendemos também os nossos agradecimentos à Universidade Federal de Santa Catarina que, através do curso de Geografia, enriquece nosso trabalho diário com três graduandos que fazem parte de um projeto de extensão de direito à cidade para migrantes. Por fim, agradecemos ao Serviço Pastoral dos Migrantes Nacional e ao Regional Sul 4 da CNBB que nos dão sustentação em todos os projetos executados por nossa equipe.

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