Igreja em Santa Catarina e o acolhimento de migrantes

Fruto das grandes crises econômicas e políticas em diversos países, nos últimos anos vêm crescendo, em grande escala, o fluxo migratório mundial. No Brasil, o estado de Santa Catarina ganha destaque no número de migrantes acolhidos por projetos governamentais e da sociedade civil, em grande parte através de parcerias com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Atualmente aumentou expressivamente a chegada de migrantes da Venezuela, que se encontram em situação de risco no estado de Roraima, na fronteira brasileira com o país vizinho.

Entre 2015 e maio de 2019, o Brasil registrou mais de 178 mil solicitações de refúgio e de residência temporária. A maioria dos migrantes entra no País pela fronteira norte do Brasil, no Estado de Roraima, e se concentra nos municípios de Pacaraima e Boa Vista, capital do Estado.

Para acolher parte dessa população, 11 abrigos oficiais foram criados em Boa Vista e dois em Pacaraima. Eles são administrados pelas Forças Armadas e pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Mais de 6,3 mil pessoas, das quais 2,5 mil são crianças e adolescentes, vivem nos locais. Estima-se que quase 32 mil venezuelanos morem em Boa Vista. Projeções das autoridades locais e agências humanitárias apontam que 1,5 mil venezuelanos estão em situação de rua na capital, entre eles, quase 500 têm menos de 18 anos de idade.

Igreja e a migração – O Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), há algum tempo vem se articulando dentro do âmbito da migração, levando em conta que migrar é um direito humano. Dentro das ações indicadas pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja em Santa Catarina 2020-2023, é apontado o apoio e incentivo para as atividades ligadas à mobilidade urbana. O número 182 das Diretrizes, um dos encaminhamentos práticos do Pilar da Caridade, coloca a necessidade de “apoiar e incentivar as pastorais da mobilidade humana em todas as esferas da Igreja, com presença junto a migrantes e refugiados, grupos nômades, turistas, entre outros”.

O Regional Sul 4 conta com duas frentes de trabalho para o acolhimento e interiorização de migrantes venezuelanos, mas que paralelamente também atendem os de outras nacionalidades. O Serviço Pastoral do Migrante de Santa Catarina (SPM SC), além do protagonismo eclesial e social na atuação com a causa migratória, hoje possui a Casa do Migrante Scalabrini, uma casa de passagem de atendimento de migrantes. Já a Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, iniciou neste mês de fevereiro a segunda fase do Programa Pana, que visa auxiliar o processo de integração de migrantes venezuelanos.

Os dois projetos acontecem na capital Florianópolis (SC), mas conta com o apoio de articulações em outras cidades do estado para a interiorização. Conheça agora um pouco mais de cada uma dessas ações realizadas:

Casa do Migrante Scalabrini – SPM SC

Migrantes em frente Casa do Migrante Scalabrini. Foto: Arquivo SPM SC.

Com atividades iniciadas em outubro de 2019, a Casa do Migrante Scalabrini tem como objetivo fazer a integração da pessoa migrante em Santa Catarina, a partir da inserção laboral e educacional. São oferecidas aulas de português semanalmente dentro da casa e realizado um suporte inicial com a organização, circulação de currículos e contatos com empresas.

Padre Marcos Bubiniak, coordenador do SPM SC acolhendo os migrantes. Foto: Arquivo do SPM SC.

Em outubro de 2019, a Casa recebeu o primeiro grupo de migrantes, totalizando um número de vinte migrantes para a primeira experiência de acolhimento. Na última quarta-feira, 12 de fevereiro, Florianópolis (SC) foi o destino de mais vinte migrantes da Venezuela que estavam no abrigo Rondon 2, na capital de Boa Vista (RR). De acordo com informações da coordenação do SPM SC, a chegada foi organizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Força Aérea Brasileira e o Exército Brasileiro.

O voo pousou na Base Aérea de Florianópolis por volta das 17h45 e contou com 46 passageiros. Destes, vinte e seis seguiram viagem para outras localidades no estado e 20 foram acolhidos pelo SPM SC. A chegada na Casa do Migrante teve a participação de voluntários e da equipe de trabalho local. Esse processo faz parte do projeto “Acolhendo vidas, reconstruindo sonhos!”, visando a integração de migrantes através da moradia, educação e inserção laboral.

Programa Pana Brasil

Primeira reunião de planejamento da equipe Pana Brasil em Santa Catarina. Foto: Arquivo/Cáritas SC.

“Acolher, proteger, promover e integrar”- Assumindo estes verbos indicados pelo Papa Francisco na carta para o ‘Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados’ em 2019, a Rede Cáritas em Santa Catarina, através de uma parceria entre a Cáritas Brasileira e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), inicia neste mês de fevereiro uma nova etapa do Programa Pana. O programa visa auxiliar o processo de integração de migrantes venezuelanos que se encontram em situação de vulnerabilidade na região de Boa Vista (RR) e desejam reconstruir suas vidas em solo catarinense.

Pana é uma palavra da língua indígena Warao e significa amigo, parceiro. Os waraos são povos indígenas mais atingidos pela crise política e econômica da Venezuela que se arrasta desde 2015. Foram os waraos os primeiros a atravessar a fronteira da Venezuela para o Brasil em busca de ajuda para sobreviver. Em Santa Catarina, na primeira fase do Programa Pana, entre 2018 e 2019, foram integrados diretamente cerca de 200 migrantes.

Isadora Azevedo, coordenadora do Pana Brasil em Santa Catarina. Foto: Franklin Machado/Cáritas SC.

De acordo com a coordenadora do programa em Santa Catarina, Isadora Azevedo, a nova fase do Programa Pana tem a intenção de acolher cerca de 100 migrantes no estado já no mês de março. “Estamos nos preparando para receber os migrantes que estão vindo para o nosso estado. Contamos com uma equipe multidisciplinar e também com a colaboração de vários parceiros e voluntários que nos auxiliam no processo de acolhida e integração”, contou a coordenadora. Isadora lembrou ainda, que, “o programa conta com uma Casa de Direitos, responsável por atender e orientar, além dos venezuelanos, migrantes de outras nacionalidades”.

Jean Samuel Rosier, educador social do Pana Brasil. Foto: Franklin Machado/Cáritas SC.

Equipe – Para realizar o atendimento aos migrantes acolhidos pelo Programa Pana, foi montada uma equipe de colaboradores que conta com, além da coordenadora, uma assistente social, um assistente financeiro, um assistente de proteção e dois educadores sociais. Para Jean Samuel Rosier, um dos educadores sociais da equipe, o grande desafio do Programa é fazer com que cada migrante que venha para Santa Catarina possa ter a oportunidade de reconstruir os seus sonhos. “Vou atuar diretamente com a inclusão social e produtiva dos migrantes. A integração produtiva está ligada à oferta para o mercado de trabalho, dentro de parcerias com voluntários e empresas, para que os atendidos pelo programa, dentro de pouco tempo, consigam ter sua independência e possam seguir suas vidas”, relatou Jean que também é migrante vindo do Haiti e há oito anos mora no Brasil.

Voluntariado – Tanto o Programa Pana Brasil quanto a Casa do Migrante Scalabrini conta com a colaboração de voluntários. Para realizar o preenchimento do cadastro de voluntários do Programa Pana clique aqui. Para realizar o preenchimento do cadastro de voluntários do SPM SC clique aqui.

Foto de capa do Arquivo do SPM SC – Chegada dos migrantes venezuelanos em Florianópolis no dia 12 de fevereiro de 2020, acolhidos pelo Serviço Pastoral do Migrante.

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