CRAI apresenta balanço de atendimentos ao fim de contrato

A coordenação do Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (CRAI) recebeu na última quinta-feira, 19 de setembro, representantes de vários veículos de comunicação para comunicar oficialmente que as atividades realizadas pela Ação Social Arquidiocesana (ASA) no local findaram na sexta-feira, com o término do contrato.

O coordenador do CRAI, Luciano Leite, apresentou um balanço dos trabalhos realizados na gestão da ASA. O período de execução foi de fevereiro de 2018 a setembro de 2019.  Foram realizados 14.606 procedimentos através de 10.159 atendimentos, de pessoas de 60 nacionalidades. Entre os brasileiros, foram atendidos imigrantes de 39 cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além de imigrantes em situação de rua.

>>> Veja o relatório completo aqui.

A partir desta segunda-feira, 23 de setembro, imigrantes e refugiados em Florianópolis deverão procurar um dos 10 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Defensoria Pública e outros órgãos para atendimento conforme a demanda do imigrante, segundo a Diretora de Direitos Humanos da Secretaria do Desenvolvimento Social de Santa Catarina, Karina Euzébio Gonçalves, que também participou da coletiva.

Luciano explicou que, antes da abertura do CRAI, as referências neste tipo de atendimento em Santa Catarina eram entidades da sociedade civil que faziam seu trabalho através do voluntariado e de boa vontade. Isso dentro de um contexto em que imigração no Estado começou a crescer e estas entidades foram se inserindo no trabalho com imigração. “Não foi algo planejado, pensado. Na medida que foi crescendo o contexto imigratório na cidade, no Estado, as cidades foram se adaptando, foram criando as formas atuar, pelos meios que tinham, através do voluntariado e da solidariedade das pessoas. Com o centro de referência, o Estado havia dado um passo além para constituir uma política pública. O CRAI é esta referência para as entidades, para os imigrantes, no dialogar com outras políticas públicas, como a educação, a saúde, trabalho, previdência social”, acrescentou ele.

Para o coordenador, o trabalho desenvolvido na unidade é único no Brasil, constituído ao longo de meses de trabalho e experiência a partir da atuação dentro da realidade catarinense, e com o fechamento perde os avanços conquistados. “Agora o imigrante perde um espaço de articulação de diversas políticas públicas e de orientação, tendo que o imigrante buscar seus direitos em diversas instâncias de atendimentos, sem ter conhecidos dos serviços ofertados. Na maioria das vezes ele não conhece nem o idioma, quanto mais os os nomes das diversas instâncias que podem ajudá-lo”, destacou.

Para o haitiano Wisly Jules, da Associação dos Imigrantes de Santa Catarina, a situação de um imigrante é muito delicada, principalmente pelas dificuldades com a língua. Ele ressaltou que não é só receber o imigrante, mas também é preciso ajudar nas necessidades como um todo das pessoas que chegam e necessitam de toda espécie de ajuda e informação, desde a parte documental, ajuda psicológica, inserção no mercado de trabalho. E, para ele, no CRAI isto era feito muito bem.

“O contexto migratório muda constantemente. Antes era o contexto dos imigrantes haitianos, em que vinham somente homens para trabalhar e manter a família que ficou no Haiti. Depois a gente vê a realidade da Venezuela, onde não são mais só os homens. Eles chegam com toda a família para um novo recomeço, para se inserir no mercado de trabalho. Uma realidade totalmente diferente. Vimos que é um desafio enorme, porque cada nacionalidade vem e busca o Brasil e Santa Catarina por causa de uma demanda específica.”, acrescentou Luciano.

Em sua fala, o coordenador destacou a experiência enriquecedora vivida através do centro e que, mesmo após um curto período, o CRAI deixa um grande legado sobre como atuar na questão migratória, sobre como dialogar com as políticas públicas existentes. “Infelizmente, se volta agora à sociedade civil e se retorna o que era antes. Para a ASA, enquanto entidade gestora deste projeto, os trabalhos realizados cumpriram seu papel no atendimento ao migrante, indo além nos serviços prestados aos imigrantes”, finalizou.

Por arquidiocese de Florianópolis com informações de Assessoria de Comunicação da Ação Social Arquidiocesana (ASA)

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