Homilia de Dom Severino Clasen no sexto dia da 56ª Assembleia Geral

Dom Severino Clasen, bispo da diocese de Caçador, presidiu a missa deste sexto dia da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no Santuário Nacional de Aparecida. Leia na íntegra a homilia:

Estimados irmãos no episcopado, saudamos a todos os cristãos neste Ano Nacional do laicato que também nos acompanham através das TVs, Rádios e Internet.

O objetivo do Ano Nacional do Laicato nos convida a: “Celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; Aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; Testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade.

Este objetivo vem de encontro com a primeira leitura de hoje (Atos 6,8-15), onde Estevão enfrenta um grande conflito com alguns membros da chamada Sinagoga dos libertos e outros tradicionais da comunidade ao aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão para poder, com liberdade, testemunhar Jesus Cristo e seu Reino. Nota-se claramente um conflito provocado por Estêvão por ultrapassar os velhos costumes e se deixa conduzir pelo Espirito Santo em defesa da comunidade. Aqui aparecem os adversários que são as sinagogas helenistas de Jerusalém. E como normalmente os tradicionalistas que não querem avançar nas exigências que o próprio Evangelho apresenta, se metem a inventar falsas testemunhas e abrem processos contra Estêvão no Supremo Tribunal (v. 8-15). Mas o diácono cheio do Espírito Santo, animado com o vigor, apaixonadamente anuncia Jesus Cristo ressuscitado. Ele não se entrega com as ameaças e segue seu testemunho fiel como Jesus foi fiel até a morte e morte de Cruz.

Nós pastores temos essa primeira missão de apresentar com vigor o exemplo, a coragem dos primeiros cristãos e como eles foram firmes no testemunho de fidelidade a verdade e coerência que o Evangelho nos mostra.

Evangelho

No Evangelho temos a frase de destaque: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus”? (v.28). Jesus responde: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou” (v. 29). Está aqui a chave de leitura que supera o imediatismo das multidões que o seguem a procura de espetáculo, mais um milagre de multiplicação de pães e peixes, e ver um homem extraordinário que faz muitos prodígios. A atitude de Jesus surpreende. Ele não abandona as multidões e nem os deixa órfãos, mas, antes de ir, sacia o povo que estava com fome. Sua despedida e saída do meio deles é a pedagogia da busca, da persistência, da constância. A Iniciação à Vida Cristã deve conduzir os que desejam seguir Jesus no amor profundo do seguimento e busca-lo em todas as circunstâncias da vida. Jesus se encontra de um lado do lago e as multidões do outro lado. Há uma distância entre eles. É preciso encurtar distâncias, Jesus não sai do mundo, mas permanece no mundo para que ele seja encontrado, alcançado e seguido.

É preciso ir ao encontro dele e ouvi-lo. Jesus anuncia, com a vida, sua sintonia com o Pai, lembra-lhes da travessia junto ao povo antigo quando se alimentaram do maná no deserto. Estes foram os sinais prodigiosos presenteados ao povo que se libertou da escravidão do Egito. Mas, agora está aqui aquele que supera a fragilidade do alimento que se perde, alguém que tem o alimento da vida eterna. Ele é a eternidade a ser buscado e a ser alimentado no cotidiano. “O Filho do homem vos dará o alimento da vida eterna” (v.27). A Eucaristia é este alimento que nos fortalece e fomenta a nossa comunhão.

Nós temos Jesus Cristo para apresentar ao mundo onde falta o alimento da verdade, da justiça e da autenticidade. Esse é o alimento que nunca se corrompe.

Cabe a nós incentivar e apoiar para que o Ano Nacional do Laicato produza na consciência de todos os cristãos a firmeza buscando Jesus, mas o Jesus de Nazaré. O documento 105, sobre os cristãos leigos e leigas, propõe uma espiritualidade do seguimento. A espiritualidade encarnada caracteriza-se pelo seguimento de Jesus, pela vida no Espírito, pela comunhão fraterna e pela inserção no mundo. A espiritualidade cristã sempre terá por fundamento os mistérios da encarnação e da redenção de Jesus Cristo. Este enfoque deve permear a formação laical desde o processo da iniciação cristã (n. 184).

Nos alegramos com o testemunho de cristãos leigos e leigas, que nesse Ano Nacional do Laicato buscam seguir Jesus Cristo, participando ativamente nos exercícios da comunidade de fé, pois não existe fé cristã sem comunidade eclesial. Eis o nosso testemunho de comunhão no episcopado. O Cristão se forma e se experimenta numa comunidade eclesial. O testemunho de Santo Estêvão que foi martirizado, defendendo a comunidade de fé, se repete nos mártires de ontem, de hoje e que sem dúvida, teremos no amanhã. Infelizmente nos últimos anos tem aumentado o assassinato de muitas lideranças em comunidades periféricas que não são notícias, ou são desmoralizadas para que não sejam notícias. São pobres que morrem. É preciso levantar esses nomes e evitar que outros líderes que defendem os pobres sejam preservados e possam encorajar todas as pessoas para que superem a onda de ódio, de perseguição, de mortes brutas financiadas pela força do capital e entidades secretas que matam e destroem vidas e a dignidade dos filhos de Deus. A comunidade inteira, fiel na busca de caminhar com Jesus, que o procurem incessantemente pois, Ele sempre se deixa encontrar, pois ele tem um alimento que não perece.

Que celebremos com muita fé os mistérios da nossa fé na comunidade unida e reunida com espírito fraterno e obediência ao Papa Francisco que nos chama para uma Igreja com chave de saída para testemunhar Jesus Cristo em todas as esferas da sociedade, onde o ser humano se encontra, onde as pessoas vivem e convivem, onde, sobretudo o Evangelho deve ser anunciado. A busca do pão vivo deve ser a maior preocupação dos cristãos leigos e leigas para que as estruturas sociais garantam o pão cotidiano, aquele pão que une e constrói segurança e sustentabilidade para toda a humanidade, sobretudo aos pobres, abandonados e sofridas de nossas comunidades, cidades e metrópoles. Que no âmbito da sociedade, espaço onde os cristãos leigos atuam, haja garantias de organizações sociais concretas e eficientes para eliminar as injustiças, a corrupção, enfim, garantam o pão do corpo e o pão que gera a vida eterna.

Que o Espírito Santo ilumine todos para que essa 56a Assembleia Geral confirme o princípio da unidade, da caridade, da ternura e não nos deixemos desanimar pelos que tentam destruir a alegria de sermos irmãos e nos querermos bem.

Dom Frei Severino Clasen, ofm
Bispo Diocesano de Caçador
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o laicato.

 

Foto da Capa: CNBB Leste 1/Adielson Agrelos

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