“Pessoa de bem” é uma expressão horrível que legitima a violência, diz historiadora

Professora Valdete Daufenbach, apresentou a evolução da violência na história (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Professora Valdete Daufenbach, apresentou a evolução da violência na história (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Católicos e luteranos pensaram em atitudes frente as "Vidas ameaçadas", tema do seminário do Conselho de Igrejas para Reflexão

“Pessoa de bem é uma expressão ridícula e horrível”, avaliou a professora e historiadora Valdete Daufenbach Niehues, porque legitima a violência ao dividir as pessoas em dois grupos, em que um deles que “mereceria” morrer. A análise aconteceu em sua palestra no seminário “Vidas Ameaçadas”, do Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER), realizado em Lages, 26 e 27 de setembro.

Pensar que existam pessoas naturalmente propensas a violência não é correto. “Todos nós cometemos algum tipo violência, o mais interessante é isso. Apenas, pode ser que, não está no código que aquilo é crime” ou, eventualmente, o indivíduo sempre acha um jeitinho burlar a lei.

— A gente sabe que no cruzamento é preciso parar. Mas como eu não paro, se coloca lá uma placa, “pare”. Mas a placa ainda não é suficiente, tem que escrever no chão. Se há uma forma de burlar, acaba se burlando, daí acontece o acidente, mas estava tudo avisado —, exemplificou.

As Igrejas tem papel fundamental para a construção da paz e promover a justiça, mostrando preocupação não só com a alma mas também com as “vidas, com os direitos e com o corpo, que comporta a alma”.

Nem sempre religião esteve a frente desta pauta humanizadora. Como explicou a professora, na idade média as autoridades religiosas legitimaram o costume chamado “surra conjugal”, que permitia ao homem disciplinar a mulher quando julgassem necessário, assim como legitimaram a escravidão por não considerarem que negros e indígenas tivessem alma.

A professora da Associação Educacional Luterana Bom Jesus apontou que a noção do que é violência evolui com o tempo, se antes estas formas de violência eram consideradas normais hoje, hoje não são mais.

— Com certeza, no futuro, alguém irá nos analisar e dizer que éramos extremamente atrasados porque estamos cortando as árvores, acabando com os rios, e poluindo a água, tudo para manter o luxo de quem tem o poder de consumir, e muito, enquanto grande parte da população vive na miséria, — destacou Valdete.

O Estado não pode ser promotor da violência e da injustiça. Em sua opinião, os brasileiros estão vivendo em um “Estado de exceção, controlado por usurpadores”. A proposta do governo de “retirar direitos dos trabalhadores é muito violenta”, disse.

A forma de vencer a violência individual, social e estatal e defender a vida é pensar uma sociedade nova com outras bases, por isso, uma das “maiores violências é tirar das pessoas a capacidade de imaginação, da utopia e da esperança”. Além dos meios de comunicação, a escola também é uma ferramenta de conformação, ao determinar limites para a criatividade das crianças, que não podem, nem mesmo, desenhar árvores sem o chão, no exemplo citado por Valdete.

Em um trabalho de grupos, os representantes das Igrejas Católica e Evangélica de Confissão Luterana no Brasil apontaram algumas atitudes no âmbito eclesial para o enfrentamento da violência e defesa da vida, como a participação em conselhos de direitos e de políticas públicas, formação de fé e política, cultivar a sensibilidade entre membros das Igrejas, política eclesiástica de empoderamento de pessoas ordenadas.

Nova diretoria

Antes do seminário, a 50ª Assembleia do CIER, manteve o pastor sinodal Inácio Lemke a frente da organização pelo terceiro mandato consecutivo. Enquanto o bispo católico de Blumenau, dom Rafael Biernaski, assumiu a vice-presidência. Ocupava a função, o bispo emérito de Lages, dom João Oneres Marchiori.

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