Em defesa do meio ambiente, Igrejas e Movimentos Sociais articulam fórum dos estados do Sul

Mística lembra cuidado com a Terra. Delegados apresentaram compromisso de defender a vida ameaçada por interesses econômicos. (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Mística lembra cuidado com a Terra. Delegados apresentaram compromisso de defender a vida ameaçada por interesses econômicos. (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Pastorais Sociais da CNBB, Movimentos Sociais e Entidades da sociedade civil querem agroecologia e energia sustentável

Os 54 participantes do Seminário Regional Mudanças Climáticas e Justiça Social (PR, SC e RS), indicaram, em Criciúma, 04, que as entidades participantes estimulem outras a se integrarem na articulação de um Fórum Regional dos estados do Sul e em fóruns estaduais.

O secretário executivo do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), Ivo Poletto, revelou sua “alegria pessoal” pela decisão de “buscarem mais gente das Igrejas, da sociedade, dos setores populares”.

— Essa articulação não interfere nas autonomias. Ela se coloca para qualificar os diferentes tipos de iniciativas numa mesma perspectiva, a de enfrentar um gravíssimo problema através de alternativas —, pontuou.

Ele sugeriu que as entidades estaduais mantenham uma inter-relação regional permanente, ainda que virtualmente, e multipliquem articulações até o nível local.

Um dos objetivos desta rede é discutir, divulgar e apoiar a iniciativas alternativas, especialmente nas áreas de produção e uso de energia; de produção, intercâmbio e consumo de alimentos; de cuidado, conservação e uso de água e de transportes.

Poletto insistiu que a articulação fortalece a proposição de alternativas produção de alimentos e ajuda no enfrentamento de “formas produção de energia agressivíssimas”. “Isso nos dá mais moral, mais força e mais direito de brigar com aqueles que estão destruindo a natureza”, avaliou.

Pensar o futuro

Em trabalhos de grupo por estados, as entidades destacaram a questão energética e a agroecologia.

Em SC, os compromissos incluem um “agir local sustentável e o compartilhamento dessas experiências”, capacitar agricultores na agroecologia e fortalecer iniciativas socioambientais, baseadas na “memória ambiental” (relatos de eventos climáticos vividos).

Entidades paranaenses comprometeram-se, também, com a agricultura familiar, tanto na divulgação e no apoio entre os agricultores, como no fortalecimento da jornada agroecológica, a partir 27 de julho, na região metropolitana de Curitiba. Também estão propostos debates nas universidades, formação e diálogo com jornalistas e o envolvimento do poder público nas discussões. Preveem, ainda, uma plenária estadual para debater o modo de produção agrícola, barragens, mineração, comunidades de baixo carbono, entre outros temas.

Com ênfase no Fracking (um processo destrutivo usado para extrair gás da rocha de xisto), os gaúchos esperam promover debate amplo sobre as mudanças climáticas em um seminário a ser realizado da UFRGS, em 9 de setembro. Eles esperam incluir o assunto na escola de educação de fé e política, em Caxias.

Ato público

Em frente da catedral diocesana, no centro Criciúma, os participantes realizaram um ato público para divulgar essas pautas com cartazes, falas e a música de Pedro Munhoz.

O professor e doutor Carlyle Torres Bezerra de Menezes, da Unesc, apontou que a cidade não respeita a natureza, o rio Criciúma, no seu exemplo, corta está coberto pelas ruas e prédios.

— Precisamos acreditar que é possível reverter (a degradação ambiental) e que é possível construir uma sociedade que respeite a vida. Repensem seus hábitos e se organizem, porque não adianta pensar que só reciclagem, que só fechar a torneira em casa vai resolver. A mudança tem que ser de forma articulada e coletiva —, apontou.

Fabiana Gonçalves, assistente social voluntária da Cáritas Brasileira, afirmou o meio ambiente “não tem como lutar, ele apenas reage, nós é que temos que lutar. Porque nós só agredimos a natureza? É preciso que façamos a nossa parte e nos juntemos aos movimentos sociais”, disse.

Com um poema, Munhoz disse que “é preciso questionar quem pilota a economia”, que está nas eleições, no golpe em favor de Michel Temer, na degradação ambiental e até da vida íntima. “No amor dos namorados, mesmo depois de casados, lá está a economia”.

No encerramento do ato, os delegados gaúchos da Cáritas entregaram a imagem de Nossa Senhora Aparecida, aos delegados catarinenses. A imagem, que percorre o país, está com entidade desde abril, quando sua viagem pelo Brasil iniciou, na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida.

Além da Cáritas Brasileira dos estados do Sul, do Seminário Mudanças Climáticas e Justiça Social, entre 02 e 04, participaram outros organismos da Igreja Católica e da Igreja de Confissão Luterana no Brasil, pastorais sociais, MST, Unesc, Movimento dos Catadores, Centros de Referência em Direitos Humanos, a Unesc, entre outras organizações.

Este seminário regional, como outros seis que acontecerão este ano no país, foi promovido pelo FMCJS, que articula Pastorais Sociais da CNBB, Movimentos Sociais e Entidades da sociedade civil, com o objetivo disseminar informações, gerar consciência crítica e mobilizações da cidadania visando contribuir no enfrentamento das causas estruturais do Aquecimento Global que provoca Mudanças Climáticas em todo o planeta Terra, entre outros objetivos.

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