Desastres ambientais tendem a aumentar na Região Sul do país, diz pesquisador

Memória coletiva pode ajudar comunidades a se prepararem para mudanças climáticas

“E fez o criador a Natureza, fez os campos e florestas, fez os bichos, fez o mar, fez por fim, então, a rebeldia que nos dá a garantia, que nos leva a lutar, pela Terra”, cantou Pedro Munhoz no final da primeira noite do Seminário Regional do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social com representantes de entidades do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em Criciúma, 2. Os versos da “Canção da Terra” se mostram urgentes diante das previsões dos cientistas ao redor do mundo.

Um deles, o professor Francisco Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pesquisador na Antártica, afirmou que, se os modelos climáticos estiverem corretos, em 10 anos a temperatura da terra pode subir dois graus em média. “Em ciência não temos certeza de nada, mas, temos 99% de confiança de que o aquecimento global é governado por atividades humanas”, explicou.

Não existem registros na natureza que expliquem essa escala de tempo muito curta e muito rápida se comparada com o passado da terra, explicou Aquino. “Essa tendência de aquecimento global deve perdurar por mais algumas décadas”, disse.

Seriam necessários de 50 até 80 anos para que a poluição atual deixasse de atuar na atmosfera.

Para ele, a redução do uso do automóvel, principal responsável pela poluição atmosférica nas cidades, combinado a melhoria tecnológica dos motores e o uso de transportes de massa, a redução do consumo e o tratamento adequado do lixo são iniciativas úteis para redução do aquecimento global.

As mudanças climáticas deverão provocar eventos climáticos severos no Sul, nos próximos 30 anos. “O clima será mais seco em alguns momentos, excepcionalmente úmido noutros, tempestuoso, com estiagens, terá ondas de frio e ondas de calor”, antecipou.

Alguns exemplos já foram sentidos na região, como no caso Furacão Catarina, no litoral de SC, testemunhado pelo então estudante Alfredo Ricardo Silva Lopes, hoje professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. A experiência o levou a estudar a memória dos desastres ambientais. “A memória compartilhada ajuda as pessoas a compreenderem os desastres que aconteceram e ajudam-nas a ficarem mais preparadas para os próximos”, explicou Lopes.

O segundo ele, as pessoas não são preparadas nem pelo governo e nem por elas mesmas para lidar com desastres porque a tendência é que se queira esquecer deles. “A memória dos desastres faz o movimento contrário, pois se os desastres forem esquecidos, quem acaba sendo prejudicado somos nós”.

Um exemplo de lembrança coletiva acontece Tubarão, desde 2008. Crianças levam 199 rosas até o rio que corta a cidade em homenagem às vítimas fatais da enchente de 1974, a maior da cidade.

Quais memórias e como lembrá-las depende das escolhas da comunidade e só serão úteis “se a gente conseguir usar a memória para tomar decisões coletivamente, no sentido de transformar a realidade”, explicou.

Testemunhos

O Bombeiro Militar Sebastião Antônio Souza, que atuou no Furacão Catarina, explicou que a prioridade foi a liberação das estradas para o acesso ao hospital local.

Depois do furacão os bombeiros criaram força-tarefa formada por dois bombeiros de cada unidade. Com habilidades e recursos específicos, como resgate por barco, poderão responder de maneira mais eficaz em situação semelhante ao Catarina.

João Francisco, representante da comunidade do Morro do Baú, de ilhota, que sofreu com deslizamentos de terra em 2008, contou que 2700 pessoas foram atingidas, das quais 34 morreram.

O sentimento de desespero no rosto das pessoas ainda persiste em muitos casos, devido aos traumas, mas, a comunidade voltou à normalidade. “Há pessoas que desistiram e se mudaram e outras que se instalaram novamente estão trabalhando normalmente, há pessoas que não tinham casa na época ganharam uma para viver”, contou.

O Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social articula Pastorais Sociais da CNBB, Movimentos Sociais e Entidades da sociedade civil. Tem como objetivo disseminar informações, gerar consciência crítica e mobilizações da cidadania visando contribuir no enfrentamento das causas estruturais do Aquecimento Global que provoca Mudanças Climáticas em todo o planeta Terra.

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