Pastoral da Saúde capacita agentes para ações solidárias, comunitárias e políticas

A psicóloga Fernanda Winter (centro) pede que pastoral dê atenção a problemática do suicídio. (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
A psicóloga Fernanda Winter (centro) pede que pastoral dê atenção a problemática do suicídio. (Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Pastoral alertou para a importância do diálogo com os enfermos , articulação com a Igreja e a defesa do Sistema Único de Saúde

Do cuidado com o enfermo até a luta por políticas públicas: a Pastoral da Saúde (PS) em Santa Catarina apresentou sua metodologia de trabalho para 40 agentes locais em uma capacitação realizada em Lages, 03 e 04.

A coordenadora diocesana da PS em Volta Redonda, RJ, Clemilde da Costa Dalbone, ressaltou que a motivação do trabalho é o amor por Jesus Cristo e pela missão. “Se eu não tivesse amor que que faço adiantaria estar falando para vocês? Não adiantaria”, garantiu.

Dalbone citou os valores da pastoral, como humildade, ética, respeito trabalho em equipe e equilíbrio. Explicou que “o agente tem de ser equilibrado. Não dá para ouvir os problemas do enfermo e fazer comentários que piorem a situação. É preciso que o agente se coloque no lugar do outro”.

Ela analisou que a PS é uma pastoral muito respeitada por sua organização e pelo vínculo com a estrutura da Igreja. “Todos os nossos agentes têm como base a comunidade. Não é um ‘oba-oba’, é mão na massa”, disse. Recomendou que os agentes sempre utilizem a camiseta e e um crachá padronizado quando em serviço. As camisetas da pastoral não devem ser usadas não agentes para “não banalizar a marca”.

O padre André Luiz Giombelli, referencial para a PS diocesana de Caçador, apontou que o diálogo é uma parte muito importante no processo de cura, numa visita pastoral. “A relação de ajuda acontece quando dialogamos e escutamos”, disse.

Neste diálogo é essencial que o agente não imponha nada ao enfermo ou à família, nem mesmo os sacramentos da eucaristia, confissão e unção. “Você vai ficar bom”, “isso não é nada”, “amanhã você irá para casa”, não expressões a serem evitadas.

— Algumas palavras e frases que usamos, muitas vezes sem medir consequências, trazem mais sofrimento do que consolação. Servem, na verdade, para o consolo daqueles que estão falando —, disse Giombelli.

O padre comparou a espiritualidade do agente da pastoral com a parábola do bom samaritano. ”Se por um lado a parábola nos lembra a condição de fragilidade humana, por outro indica a importância do cuidado e da proximidade sanadora”, analisou.

A assistente social Jamile Araújo Yared, de Lages, acentuou que agentes de pastoral mais qualificados ajudam os conselhos de saúde a melhor exercerem seu papel fiscalizador e garantidor de direitos para toda a população.

— Os conselhos são espaços de poder e de disputa, cada vez mais a sociedade, os usuários, tem que estar preparados para não se submeterem a imposições do governo. Quanto mais informação e formação, mais poder para tomar posição e argumentar e também para trazer da comunidade as discussões que devem ser feitas —, ponderou.

Os conselhos de políticas públicas têm a função de fiscalizar e controlar a coisa pública, como qualidade dos serviços prestados, o orçamento e o financiamento das políticas públicas. “Esperamos que todos representantes da sociedade civil, nos seus espaços, exerçam de maneira articulada o seu papel de gestão junto com o poder público”, apontou. Quando os representantes não têm muito conhecimento sobre o assunto, o Governo pode aproveitar-se disto para impor sua vontade.

Para a Agência Sul 4, a agente de pastoral, Flávia Chies Carelli, atuante há 12 anos no conselheira municipal de saúde de Videira, no Meio Oeste, assegurou que o conhecimento melhora a relação com o Poder Público. “Quando aparece alguma coisa polêmica para ser votada, sobre a qual não estou decidida, chego em casa e busco informação, porque sei que a responsabilidade é grande”.

Carelli explicou que, com a fiscalização qualificada dos conselheiros, a prefeitura precisa ficar mais atenta. “Se no plano de gestão há algumas coisas que a gente não quer, não aprovamos. Porque está se formando uma consciência maior dessa responsabilidade de defender realmente o usuário”.

Saiba mais

A Pastoral da Saúde atua com base em três ações distintas e indissociáveis:

DIMENSÃO SOLIDÁRIA: é vivência e presença samaritana junto aos doentes e sofredores em instituições de saúde, nos domicílios ou nas mais variadas realidades não hospitalares.

DIMENSÃO COMUNITÁRIA: Implementa ações de prevenção e de promoção em saúde, ou seja, educação em saúde. Procura valorizar o conhecimento, a sabedoria e a religiosidade populares

DIMENSÃO POLÍTICO – INSTITUCIONAL: Incentiva a participação efetiva do agente de pastoral no Controle Social em relação às políticas públicas de saúde e sua relação com outros órgãos, como o Ministério Público. Trabalha o conceito de Humanização em Saúde nos serviços de saúde e nas instituições de ensino em saúde.

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