Na Assembleia Legislativa de SC, cristãos exigem acesso universal saneamento básico

Galerias cheias pelos Cristãos de Igrejas Cristãs, dioceses e organizações católicas (Foto: Solon Soares/Agência AL)
Galerias cheias pelos membros de Igrejas Cristãs, dioceses e organizações católicas (Foto: Solon Soares/Agência AL)
Alesc realizou Sessão Especial alusiva à Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 na terça-feira, 23

Dom João Francisco Salm, presidente do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e bispo de Tubarão, apelou aos deputados para que ajudassem “no âmbito de suas competências a tornar o saneamento básico uma realidade”.

Ele lembrou que justiça social requer justiça ambiental, mas evidenciou a distância existente para este ideal. A falta de saneamento “é o clamor das três milhões e quinhentas mil pessoas que morrem no mundo, todos os anos, por falta de água potável, de saneamento e de condições de higiene, de acordo com a ONU”.

Há, segundo o bispo, 100 milhões de brasileiros sem coleta de esgoto; 400 mil brasileiros, a metade crianças de até 5 anos, internados por ano, com diarreia, por falta de saneamento básico. Prejuízo também na escola, alunos que vivem em área de saneamento apresentam diferença de 18% no aproveitamento escolar em relação aos que vivem em áreas saneadas.

— O acesso ao saneamento promove a inclusão social e a garantia dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos e dos inibidores de doenças, como cólera, febre amarela, chikungunya, dengue, diarreia e Zika —, lembrou dom Salm.

Ele destacou que o saneamento básico deve ser uma ação de combate à miséria, “buscando a preservação do meio ambiente e a manutenção da saúde pública em níveis adequados”.

O arcebispo de Florianópolis, dom Wilson Tadeu Jönck, pediu que os valores do evangelho possam ajudar a guiar as pessoas na construção de uma cidade boa para se morar.

— É na Sagrada Escritura que buscamos a motivação que nos leva a querer uma cidade melhor, a colaborar para que, de fato, haja água de qualidade para todos, para que a questão do lixo seja solucionada de maneira adequada, para que o esgoto receba tratamento adequado —, apontou.

Representando o Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER), o pastor sinodal Inácio Lemke, pontuou que as Igrejas Cristãs defendem acesso ao saneamento básico destinado a inclusão social e garantia de qualidade de vida. “O Estado deve redobrar o financiamento e a gestão dos serviços deve ser pública”.

Solução depende de todos

Daniel José da Silva, professor aposentado da UFSC, pós-doutorado em gestão social da água Université du Québec à Montréal, explicou que “o governo não tem a titularidade da água, ele é apenas o guardião. A titularidade é do cidadão”. Para ele, os cidadãos devem assumir a sua responsabilidade pela água, através de mesas redondas permanentes, porque a resposta para o problema não será dada pelos governos.

— Olha a quantidade de lideranças que temos nessa mesa, sejam políticas, sejam religiosas. Isto não deveria ficar apenas em um dia no ano. Deveria ser permanente. Na medida que essas lideranças convidam as universidades e os sindicatos, eles se farão presentes. Não tem como você se negar participar de um esforço dessa natureza —, sugeriu.

O professor revelou seu “alento muito grande” pelas palavras do papa Francisco na encíclica Laudato si’, que considerou “um marco na produção de boas novas”. Para ele, o papa foi “muito feliz ao dizer que nós precisamos de uma cultura do cuidado”.

A presidente da Federação Catarinense de Municípios e prefeita de São Cristóvão do Sul, Sisi Blind lamentou que “conseguimos chegar na Lua, mas não conseguimos cuidar da nossa casa comum” porque “nós pensamos como solução passar para os outros a responsabilidade”.

Autor da indicação da Sessão Especial, o deputado estadual padre Pedro Baldissera (PT) ponderou que o conceito da “casa comum nos coloca dentro do mesmo lar”.

— Quando colocamos o lixo dentro de uma lixeira ele é retirado do lugar onde estamos, mas não de nossa casa comum, ele continuará nela. Toda água utilizada escorre pelos canos e sai de onde estamos, mas não sai de nossa casa comum. Não é possível “jogar fora” —, comentou o deputado.

Com uma placa, a Assembleia Legislativa homenageou as igrejas Católica Apostólica Romana, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia, Presbiteriana Unida, entre outras entidades.

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