CEBs e Grupos de Família e Reflexão de SC analisam realidade no campo

Reforma AgrDe acordo com Irma Brunetto, do MST, agricultura local melhora qualidade de vida para todos (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4) ária também é uma necessidade do povo da cidade, de acordo com Irma Brunetto, do MST, pois agricultura local melhora qualidade de vida para todos (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
De acordo com Irma Brunetto, do MST, agricultura local melhora qualidade de vida para todos (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4)
Agricultores devem resistir a modelo agrícola que impõe agrotóxicos e sementes transgênicas, disse Irma Poletto, do MST.

Aos participantes da reunião Ampliada das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e dos Grupos de Reflexão e de Família) Regional Sul 4 (Santa Catarina) a coordenadora nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Irma Brunetto, apontou que o uso de sementes transgênicas associadas aos agrotóxicos, dos quais o Brasil é o maior consumidor mundial, deve ser combatido por toda a sociedade.

— Um saco de sementes transgênicas custa mais de 500 reais. Como ficaremos quando não houver mais nossas próprias sementes? — questionou Brunetto.

Ela alertou que os fabricantes de transgênicos tem tido vitórias importantes no parlamento. Na mais recente, os deputados aprovaram a “retirada do ‘tezinho’ das embalagens, que indicava a presença de substâncias transgênicas”. A coordenadora dos Sem Terra indicou como necessária resistência similar a do México, onde a “população está conseguindo barrar o milho geneticamente modificado”.

A saúde pública também está ameaçada pelo uso indiscriminado de veneno nas lavouras. “Até quando vamos suportar tantos casos de câncer?”, questionou.

Outro item do “pacote do agronegócio” é a devastação das florestas. “Na lei, era 20%, agora eles podem destruir até metade da floresta Amazônica”.

— No Mato Grosso é possível se percorrer mais de trinta quilômetros de terra sem que se veja uma única árvore —, ilustrou a militante.

Em sua avaliação, essa produção está relacionada mais aos interesses financeiros que a alimentação dos seres humanos. “Eles só produzem milho, celulose, soja, cana e carne”. A entrada do capital financeiro na agricultura agravou os problemas causados pelo latifúndio e a monocultura praticadas desde a revolução verde, nos anos 1960. “Transformaram alimentos em commodities para serem negociados na bolsa de valores. Os preços não são definidos aqui, são definidos em Chicago”, explicou.

Modelo predatório

Com intenção de melhorar a balança comercial o governo liberou a compra de terras por estrangeiros. O que aumenta a concentração e a especulação. “A terra deve ser para quem trabalha, mas hoje é um produto como outro qualquer. É justo que um o proprietário tenha um milhão de hectares?”.

Para Poletto, a reversão do quadro consiste na reforma agrária e na produção fora da lógica do agronegócio.

— Este modelo hegemônico torna o Brasil um país agroexportador, como foi até os anos 1930. A reforma agrária incentiva a economia local dos municípios. Como aconteceu em Abelardo Luz (vizinha de Chapecó) —, comparou. Segundo ela, com os assentamentos o comércio e arrecadação de impostos aumentaram muito.

No entanto, o MST quer uma mudança no modelo de reforma agrária. “Não basta apenas entregar a terra para o trabalhador”, pontuou. É preciso crédito, escola e agroindústria para garantir a produção.

Poletto destacou ainda que os movimentos do campo são “fruto da Igreja” pela formação oferecida nos anos 1970 a 80.

— Foi um trabalho fabuloso. Vocês não imaginam como foi para nós descobrirmos porque éramos pobres —, lembrou.

Na Ampliada das CEBs e GRF, entre os dias 19 e 21, cinquenta delegados das dioceses catarinenses, exceto Joaçaba, discutiram outros pontos, como os desafios no mundo da cidade, o contexto local de Chapecó e encaminharam a preparação para o encontro estadual que acontecerá na cidade, em maio, que tratará sobre o Mundo Urbano.

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