Indígenas em Imbituba e Chapecó pedem justiça pela morte de menino de dois anos

Em Chapecó, indígenas pediram respeito a sua forma de subsistência (Foto: Daiane Servo/Diocese de Chapecó)
Em Chapecó, indígenas pediram respeito a sua forma de subsistência (Foto: Daiane Servo/Diocese de Chapecó)
Segundo o delegado regional de Laguna, José David Machado, o suspeito de 23 anos preso pode ter cometido o crime por vingança

Em duas manifestações simultâneas, em Chapecó e Imbituba, dia 4, indígenas dos povos Guarani e Kaingang pediram justiça pelo assassinato do menino Kaingang Vitor Pinto, de dois anos. O crime aconteceu por volta das 12h, há uma semana, em frente à rodoviária de Imbituba. Ele viajava desde o oeste com a família, que venderia artesanato na cidade.

O protesto no sul reuniu cerca de 100 pessoas no mesmo horário e local do crime. Fitas vermelhas, em memória do sangue de Vitor, foram distribuídas para os presentes. De mãos dadas, os manifestantes fizeram uma oração e cantaram músicas de protesto. Depois seguiram para a Delegacia de Polícia.

Moradores da cidade, indígenas Guarani, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e o Secretário Executivo do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Luciano dos Santos, pediram mais respostas dos policiais.

No oeste, líderes indígenas destacaram a importância do artesanato para o sustento das famílias indígenas e na preservação da sua cultura. No ato, indígenas e não-indígenas marcharam pela cidade. Na frente da Catedral, foram feitas apresentações culturais.

O bispo de Chapecó, dom Odelir José Magri, declarou em nota que “este trágico assassinato do menino Vitor, […] não é um caso isolado e nem pontual, mas, sim, fruto de intolerância e preconceito. Sentimentos alimentados pela grande mídia, pelos interesses específicos de grupos econômicos e políticos e também pela falta de estrutura social em acolher e compreender a diversidade cultural de nossos povos”.

O CIMI Regional Sul (que inclui Santa Catarina) manifestou sua indignação em nota, divulgada no dia 31, na qual explicou que “as rodoviárias são espaços frequentemente escolhidos pelos Kaingang para descansar, quando estes se deslocam das aldeias para buscar locais de comercialização de seus produtos”.

O organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil exigiu que o crime fosse efetivamente investigado e que “não se cometam erros ao tentar dar uma resposta imediata à sociedade”.

A vice-cacique da Aldeia Kondá (em Chapecó) e tia do menino, Márcia Rodrigues declarou à imprensa que a comunidade espera que em 2016 haja mais respeito com os indígenas. “Nós estamos com receio de sair para o litoral, principalmente com crianças”, revelou.

Entenda o Caso

Vitor estava sendo amamentado pela mãe, Sônia Silva, em frente à rodoviária de Imbituba, dia 30, quando um homem se aproximou e cortou o pescoço dele com uma faca. A criança morreu na hora. O homem fugiu.

No mesmo dia um suspeito havia sido detido, mas foi liberado na mesma noite por não ter relação com o crime, segundo a Polícia Civil.

Em outra rodoviária de Imbituda, um homem foi preso na noite de quinta (31). Ele era compatível com a descrição física, roupas e mochila do dia do crime. A prisão foi feita com base na comparação com as imagens das câmeras de segurança da rodoviária.

O corpo do menino indígena tem enterro previsto para as 15h desta sexta, no cemitério do povo Kaingang, no interior de Chapecó.

Da Redação
com, Vinícius de Carvalho (Imbituba) e Daiane Servo (Chapecó)

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