Seminário estadual prepara campanha da fraternidade de 2016, em SC

Cristãos defendem que saneamento básico chegue a todas as pessoas (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
Cristãos defendem que saneamento básico chegue a todas as pessoas (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (cf. Amós 5, 24) é o tema da nova campanha ecumênica

Apenas 16% da população de SC é atendida por tratamento de esgoto, alertou, a professora Viviane Trevisan, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), no seminário estadual sobre Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016, em Lages. A campanha terá como tema “Casa comum, nossa responsabilidade”, como foco no saneamento básico.

Trevisan, que é doutora em recursos hídricos e saneamento ambiental, criticou a negligência “muito grave” do poder público em relação a instalação de redes coletoras de esgoto.

— O que está em abaixo da terra não se vê, então essa parte é deixada de lado por quem deveria cuidar, e a população é quem sofre —, avaliou. São Ludgero e Orleans, no sul do estado, são dois raros exemplos em que tem 100% do esgoto tratado.

A falta de saneamento atinge principalmente os rios e a saúde. “Isso onera também o serviço de saúde das cidades”, porque as pessoas são afetadas por diarreia e doenças de pele.

Na coleta de lixo, a situação é um “pouco melhor”, porque a maioria das cidades faz 100% da coleta de resíduos sólidos na zona urbana. “O problema ainda está na zona rural onde, muitas vezes, não há coleta e aí as pessoas acabam jogando seus resíduos na natureza”. O cuidado com o lixo deve ser permanente porque não é possível “jogá-lo fora”, pois “não existe lá fora”.

A falta de saneamento impacta até mesmo na educação, como afirmou a engenheira sanitarista e ambiental Andréia May, da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan). “Crianças que vivem em áreas sem saneamento aprendem 18% menos que crianças que vivem em áreas saneadas”.

Segundo ela, 65% das internações hospitalares de crianças com menos de 10 anos estão relacionadas aos males provados pela ausência de saneamento, que aumenta em 22% a chance de morte, até 6 anos. A falta de tratamento de esgoto também é responsável pelo acréscimo de 11% das faltas ao trabalho.

A engenheira indicou que 97% das residências urbanas em SC são cobertas por rede de água potável e 78% dos resíduos sólidos são destinados a aterros sanitários.

Thobias Lemke, engenheiro sanitarista na Secretaria de Saneamento Ambiental de Garuva, indicou os Conselhos Municipais de Saneamento Básico como opção para a busca de melhorias na área. No entanto, eles não são obrigatórios e são criados apenas depois que o Plano Municipal de Saneamento Básico é elaborado. O prazo legal para a elaboração dos planos vai até 2021 em municípios até 50 mil habitantes.

Na “Casa comum”

O professor Renatus Porath, da Faculdade Católica de Santa Catarina (Facasc), avaliou que é preciso “estabelecer uma relação de confiança e de gratidão com autor dessa incrível multiplicidade e admirável complexidade de formas de vida e de ser”. Mais do que preservar natureza para usá-la, é preciso reverenciar a obra de Deus.

— A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 vai permitir até ações intereclesiais para fortalecer a esperança e a certeza de que Deus não largou a sua casa à própria sorte, mas continua seu morador mais ativo —, considerou Porath, que também é pastor luterano

A respeito do tema da CFE, ponderou que o “nos acostumamos a afunilar o significado de direito e justiça ao âmbito do direito, mas Amós nos ensina que é mais. São todas as estruturas que promove defesa da vida.”

Representantes das Igrejas Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Evangélica Luterana do Brasil e Episcopal Anglicana do Brasil, indicaram ações em comum para fortalecer a CFE, como a realização de seminários e oficinas locais e mobilização os núcleos ecumênicos para planejarem ações relativas ao tema. Outra providência deverá ser utilização os meios de comunicação e publicações das Igrejas para motivar a reflexão o saneamento básico e meio ambiente.

O Seminário Estadual da Campanha da Fraternidade foi realizado pela Coordenação de Campanhas do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em parceria com Conselho de Igrejas para a Estudo e Reflexão, nos dias 07, 08 e 09 de novembro.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica acontece a cada cinco anos, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Em 2010, a CFE teve como tema e e lema, respectivamente, “Economia e vida” e “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6,24).

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