“Nada é mais novo e nada é mais belo do que a vivência da castidade”, diz professor de bioética

Padre Rafael Durán, no Congresso da pastoral Familiar em Joaçaba, lamentou que Cristo não seja mais o centro da vida (Foto: Angelo Junior Radavelli)
Padre Rafael Durán, no Congresso da pastoral Familiar em Joaçaba, lamentou que Cristo não seja mais o centro da vida (Foto: Angelo Junior Radavelli)
Padre Durán, pediu que pais valorizem a vida como dom divino e não terceirizem a educação sexual dos adolescentes

O padre Colombiano José Rafael Solano Durán, professor de bioética Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina, apresentou três desafios da família no campo da vida, no 8º Congresso Regional da Pastoral Familiar, em Joaçaba, 24. Para ele, Pastoral Familiar tem o desafio de tornar cristocêntrica, ecológica e menos conjugal.

— Se Cristo não entra no nosso campo evangelizador a nossa evangelização se torna sem vida, e por isso talvez, quando falamos, ninguém nos ouve —, especulou. Segundo ele, apesar de 70% de seus alunos na PUC-PR “virem de famílias católicas, não conhecem Cristo”, sem o qual não é possível se falar de vida.

O conceito e a definição de vida não está claro no mundo atual. “Nós estamos numa sociedade indefinida. E o problema maior dentro da Igreja, é que nossas formações caem num campo vazio de definições. Quando eu falo ‘vida’ cada um começa a pensar na vida desde diferentes tópicos”. E na minha família também acontece o mesmo”. Conceitos como prazer e beleza passaram a se confundir com a vida.

— Prazer, bom, rápido e instantâneo. Se a internet demorar três segundos, é uma internet ruim. Tem que acessar já. Então, o prazer foi substituído pelo conceito de alegria —, exemplificou. Viver em função do prazer, nos torna “homens e mulheres entristecidos”, longe do conceito de alegria.

O conceito de beleza de hoje traz consigo a problemática do corpo. “A corporeidade hoje está sendo aniquilada, gordos como eu, não somos aceitos muito bem na sociedade do século XXI, o modelo de homem chama-se Reynaldo Gianecchini”.

— Ano passado, uma menina suicidou-se jogando-se do último andar de um prédio de Londrina. Deixou uma nota bem forte e agressiva: “a vida para mim não vale mais nada, sou gorda demais.” O peso da menina, 40 quilos. Menina de classe A, formada na escola católica, estudante do curso de administração, pai e mãe estruturados. Família estrutura. Não era uma família qualquer” —, contou.

Padre Durán afirmou que, um “problema seríssimo” é que “nós supomos que todos sabem que a vida é dom divino”.

— Não adianta que vocês falem de métodos naturais (de planejamento familiar), de crises conjugais, de instituições familiar sem antes de falar: “o que pensam vocês sobre a vida humana?”, “você acredita que a vida é um dom de Deus?” —, asseverou, antes de afirmar “que sem considerar a vida como um dom, a pastoral perde sua linguagem, e por isso ninguém acredita em nós”.

A pastoral “precisa ser sensível às necessidades reais e concretas”. Sem o “sensível” a família fica sem a vida. “Por isso não existe coisa mais linda que uma experiência sensível em casa”, analisou.

— Não me sensibiliza outra coisa, a não ser o cheiro da Paella que minha mãe prepara para mim. Isso me mata, a Paella da minha mãe é horrorosa. O arroz fica pesado. Faz 45 anos e nove meses que eu experimento essa honrosa Paella da minha mãe. Mas é a Paella da minha mãe e ninguém cozinha como ela. Jamais. Pode me levar no melhor restaurante. Nele tudo está na razão do chef de cozinha. Na cozinha da minha mãe está alguém que me deu a vida —, filosofou.

A antropologia cristã deve ser resgatada, segundo o padre, para mostrar que “não estamos falando bobagem”, em relação a, por exemplo, a sexualidade. “É um terror na Igreja falar de sexualidade. Por que? A sexualidade penetra todo o meu ser. Eu ou um homem sexuado. Não me fizeram um assexuado”.

— Ao falar em sexualidade, todos afirmam, que a sexualidade da Igreja é retrógrada. A sexualidade da Igreja é velha. É mentira. Nada é mais novo e nada é mais belo do que a vivência da castidade —, garantiu.

Para ele, a castidade possuiu três das mais belas promessas do dia do casamento. A exclusividade, “eu sou teu e tu és minha”. A fidelidade, “mesmo que eu veja a bunda mais bonita na rua, a tua bunda é a melhor, do que todas as bundas”. A santificação, “com essa vivência, muitos casais se santificam”.

Com a perda do encanto pela vida, a família aceita a “cultura contraceptiva”, como “a senhora camisinha, a senhora pílula do dia seguinte, a senhora vasectomia, a senhora ligadura de trompas”, “que entram pela porta da frente”.

— Nós não damos 0,3% de crédito ao Método (da Ovulação) Billings, que é tão natural quanto a natureza, que dignifica tanto a relação sexual, quanto a vida. E que ajuda na fecundidade.

Meio ambiente

O professor de bioética, apontou como segundo desafio o ecossistema, de acordo com o texto da encíclica “Laudato Si”, publicada pelo do papa Francisco em 2015.

— Não é uma eclesiologia, não é uma antropologia, não é uma teologia só para os cristãos. É para o universo. É uma encíclica que deixa você, talvez como deixou a mim, verdadeiramente assustado —, avaliou.

A Terra é responsabilidade de todos que deve ser cuidada ou “simplesmente perdemos a Terra”. Citando o papa, disse que os “recursos da terra se tornaram concurso”, o desafio impõe que os recursos sejam viabilizados para todos. “A mentalidade ecológica é fundamental para anunciar a vida”, acrescentou.

— Estamos perdendo a Terra e este desafio traz para nós, talvez, uma reformulação da Pastoral Familiar unida às propostas sociais de restabelecer o meio ambiente —, apontou.

Mais família

Padre Durán sugeriu que a Pastoral Familiar seja mais familiar e menos conjugal, ao revelar sua preocupação com os grupos onde os filhos não podem participar.

Também apontou o modelo chileno de catequese familiar com o ideal. Nele, quem recebe a catequese são os pais, que preparam filhos em casa.

— Me preocupa, como já foi dito aqui, que a Pastoral Familiar não se preocupe com todas as outras pastorais. E essa renovação vai nos levar talvez ao maior de todos os passos que nós daríamos, uma experiência familiarmente catequizada e evangelizada —, ponderou ao citar o Documento Aparecida, “a evangelização não é intelectiva, a evangelização é afetiva”.

A família é essencial nisto, “porque se aprende a amar em casa”, onde também se aprende a perdoar e a conviver. “Em casa eu tenho meu apelido, ali eu sou reconhecido, ali eu não preciso de sobrenome”.

— Deixe um pouquinho essa abertura para uma Pastoral Familiar cada vez mais familiar e menos incisivamente conjugal.

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