Dez mil relembram centenário da Guerra do Contestado na Romaria da Terra em SC

Pela primeira vez, regionais do "Sulão" da CNBB realizaram romaria unificada (Foto: Daiane Servo)
Pela primeira vez, regionais do "Sulão" da CNBB realizaram romaria unificada (Foto: Daiane Servo)
Evento recordou a luta dos camponeses e reafirmou o compromisso da Igreja com a vida e a paz na atualidade

Cerca de 10 mil romeiros dos Estados do Sul e São Paulo participaram da Romaria do Centenário do Contestado, em Timbó Grande, SC, no dia 14 de setembro. O evento relembrou a Guerra do Contestado (1912-1916) e a dívida social que ainda persiste na região do meio-oeste catarinense.

O bispo de Caçador, dom Severino Clasen, destacou que “é preciso dedicação nas pastorais, movimentos eclesiais e sociais; e também, olhar juntos, com fé e esperança, para o povo que sofre, construindo assim um mundo melhor e mais justo.”

Dom João Salm, bispo de Tubarão e Presidente do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), analisou que na romaria é um momento da tomada de consciência. “As lutas fazem parte da história da humanidade; lutas por oportunidades, por aquilo que não concordamos e que não está de acordo com o evangelho. É uma forma de proclamar em voz alta que não nos conformamos com aquilo que não nos dignifica”, pontuou.

Para o romeiro Paulo Klein, de São Domingos, SC, a mística foi muito boa porque resgatou “um pouco do que foi a guerra do contestado, bem como o messianismo dos monges, a fé, a esperança e a resistência desse povo que foi dizimado”.

A peregrinação é  coordenada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Regional Sul 4 da CNBB.  Neste ano, a Romaria foi assumida pelos regionais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e, também, São Paulo. Seu tema foi “Romaria do Centenário do Contestado” com o lema “Redutos de resistência, esperança e encantamento da vida”.

Guerra do Contestado

Timbó Grande foi o último reduto de resistência dos caboclos, em 1916, na guerra que abrangeu uma região que equivale hoje a aproximadamente 1/3 do território catarinense. Além de parte do sul e sudoeste do Paraná, a Região do Contestado abrange, em Santa Catarina, o meio oeste, o planalto norte e a região serrana. Calcula-se, 50 mil pessoas habitavam a região no início do conflito, dos quais, cerca de 8 mil foram mortos.

Os caboclos lutaram para manter suas terras, cedidas pelo Governo Federal a multinacional responsável pela construção da estrada de ferro que ligaria São Paulo ao Rio Grande do Sul. Simultaneamente, Santa Catarina e Paraná disputaram o domínio da região, cujos limites atuais foram definidas em 1916, daí termo “Contestado”.

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