Regional Sul 4 estabelece cooperação para bolsas de estudos para angolanos

O ex-seminarista Adulcio Amilcar busca espaço de convívio para que jovens aprendam sobre a organização pastoral na Igreja do Brasil
Iniciativas em Angola visam inclusão social e fortalecimento das comunidades da igreja (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
Iniciativas em Angola visam inclusão social e fortalecimento das comunidades da igreja (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
O empreendedor social angolano Adulcio Amilcar Manuel Ferraz, reuniu-se com o presidente no Regional Sul 4 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Wilson Jönck, em busca de cooperação formação acadêmica o e vivência pastoral em comunidades eclesiais de base para jovens de Angola.

Dom Wilson ofereceu seis bolsas em graduação no curso de teologia na Facasc (Faculdade Católica de Santa Catarina) e outras seis bolsas em filosofia, no seminário regional, se o estudo da viabilidade for positivo.

Ferraz também encontrou as pastorais sociais do regional, para discutir o acolhimento dos possíveis bolsistas em experiências pastorais numa igreja que ele considerar “vibrante”, por sua diversidade pastoral e compromisso social.

— A bolsa leva a pessoa para o exterior. Aí ele não aprende só que dois mais dois é quatro, ele aprende que é possível ser livre. Ele aprende que ser católico é lutar pela liberdade. Ele vai aprender muitas coisas com o vosso convívio. Valores que a ditadura angolana teme — analisou.

Ele próprio passou pela experiência quando veio ao Brasil ainda como seminarista, em Ribeirão Preto (SP), onde encontrou uma organização eclesial diferente da que conhecia.

— Quando cheguei ao Brasil me deparei com uma Igreja muito mais dinâmica daquela em que eu estava. Aí mudou minha vida, mudou de fato, a forma de ver o que é ser cristão — contou.

A expectativa é que ele leve à Angola mais de duzentas bolsas em graduação e com isso, crie uma rede de profissionais cristãos capazes de mobilizar as comunidades e apoiar ações humanitárias e eclesiais.

— A condição de cristão não nos permite a nos contentarmos com a miséria, nos calarmos e cooperar com a ditadura. Isso é o maior desafio: fazer o presidente e seus aliados verem que aquele grupo é apenas cristão e eles não tem outra saída que não lutar pelo respeito e a justiça para os pobres —, explicou Ferraz.

Ao lado da graduação de jovens, Ferraz espera arrecadar 10 milhões de dólares em inscrições para que sua associação consiga financiar experiências de economia solidária, em especial na agricultura, e fortalecer a rede de advogados e jornalistas católicos, que apoiem as ações sociais em vista da geração de renda e direitos humanos.

Segundo ele, atualmente, a única rádio católica tem o trabalho dificultado pela cooptação ou ameaças que o governo nacional exerce sobre os profissionais. Além disso, o país carece de advogados que são pressionados pelo governo a não entrarem com ações contra autoridades.

A sobrevivência é outra razão para a cooperação. Com o apoio e visibilidade no Brasil e a ampliação das lideranças e dos grupos apoiados, esperam reduzir o risco de morte. Quatro dos setes líderes do grupo já foram mortos.

— Na cabeça de muitos governantes angolanos nós temos que ser abatidos, e já — contou. Ele espera convencer o governo de que essas bolsas não configuram risco ao governo.

Ferraz seguirá por outros regionais da CNBB em busca de apoio, o que para ele é fundamental. Já que os acordos governamentais apenas têm favorecido aos apoiadores do presidente.

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