SSB/SC: Taquaruçu foi dizimada pelo Exército em 1914

5a. Semana Social Brasileira em SC relembra Constatado e destaca cultura cabocla

A história de Taquaruçu na Guerra do Contestado foi um dos assuntos do painel que ocupou a manhã de 07 de sembro na 5a. Semana Social Brasileira em Santa Catarina, em Taquaruçu, Fraiburgo. Três morados expuseram elementos históricos para 500 participantes do evento.

Pedro Aleixo Felisbino, agricultor, historiador e poeta, autor de dois sobre o Contestado, contou que o reduto, foi destruído depois de um bombardeio do exército em 08 de fevereiro de 1914. Estima-se que pelo menos 3 mil viviam na época. “Os caboclos dormiam tranquilos nas trincheiras [em Caçadorzinho] quando as tropas atacaram pela retaguarda [do lado de Campos Novos]”, explicou.

Morreram, principalmente, mulheres, idosos e crianças que ficaram em casa. Uma das personagens mais famosas do conflito, Chica Pelega, sobrevivente de um ataque no interior de Videira, onde perdeu o pai, morreu com as crianças em um incêndio na igreja, onde tentavam se refugiar. Ela ajudava na educação dos mais novos e gostava de cavalgar usando um pelego, que deu origem ao apelido.

Em dois ataques anteriores, pelo estradão que ligava a Taquaruçu a Curitibanos, as tropas precisaram bater em retirada. Com armamento tomado do exército e a moral alta intensificaram a resistência, de acordo com Felisbino. “Era tanto armamento que em 1956 ainda encontrávamos armas”, revelou Felisbino.

Zenir Prates e sua filha Alzira, descendentes dos caboclos sobreviventes, que conseguiram se embrenhar no mato, numa fuga que durou quatro anos, fazem parte do grupo “Renascença Cabocla”. Elas lutam para manter viva a cultura e a memória desse povo, como as danças e as rezas, que faziam parte do dia a dia do povo da época.

“Sempre depois dos ‘puxirões’ (mutirão) haviam bailes”, contou a mãe. Para encaminhar as almas ao céu, realizavam “recomenda das almas”, em uma espécie de procissão entre o cemitério, a igreja e a casa do morto. Outra característica da comunidade era a solidariedade. “O que era de um, era de todos. Ninguém passava fome entre eles”, acrescentou.

Elas lembram com tristeza do conflito, que marcou a vida da família. “Era o interesse financeiro tomando as terras dos caboclos”, analisou Alzira.

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