SSB/SC: Derrubar o ‘muro’ pela cultura do bem-viver

Paulo Suess argumentou que articulação entre luta e contemplação é necessária para a ruptura inspirada pela Cruz

“O capitalismo não tem patologia, ele é a doença”, afirmou padre alemão Paulo Suess, missionário do CIMI, convidado a expor o tema “A cultura do bem-viver” no painel da manhã de 07 de Setembro, na 5a. Semana Social Brasileira em Santa Catarina, realizada em Taquaruçu, no interior de Fraiburgo.

Ele defendeu que é preciso viver com menos para viver melhor, além de desacelerar o ritmo do trabalho. Essa postura, coletivamente, pode levar o sitema ao colapso, obrigando a mudança econômica.

— O capitalismo vai cair no momento em que não mais comprarmos os produtos todos que ele oferece. Ele vive da nossa acumulação e da nossa ânsia de ter mais. Se dominamos isso e compramos menos, aí ele entra em crise — analisou.

A razão para a mudança do modelo é que algumas pessoas vivem bem, não a maioria. “Nós queremos o bem-viver para todos, para isso precisamos viver bem com menos”, afirmou.

O religioso criticou o termo “jagunçu” atribuído aos caboclos do contestado, porque o temos se refere a alguém “fora-da-lei, violento, que mata o outro”. Na sua opinão, jangunços foram os que atacaram os caboclos, que apenas defendiam a sua cultura de bem-viver, na Guerra do Contestado.

O interesse econônico, “que não quer o bem-viver de todos. Ele quer um bem-viver, privilegiado”. Para os trabalhadores resta a aceleração do trabalho nesse “desenvolvimento patológico”. Ele exemplificou o caso das antendentes. “A menina atende você, atende o telefone e fala com mais alguém”. É preciso ir contra o conformismo e a adaptação ao sistema.

— Não vamos nos deixar alienar oito horas [por dia] e 50 horas por semana, para depois ter um dia com o Silvio Santos. É pouco, é pouco. A vida não nos foi dada para isso, para um cafezinho. Nós temos direito a mais — afirmou.

Suess também criticou o fato de que tudo é mercadoria, até mesmo a fé, a educação e a saúde. Ele defendeu a “desprivatização do que deve ser domínio público, como a água e a terra”.

— No horizonte evangélico de uma igualdade radical não existe lugar para a propriação privada da água, da vida boa, nem da fé, nem da esperança, nem do amor. A fé nos foi dada por causa dos desacreditados, a esperança nos foi dada pelos desesperados, o amor nos foi dado por causa do desprezados. Tudo o que recebemos pertence aos necessitados — filosofou o padre.

Uma das indicações nos dois países é a democracia inclusiva, cuja necessidade também foi apontada pela carta da 5a. Semana Social Brasileira nacional realizada em Brasília esta semana, lembrou o padre. Para ele, é preciso a construção de consensos, para que um voto a mais não exclua ao minoria. “Se você já conviveu com os índios, sabe que eles discutem até terem um consenso”, explicou.

Essa nova cultura, requer compreensão as culturas diferentes, para além da tolerância e rompimento com colonização das mentes e com conformismo.

— A dimensão da Cruz é a dimensão da ruptura. Ela nos coloca no meio dos grande conflitos deste mundo. Nosso equilíbrio está na articulação entre luta e contemplação. O bem-viver no horizonte de todos e para sempre existe no horizonte da ressurreição e a justiça para todos. Os muros vão cair — concluiu.

Outros do painel abordaram as lutas do povo em Santa Catarina, o “Estado para que e para quem” e a “história do contestado e de Taquaruçu”.

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