Um dia na abertura da Jornada Mundial da Juventude

Antes que chegassem à praia para a missa de abertura, os peregrinos tiveram diversas atividades

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi aberta oficialmente às 20h, com missa presidida por Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. Antes disso, milhares participaram de diversas atividades oferecidas pela JMJ e outros ainda chegavam à capital.

Os aeroportos tiveram movimento intenso durante todo o dia. O Galeão teve recorde de embarques e desembarques, com 64,2 mil passageiros.

O movimento se refletiu nos postos de entrega dos Kits Peregrinos. Os peregrinos enfrentaram longas filas para retirar as mochilas que trazem guias, camisetas recipiente para água e cartões de alimentação e de transporte. Nove jovens grupo “Servos de Deus” de Pelotas (RS) precisou de oito horas para retirar o material em um posto de entrega. Chegaram às 8 horas e só puderam seguir para o alojamento às 16 horas. Às 21 horas eles ainda estavam na fila de um fast food para a primeira refeição depois do café da manhã.

Feira Vocacional

Canções típicas em diversos idiomas foram ouvidas em quase todas as composições do metrô do Rio. As estações permaneceram cheias. Um dos pontos mais procurados foi a Feira Vocacional, na Quinta da Boa Vista. Centenas de grupos, comunidades, dioceses, institutos e congregações apresentam até sexta-feira seus carismas e propostas para os jovens. Um dos estandes pertence à Comunidade de Irmãs e Irmãos Adoradores da Misericórdia, que tem sede em Caçador, no meio oeste de Santa Catarina.

Irmã Rosa da Cruz, de 29 anos, está a 7 anos na comunidade e é uma das oito consagradas. Ela considera esta uma ótima oportunidade.

— A receptividade está sendo fabulosa. Aqui até muitos países e muitas trocas de experiências e acolhimento — avaliou. A comunidade pode expandir para outros países? “Se surgirem vocacionados em outros países, nós iremos”, garante.

A Lectio divina, ou leitura orante, também está presente. Não uma simples oração. O método inclui oração, reflexão e contemplação. Três jovens visitaram o estande interessadas pelo assunto, que não é novidade para elas na vivência no movimento Shalom. “Essa oração nos dá um norte”, diz Keliane Abreu, uma das integrantes do grupo de João Pessoa (PB).

O seminarista Fábio Carlos Bosco, de Joinville (SC) radicado em Campo Grande (MT), também visitou a feira vocacional. Ele avalia que as vocações sacerdotais passam por uma mudança. Antes os padres entravam no seminário ainda adolescentes e ali se formavam, hoje “vivemos um tempo de vocações maduras”. Quanto o jovem ou adulto formado em outras áreas descobre sua vocação sacerdotal.

Ele não vê como atrasadas as propostas da Igreja para o tempo atual, mas vê como um problema os jovens que “brigam com a Igreja” para incutir nela os valores do mundo. Épreciso que os “futuros padres tenham uma formação sólida para que saibam discernir bem sua vocação”.

Tendas das juventudes

Distante duas estações de metrô dali, há debates relacionados aos direitos da juventude e da defesa da vida dos jovens.“Tendas das Juventude” é ação organizada pela Pastoral da Juventude, Cáritas Brasileira, Comissão Brasileira de Paz e Justiça, PNUD Brasil (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), entre outras organizações.

Na primeira mesa do dia, Dom Eduardo Pinheiro da Silva, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, participou. Pare ele, a conexão entre a fé e a ação política é importante na JMJ Rio 2013.

A secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, participou de um debate a seguir. Ela defendeu as políticas públicas do governo brasileiro para os jovens em situação de vulnerabilidade. “As ações afirmativas irão mudar a cara elitista da universidade pública brasileira”, garantiu.

Severine também divulgou o projeto “Participatório” (Observatório Participativo da Juventude). Inspirado na dinâmica das redes sociais, visa promover espaços de participação, produção do conhecimento, mobilização e divulgação de conteúdos, focado nos temas ligados às políticas de juventude. Jovens que não estão organizados em pastorais, movimentos ou sindicatos ganham espaço para participar das discussões.

Um dos grupos socais mais sensíveis à violência são os jovens negros. São cerca de 70% dos mortos em situação de violência. A denúncia foi reafirmada por Alessandro Melchior, presidente do Conselho Nacional de Juventude. Mais cedo, Hildete Emanuele, ex-secretária nacional da Pastoral da Juventude, já havia acentuado o problema recorrente na Bahia, terceiro estado mais violento do país.

Alessandro, presidente do Conselho Nacional de Juventude, alertou que em 30 anos o índice de jovens negros mortos aumentou 300%. Ele também avaliou que diversas estatísticas são mal interpretadas para influenciar a redução da maioridade penal, defendida pelo que ele considera “imprensa marrom”.

Os três debatedores defenderam o Projeto de Lei nº 4471/2012 que acaba com os autos de abordagem, vigente desde o regime militar. O projeto torna obrigatória a apuração pela autoridade policial e pelos órgãos de controle da atuação policial dos casos em que o uso da força levar à morte de qualquer pessoa.

Multidões a caminhar

Enquanto os debates, feiras e shows seguiam ao redor da cidade, milhares de peregrinos tomavam os pontos de ônibus e estações de metrô para chegar à praia de Copacabana, para acompanhar a missa de abertura da JMJ.

O sistema de metrôs ficou parado por mais de uma hora devido a problemas elétricos, como informou a concessionária. Muitos peregrinos desistiram de acompanhar a celebração por medo de não conseguirem voltar para a casa. Ainda assim, 400 mil chegaram à orla.

Admiração, esperança e boas-vindas

A agitação chamou atenção do radialista mineiro Manoel Diamantino, 76 anos, e sua esposa, em trânsito de São Paulo para o interior do estado. Eles deram entrada no hotel às 16 horas, mas não foram para o quarto. Às 20 horas o casal ainda estava na calçada na admirando os peregrinos.

— Estou impressionado. Nunca vi uma integração de tantas nacionalidades como hoje em toda a minha vida. Digo isso comovido — revelou.

A poucos metros do hotel Copacabana Palace, seminaristas de ensino médio e de filosofia de Florianópolis levavam a bandeira do estado pela avenida Atlântica. Guilherme dos Santos, do seminário filosófico, disse que essa experiência é única e espera que repercuta na comunidade.” Não vemos muitos jovens nas comunidades que visitamos como seminaristas, mas aqui há milhares deles. Espero isso renda frutos lá nas comunidades”, disse.

A bandeira catarinense misturou-se com outras bandeiras de mais de 170 países e diversos estados brasileiros e organizações católicas que se estavam juntas colorindo as areias da praia.

Depois de apresentações de bandas e reza do terço, a missa de abertura iniciou e a jornada foi oficialmente aberta, em uma noite chuvosa e fria para os padrões cariocas. Os termômetros de rua indicavam 14 graus quando dom Orani deu as boas-vindas ao peregrinos e ao Papa, que está em retiro desde ontem.

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