Igreja oferece vida em abundância inclusive para mulheres que abortaram, diz padre

Padre Hélio Luciano, doutorado em Bioética, explica que até 80% dos casos de aborto resultam em depressão

Para Padre Hélio Luciano, da Arquidiocese de Florianópolis, especialista em Teologia Moral pela Pontificia Università della Santa Croce e doutorado em Bioética no Campus Bio-Medico di Roma, as feministas pró-aborto estão equivocadas ao imporem às mulheres cargas difíceis de carregar, como as consequências de um aborto, que em até 80% dos casos resultam em depressão. Nesta entrevista, ele explica a missão da Igreja de dar apoio para mães que sofrem por terem abortado e analisa que o ataque radical a essas mulheres não é uma postura cristã.

A entrevista aconteceu depois que padre apresentou, em Rio do Oeste, o projeto no Conselho Regional de Pastoral do Regional Sul 4 (Santa Catarina) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no dia 28 de fevereiro de 2012, dentro plano de ampliar os pontos de atendimento do projeto nas paróquias catarinenses.

— Por que a Igreja, que se posiciona contra o aborto, dá apoio, através de atendimento no Projeto Raquel, às mulheres as que praticaram aborto?

— Em primeiro lugar, a Igreja não é contra nada, ou seja, é favor da vida de modo radical, porque toda vida é digna de ser vivida. Se defender, a vida vai defender também a vida dessa mãe que necessita de ajuda porque perdeu filho por uma ação direta sua, uma ação voluntária sua, mas perdeu seu filho e está sofrendo por isso. Como a Igreja oferece essa vida abundância para todos, oferece também para mães que abortaram. A ideologia sempre é complicada, inclusive dentro do mundo católico. Às vezes, contra o aborto não se baseia mais na realidade, não se baseia mais no respeito às pessoas, no querer bem das pessoas, mas sim numa ideia de “que temos que ser contra o aborto do modo mais radical possível”. Mas não é isso. A postura católica é de seguir a Cristo e amar a cristo, e amar a Cristo amar todas as pessoas, inclusive aquelas que fizeram mal a si mesmas e que continuam a fazer mal à si mesmas. Ele não veio para condenar, mas para salvar as pessoas. Como na passagem bíblica, quando o Senhor é criticado por acolher prostitutas e cobradores de impostos. É a mesma coisa, ele acolhe aqueles que necessitam de ajuda. Essas pessoas que necessitam de ajuda veem pedir a Cristo, através da Sua Igreja, e nós ajudamos.

— Como funciona o atendimento no Projeto Raquel e como elas se sentem com isso?

— O Projeto Raquel funciona com a divulgação mais ampla possível sobre a sua própria existência o atendimento às mulheres que abortaram, nos meios de comunicação, com panfletos e outros meios para que aquela pessoa que abortou escute a mensagem. E nesse escutar a mensagem, se dão conta que elas que abortaram há um mês ou há vinte anos, se deem conta de que precisam de ajuda. Quando elas vão, de fato precisa vencer primeiro a barreira pessoal para voltar a falar naquele tema, às vezes nem o marido sabe que elas abortaram. Depois elas se dão conta de que esse falar, esse receber ajuda esse apoio afetivo e espiritual e todas as dimensões é válido e que as ajudam a viver melhor.

— Os militantes Pró Escolha defendem que o aborto é um direito e deve ser uma opção livre da mulher. No entanto, projeto Raquel divulga uma estatística cerca 75% das mulheres que abortam sobre algum tipo de problema psicológico, em especial depressão. Como é isso?

— É claro que uma grande porcentagem, os artigos falam de 70% a 80% das mulheres tem depressão real. A questão é só que às vezes essa depressão é disfarçada por uma alegria superficial, elas fazem questão de aparentar mais alegria do que tinham antes para tentar sufocar a dor que sentem. Mas a depressão é clara, existem artigos científicos em revistas médicas, não revistas paroquiais, que falam claramente da depressão pós-aborto e que hoje se chama de síndrome. Mas que existe é fato, isso é inegável.

— Existem dois tipos feminismo?

— Existe um feminismo bom que ensinam as mulheres a serem mulheres, a serem mães, junto com os pais. Um feminismo saudável que permite que elas trabalhem fora, que tenham competência profissional. Em minha opinião, o feminismo correto é valorizar as mulheres pagando o mesmo que os homens pagando menos horas, porque são mães. Outra coisa é o feminismo ideológico, que defende uma ideia que não condiz com a condição da mulher. Que defende o igualitarismo com o homem, inclusive em seus defeitos. Isso é um erro que as feministas radicais de plantão hoje vão por essa área e não respeitam a mulher de fato. Às vezes faz machismo de saias, que é impor as mulheres um impor uma carga muito pesada, que ela não pode carregar como a questão do aborto como um direito, como um dever, muitas vezes. Depois a mulher precisa carregar toda essa carga. O feminismo correto seria respeita-la como mãe, como mãe, respeitá-la na sua maternidade, isso é feminismo de fato é isso e isso a igreja faz, ainda que pessoas na igreja possam ser um pouco machistas e que ainda exista desvalorização da mulher. Mas a Igreja como Corpo de Cristo tem claro que temos que defender a mulher na dimensão da sua feminilidade.

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