Kaingangs recebem Símbolos da JMJ em Chapecó

A capela da comunidade ficou lotada de índios e não índios, que moram ali

“Kamé, Kairú, Caboclos, negros e brancos. Eu vos desejo: Topé (Deus no idioma dos índios), o Deus das Aldeias, presente no útero da terra, esteja convosco”, assim iniciou a Celebração Eucarística na aldeia dos Kaingang em Chapecó, por ocasião da passagem da Cruz Peregrina da Jornada Mundial da Juventude. A comunidade indígena foi visitada pelos símbolos no dia 30 de janeiro, pela manhã.

A capela da comunidade ficou lotada de índios e não índios, que moram ali. Ao longo do tempo muitos índios e brancos casaram-se entre si, o que resultou na miscigenação.

Dom Manoel João Francisco, o bispo diocesano, lembrou que a Jesus de derrubou o muro que separa as pessoas, e que isso deve acontecer também agora entre todos. Para o bispo, a mensagem da cruz precisa repercutir na luta dos Kaingang por melhores condições de vida e também na ajuda na luta dos Guarini por terra. Atualmente, eles moram de favor na aldeia.

O Kaingang João Batista contou que ao longo da primeira metade de do século XX a colonização branca avançou por territórios ocupados pelos índios, o que resultou na fuga de muitos deles para outras regiões. A partir de dos anos 1970 eles tentaram voltar, o que resultou em conflitos.

– Em 1978 membros do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e um membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizaram a primeira reunião com os colonos para tentar negociar, mas foram infelizes. Provocando assim a revolta contra dos colonos contra os indígenas. Dando início à violência contra os índios – contou

Segundo Batista, os conflitos que se sucederam deixaram a comunidade mais forte e decidida a lutar por seus direitos. No período eles contaram “com a ajuda de um grande líder, Dom José Gomes” (bispo de Chapecó falecido em 2002) que “sempre deixou clara a defesa pela demarcação da terra e o reassentamento dos colonos”.

A conquista da terra aconteceu no início dos anos 2000, mas ainda há carência de investimentos em áreas críticas como saúde, educação e segurança.

No final da Celebração, os índios também dramatizaram um ritual de casamento, no qual os guerreiros vencedores de uma luta ganham o direito de escolher a mulher com a qual irão se casar.

 

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