Setor da Mobilidade Humana discute deslocamentos humanos provocados pelas mudanças climáticas

No Brasil há aproximadamente 800 mil ciganos. Os refugiados no país são em torno de 4.500. Os caminhoneiros, por sua vez, são 2 milhões

Com o objetivo de trocar experiências, relatar os trabalhos desenvolvidos pelas pastorais nos últimos anos e discutir o tema central do encontro, “Deslocamentos humanos provocados pelas mudanças climáticas, catástrofes naturais e tecnológicas”, termina nesta sexta-feira, 7, no Instituto São Boaventura, em Brasília, o 4º Encontro Nacional das Pastorais do Setor Mobilidade Humana.

O evento teve início no dia 5 e conta com a participação de cerca de 35 pessoas e oito pastorais ligadas ao Setor Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para o membro do Departamento de Justiça e Solidariedade, com enfoque especial na Pastoral da Mobilidade Humana, do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) padre Pedro Huger, as propostas pastorais do Setor Mobilidade Humana devem ir de encontro ao que disse Jesus sobre o amor ao próximo.

– O trabalho é grande e precisamos desenvolvê-lo para responder ao que nos pede o Evangelho, quando Jesus fala que temos que amar o próximo como a nós mesmo. É por isso que devemos caminhar junto com os povos nômades tentando amenizar o seu sofrimento, visível em todo o mundo -, afirmou o sacerdote que também participou do evento.

De acordo com a assessora do Setor Pastorais da Mobilidade Humana da CNBB e diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, irmã Rosita Milesi, o encontro enfocou as consequências das mudanças climáticas na vida das pessoas, bem como discutiu a atual situação da mobilidade humana no Brasil, nos últimos anos.

– Procuramos discutir e dá encaminhamentos ao tema do aquecimento global e as suas prejudiciais consequências para o meio ambiente e que provocam forçosamente o deslocamento de bilhões de pessoas que ficam a mercê da sua própria sorte porque nem sempre os países dão o apoio que esses povos merecem -, disse.

Ainda segundo a assessora, é um tema da atualidade que preocupa muito a mobilidade humana porque as catástrofes naturais e as suas consequências atingem a todos, independentemente de quem seja e onde esteja.

– Não são só os migrantes que sofrem com essas mudanças, mas todos aqueles que se deslocam, que são provocados pela degradação da natureza e as consequências que isso traz -, sublinhou.

A cada novo encontro nacional do Setor da Mobilidade Humana, surgem novas pastorais que integram o grupo, fato que tem alavancado os trabalhos do Setor e atingido mais pessoas, segundo irmã Rosita. “O Setor Mobilidade Humana foi criado em 2003 e nosso primeiro encontro aconteceu em 2005. A cada novo encontro, que ocorre de dois em dois anos, reunimos as diversas pastorais que integram o setor e sempre surge uma nova área para somar com o Setor. No primeiro não havia a Pastoral do Turismo e a Pastoral dos Caminhoneiros. Esta última passou a integrar o grupo a partir do segundo encontro nacional. Este ano apareceu a Pastoral dos Circos”, sublinhou irmã Rosita.

Pastorais em ação

A Pastoral dos Circos a qual ela se refere a assessora, surgiu há um ano. É uma novidade entre as Pastorais da Mobilidade Humana. Trata-se de meio de evangelização da Nova Comunidade *Obra de Maria, que leva a Palavra de Deus às pessoas através do “Circo Alegrai-vos” que percorre todo o Brasil levando alegria, diversão e arte para as pessoas. Segundo o responsável pelo trabalho, Rodrigo Lima, 24, leigo consagrado da Nova Comunidade Obra de Maria, o circo atua com cerca de 30 artistas, percorre o país por meio de carros e uma carreta como qualquer outro circo, mas com o objetivo de evangelizar e ajudar outros circos.

– As pessoas que levam sua família para o nosso espetáculo se divertem como se estivessem em qualquer outro circo, mas o nosso grande diferencial é a evangelização inserida, de forma nova, que atrai muitas pessoas -, sublinhou Rodrigo.

Outro objetivo do Circo, segundo ele, é resgatar valores perdidos do circo com o passar do tempo. “Os jovens não dão mais valor ao circo porque não faz parte da cultura da juventude de hoje; além disso, com o passar do tempo, o circo se perdeu em vulgaridades porque começou a ganhar outros rumos: mulheres dançando nuas, animais são maltratados, a sensualidade está sempre presente. Ou seja, as famílias deixam de levar seus filhos porque não sabem o que vão encontrar lá”, completou.

Com mais tempo de caminhada, atua no Setor Mobilidade Humana, desde 2007, a Pastoral dos Caminhoneiros. Para a representante dessa Pastoral, irmã Maria Bordignol, da Congregação das Scalabrinianas, é um trabalho feito nas rodovias e em postos de gasolina, principalmente ouvindo essas pessoas que fazem de seus meios de trabalho, suas casas.

– Atuo através da Pastoral no posto de Gasolinas Magnólia, em Teresina (PI) onde passam 10 mil caminhoneiros durante o ano. É um trabalho de ouvir essas pessoas e procurar fazer da Igreja uma presença junto a eles que sofrem principalmente com a saudade da família, a má alimentação, o sono, as estradas ruins -, disse Bordignol.

Segundo ela, o encontro nacional do Setor Mobilidade Humana é a oportunidade de partilhar com as outras pastorais esse trabalho desenvolvido no Piauí, como também ouvir as experiências das outras pastorais que integram o Setor.

O presidente da Pastoral dos Nômades no Brasil, dom José Edson Santa Oliveira, disse que marcar presença junto aos povos ciganos tem uma urgência especial porque essas pessoas, em torno de 800 mil só no Brasil, são desprezadas e, por isso, não costumam frequentar a Igreja porque se sentem excluídas da sociedade.

– Temos um olhar carinhoso para com o povo cigano que não sabe onde fica a Igreja, e quando a procura as pessoas as olham como se não fossem filhos de Deus -, disse dom Edson que completou.

– No coração da Igreja tem um lugar especial para os ciganos através da Pastoral dos Nômades. É uma presença amorosa e acolhedora através da presença da Igreja.

Foi publicada há poucos dias o Catecismo da Igreja Católica nos idioma Calon e Naron (línguas do povo cigano) traduzido por dom Edson e pelo secretário executivo da Pastoral, padre Wallace Zanon.

– Esse trabalho vem reafirmar nosso carinho junto aos ciganos. Traduzimos o texto para que os ciganos possam ter o seu próprio catecismo e readquirir a alegria de rezar na sua própria língua materna -, disse o bispo. O Catecismo para os Ciganos contém um resumo com as orações cristãs: Pai Nosso, Ave Maria, Creio em Deus Pai e Salve Rainha.

Números da Mobilidade Humana

No Brasil há aproximadamente 800 mil ciganos. Os refugiados no país são em torno de 4.500. Os caminhoneiros, por sua vez, são 2 milhões que transitam de norte a sul pelas rodovias do país. Há ainda aproximadamente 4 milhões de brasileiros fora do país e os migrantes internacionais em torno de 1 milhão e 200 mil no Brasil.

Nova Comunidade Obra de Maria

O carisma da Comunidade Obra de Maria é “Servir a Deus de todas as formas com alegria”. Trabalha com projetos sociais, casas de recuperação para dependentes químicos, visita as famílias através de cenáculos apresentando a eles os sacramentos, cuida de crianças com dificuldades psicomotoras, conta com a colaboração de voluntários, profissionais da área: psicólogos e fonoaudiólogos. Um dos seus objetivos é resgatar as famílias que estão distantes da Igreja, casais que vivem juntos sem o sacramento do casamento. De acordo com o leigo consagrado, João Paulo de Sousa, 31, o grupo consegue realizar os casamentos e batizar os filhos. Além do Brasil, a Nova Comunidade tem casas em Moçambique, Costa do Marfim e Angola.

CNBB

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