Família diz que união e Deus na família foram essenciais e recuperação de filha

Antes que pudessem chegar à lanchonete, o namorado de Letícia perdeu o controle do veículo em que estavam e bateu contra uma árvore

Hilário e Solange Pauli são pais de Letícia, 22 anos, e Natália, 18. Taíse, de 26 anos, filha de Hilário, completa a Família Pauli que, há sete anos passou por um pesadelo que mudou a história de vida de todos. No dia 3 de janeiro de 2004, Letícia, o namorado dela, Taíse e duas amigas saíram para dançar. Na volta, desviaram o caminho para fazerem um lanche. Antes que pudessem chegar à lanchonete, o namorado de Letícia perdeu o controle do veículo em que estavam e bateu contra uma árvore. Na época, Letícia tinha 14 anos e sofreu traumatismo craniano. Foram 25 dias na UTI, 39 dias no hospital e 6 meses em estado vegetativo, aos cuidados dos pais e da avó. Mas engana-se quem pensa que a situação foi encarada apenas como sofrimento. Em entrevista à Revista Diocese Informa, a Família Pauli conta detalhes da recuperação, fala de fé e da alegria de acompanharem o desenvolvimento de Letícia. Você vai descobrir porque essa história pode ser considerada um exemplo de amor à vida.

Revista Diocese Informa – Como era a Letícia antes do acidente?

Família Pauli – A Lê sempre foi muito comunicativa. Adorava cantar. Aos 11 anos gravou seu primeiro CD e fazia shows pela região. Em 2003 fez curso de modelo. Ia para a escola, tinha amigas, namorado. Era uma adolescente como qualquer outra da idade dela.

R.D.I. – Quais foram as consequências do acidente?

F.P. – A Taíse teve afundamento da face e Letícia sofreu traumatismo craniano. A lesão comprometeu a fala e o equilíbrio da Lê. Ela precisou reaprender a fazer tudo, inclusive coisas vitais, como respirar.

R.D.I. – Como foi a recuperação?

F.P. – Aprendemos as técnicas no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, e depois ela fazia as sessões com fonoaudióloga e fisioterapeuta em casa. O alto astral de Letícia ajudou muito na recuperação. Ela nunca precisou ir ao psicólogo. Sempre disposta ao tratamento, nunca incomodou para tomar remédio. A única coisa que ela se recusou a usar foi o andador.

R.D.I. – Qual foi o primeiro sinal de melhora?

F.P. – A surpresa veio como um presente no Dia das Mães. Recebemos a cadeira de rodas de presente de um amigo e sonhei que devia levar a Letícia à igreja. No domingo, fomos à celebração e, ao chegarmos em casa, Hilário fez uma pergunta para ela, que fez sinal afirmativo com a cabeça. Quando ele me contou, não acreditei (Solange). Na segunda-feira o gesto se repetiu quando a avó perguntou se ela queria café. A partir daí, a evolução foi constante.

R.D.I. – Teve algum fato curioso durante a recuperação?

F.P. – Ah, sim! Um deles foi o fato de, antes do acidente, ela ter aprendido libras com uma amiga da escola que era surda-muda. Após o acidente, assim que recuperou os movimentos dos dedos, falou o nome dela em libras. Além disso, o inglês que Letícia aprendeu antes do acidente também ficou registrado em sua memória.

R.D.I. – Qual a importância dos amigos e da família durante o tratamento?

F.P. – Fundamental. Tivemos a sorte de sempre ter ao nosso lado pessoas que nos amam dispostas a ajudar. A avó materna da Lê ajudou muito, era ela quem cuidava no início, quando a Solange ainda trabalhava. Os laços conquistados durante a recuperação estão vivos até hoje, nos cafés semanais que Letícia toma com a avó, todas as segundas-feiras.

R.D.I. – Qual foi o momento mais difícil desde o acidente?

F.P. – O impacto maior foi no dia do acidente ao recebermos a notícia, e o início do tratamento. Mas a maior dor foi quando tive que trazê-la do hospital em uma ambulância, foi quando percebi a gravidade da situação. Outro desafio foi quando a Letícia voltou para a escola, três anos depois do acidente. As amigas dela não estavam mais lá e os jovens não sabiam como se comunicar com a Letícia. Ela precisou ser muito persistente, pois precisava de ajuda para tudo. Ao se formar no Ensino Médio, já estava recuperada.

R.D.I. – Porque vocês acreditam que a Letícia teve uma recuperação tão surpreendente?

F.P. – Existem três motivos fortes que são fundamentais para a recuperação: primeiro, tem que querer muito. Além disso, é preciso ter Deus na família e ter uma família unida. Só com essas três razões é possível alcançar o sucesso em uma recuperação. E, graças a Deus, a Letícia tinha esse conjunto. Além disso, a obediência da família em fazer o que os médicos indicam, mesmo que, muitas vezes, vejam a dor e sofrimento dos filhos, é fundamental. Isso sem contar as orações, que fizeram a diferença nas horas difíceis.

R.D.I. – E hoje, o que a Letícia mais gosta de fazer?

F.P. – Participar dos encontros do Grupo de Jovens EJU, de Jaraguá do Sul, e dos grupos de oração. Se envolver no grupo de jovens foi uma das melhores coisas. Tudo melhora quando ela está com eles. Além disso, a Letícia gosta muito de dançar. Trabalhamos música durante a recuperação e fez muito bem para ela.

R.D.I. – O que ficou do acidente?

F.P. – Fisicamente, a localização ainda é uma das dificuldades da Letícia e o estrabismo causado pelo acidente dificultou a visão. Espiritualmente, ficou a lição. A recuperação da Lê é coisa de Deus, não tem explicação. Ela é uma fortaleza e as pessoas a vêem como um exemplo. Até hoje visitamos famílias que estão na mesma situação para levar conforto. Há 3 anos, construímos uma capela em homenagem à Nossa Senhora de Guardalupe. É preciso encontrar coisas boas nas lições que a vida nos dá.

R.D.I. – Porque a Letícia pode ser considerada um exemplo de vida?

F.P. – Pela alegria e vontade de viver que ela tem. O valor que ela deu para a vida incentivou quem cuidava dela. É tudo mais bonito hoje. Passamos a registrar cada melhora e a sentir alegria pelas coisas pequenas. Ela recebeu tanto amor que as pessoas vêem isso nela. Ela tem alegria para dar e vender.

Revista Diocese Informa, Joinville

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