O evangelho faz qualquer pessoa querer construir um mundo melhor, diz dom Wilson

Na primeira entrevista coletiva como arcebispo, ele respondeu a perguntas sobre, aborto, juventude, meios de comunicação a liturgia em latim, migrantes e outros temas

Para dom Wilson, a defesa da vida é "combate que nunca termina" (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4 de Notícias)

Na entrevista coletiva concedida hoje (29), na Cúria Metropolitana, o arcebispo dom Wilson Tadeu Jönck falou sobre a surpresa de sua nomeação, aborto em casos de anencefalia, a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, os meios de comunicação na evangelização, a liturgia em latim e outros assuntos levantados pelos entrevistadores.

Em relação a sua nomeação, que aconteceu ontem, disse que a recebeu com “surpresa”, já que estava a pouco mais de um ano à frente da diocese de Tubarão e não esperava sair tão cedo de lá.

– [A mudança] causa surpresa e um pouco de temor, não vou negar. E o novo, a gente não conhece, não domina todos os detalhes -, reconheceu, acrescentando que está com disposição e vontade de começar logo.

Ao alertar que a defesa da vida é um “combate que nunca termina”, avaliou que a questão dos fetos anencéfalos pertence ao Congresso Nacional e não aos juízes.

– Quando o Supremo Tribunal se pronuncia é a última instância. E acho que o Supremo Tribunal não deveria se deixar envolver por essa questão, porque ele acaba tomando um partido e não decidindo a legalidade – analisa o arcebispo.

O arcebispo vê na Jornada Mundial da Juventude de 2013 no Brasil uma grande oportunidade de mobilizar a juventude, para além do próprio evento. Uma das possibilidades que ele indicou é aproveitar a pré-jornada que acontece nas dioceses que recebem os peregrinos dias antes da concentração no Rio de Janeiro.

– Queremos que continue alguma coisa depois disso. Que não seja apenas um motivar para o evento, mas que esse evento nos faça descobrir o grande valor do evangelho, que faça descobrir exatamente a beleza de ser jovem na Igreja – disse dom Wilson.

Comunicação, universitários, amor

Em relação aos meios de comunicação social, disse que é um “oceano a ser descoberto” pela Igreja. Dom Wilson revelou não conhece muito sobre o assunto, mas entende que é necessário “dominar” os recursos de comunicação para que a Igreja atinja seus “bons objetivos”.

– Pretendo dar todo incentivo e de fato, usar os meios de comunicação e valorizá-los o quanto é possível. Não sou da área, mas gostaria de ver isso funcionando e funcionando muito bem – apontou.

Ao comentar a mobilização que setores da Igreja para o retorno das missas como eram antes do Concílio Vaticano II, ele lembrou que os documentos da Igreja já normatizam a liturgia, inclusive no uso latim nas celebrações.

– Há quem prefira o silencio total para rezar, outro gosta de rezar cantando, outro até gesticulando, eu penso que todos deverão poder fazer a sua oração, desde que reze, e reze com o coração. E que ninguém imponha o seu modo de rezar ao outro, essa é a coisa que penso que seja mais importante – afirmou.

Com relação à ação da Igreja junto aos universitários, dom Wilson considerou que é um desafio. Segundo ele, a Igreja parece ter perdido “embocadura” para anunciar o Evangelho nesse meio, por isso a “timidez” dos católicos. No entanto, acredita que isso pode mudar.

– O evangelho desperta alegria, faz arder o coração, faz desejar as coisas boas, faz o jovem e a qualquer pessoa querer construir um mundo melhor e lutar por isso. De encontrar caminhos e se empenhar por esses caminhos para construir esse mundo, para construir a vida – explicou.

Quando chegar à Florianópolis, dom Wilson garantiu que o seu primeiro trabalho será descobrir “o que há na arquidiocese” para estar “junto com as pastorais e movimentos”.

– E quero ser um bispo caminhando [junto] com essas forças da arquidiocese, com essas forças que atuam e animam a vida na arquidiocese, que animam a vida em cada paróquia – revelou.

A chegada dos migrantes do interior do Estado é uma preocupação para o arcebispo. Ele apontou que tanto estudantes, quanto as famílias se fixam na cidade devem ser acolhidos pelas comunidades. Ele também sugeriu que as comunidades absorvam migrantes que, nas cidades de origem, exerciam atividades na Igreja.

– Uma das coisas que gostaria que houvesse, é que todo aquele que venha fixar residência em Florianópolis pudesse se sentir acolhido – sugeriu.

Sobre o seu lema episcopal “Amar é dar a vida”, disse que amar é sempre sair de si e é viver pelo outro. Para dom Wilson, o martírio é uma expressão de amor, tal como Jesus Cristo fez, mas há outra forma de amar.

– Se alguém, durante a vida, viver cada minuto da sua vida para o outro, pode dizer no fim da vida que deu a vida para o outro. E não há amor maior que esse – explicou.

Agência Sul 4 de Notícias

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