Dom Scherer fala sobre os quatro anos em que está à frente da Diocese de Joinville

"Eu vim para Joinville empurrado pela obediência. Assumi por uma obediência alegre. Sem conhecê-la, procurei amá-la desde o primeiro momento".

Nascido na Linha São Francisco em Cerro Largo (RS) em 15 de dezembro de 1950, dom Irineu Roque Scherer sentiu o chamado para a vocação ainda na infância, quando servia como coroinha em sua paróquia. Aos 13 anos, ingressou no Seminário Diocesano São José, em Toledo. Com talento para música, pintura e futebol, sempre o que falava mais alto era o sacerdócio.

Em 1978 recebeu a ordenação sacerdotal. O chamado ao episcopado veio em 1998. No mesmo ano tomou posse como bispo de Garanhuns (PE), onde permaneceu até 2007, quando foi nomeado bispo da Diocese de Joinville. Ao completar quatro anos à frente da diocese, dom Irineu falou à Revista Diocese Informa sobre sua infância, trajetória religiosa, vocações e o trabalho realizado em Joinville.

Revista Diocese Informa– O que marcou sua infância?

Dom Irineu – Venho de uma família de dez irmãos (5 homens e 5 mulheres) e posso dizer que o que marcou a minha infância foi o convívio familiar. Sempre admirei o relacionamento entre os meus pais. Nunca vi um gesto de agressividade entre eles. Com meu pai aprendi a ser honesto, sério e trabalhador. Minha mãe me ensinou a silenciar o sofrimento, levantar a cabeça e seguir em frente. Minha família sempre foi muito religiosa, participava da comunidade, do Apostolado da Oração e ajudava nas festas da igreja.

 

R.D.I. – Quando decidiu seguir a vida religiosa?

D.I. – Eu sempre tive o sonho de ser padre. Mas senti o chamado no momento em que acompanhava o pároco da minha paróquia como coroinha, levando a comunhão para o meu avô que estava doente. Percebi que queria ajudar as pessoas como ele. Então, aos 12 anos decidi ir ao seminário, onde ingressei aos 13 anos.

 

R.D.I. – Qual a maior dificuldade encontrada para seguir o caminho religioso?

D.I. – Como foi duro nos despedirmos da família para ir ao seminário. Todas as noites eu sentia uma saudade imensa, muitas vezes chorei sozinho. Um dos momentos mais difíceis e, ao mesmo tempo, o mais alto da minha fé, foi o falecimento do meu pai. Voltar para o seminário e seguir os estudos foi difícil, mas aprendi a importância de viver o presente como se fosse o último momento da vida.

 

R.D.I. – Como o senhor vê a questão das vocações hoje?

D.I. – Do ponto de vista de Deus não mudou nada. É sempre Deus que chama e nós que respondemos. Na visão da sociedade mudou muito. Se minimizou muito o sacerdócio. Hoje, se alguém se manifesta dizendo que quer ser padre, é motivo de chacota. Muitas vezes são sufocados pelos próprios pais. O que mudou foi o contexto social, a imagem do padre na sociedade.

R.D.I. – Como bispo, qual acredita ser sua missão?

D.I. – Minha primeira obrigação como bispo é criar um espírito fraterno com os padres, pois o que vai falar mais alto em nosso trabalho vão ser os fatos de nossa convivência. Aproximar as pessoas, dar aconchego para realizarem seus trabalhos.

 

R.D.I. – Há quatro anos o senhor assumiu a Diocese de Joinville. Como recebeu a notícia da ordenação?

D.I. – Eu vim para Joinville empurrado pela obediência. Assumi por uma obediência alegre. Sem conhecê-la, procurei amá-la desde o primeiro momento. Quando cheguei, procurei tomar consciência das diferentes áreas de atuação da diocese, para poder dar um rumo mais pessoal. Quando chego em um lugar, procuro respeitar o que já existe ali. Me surpreendi com o calor humano do povo da diocese, sobretudo em Joinville.

 

R.D.I. – Como avalia a sua trajetória à frente da Diocese?

D.I. – Minha primeira grande atuação foi a Fazenda da Esperança tendo em vista os jovens. Me empenhei de corpo e alma. Foi um sinal concreto do ano da juventude. A partir daí comecei a ter um amor especial pela ADIPROS. Começamos a ir ao encontro das nossas instituições sociais, aos que mais precisam de aconchego. Estamos com uma abertura muito grande nesse lado social.

Temos valorizado muito os padres que são a minha nova família junto com os seminaristas e diáconos. Tenho procurado estar muito em contato com o povo, com a juventude e os padres. O povo é sempre muito doce comigo, muito aberto a acolher. Do ponto de vista pastoral, de toda a nossa estrutura, a grande mudança foi a reformulação interna. Organizar bem as áreas de trabalho foi fundamental. Hoje somos exemplo nacional de administração na igreja.

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