Semana da Cidadania – Trabalho para a vida, nĂŁo para a morte!

Nos dias 14 a 21 de abril, as Pastorais da Juventude do Brasil realizam a Semana da Cidadania, que tem como objetivo “fazer com que a juventude reflita em grupo mais profundamente algumas questĂ”es do seu cotidiano e se organize em torno do projeto de mundo que desejamos, fazendo coisas concretas”.

Neste ano, o tema da Semana da Cidadania Ă© “Trabalho para a vida, nĂŁo para a morte”.

Nós, jovens, sabemos o quanto o trabalho faz parte da nossa vida. Pois é na juventude que normalmente se decide qual profissão seguir e que se busca o primeiro emprego. Os estudos dos jovens (ensino médio, pré-vestibular e na universidade) também são realizados muito em vista do mercado de trabalho.

O que deve ser um espaço de realização, porĂ©m, acaba gerando muito sofrimento para muitos jovens. O ensino superior pĂșblico Ă© restrito a alguns, normalmente Ă  elite econĂŽmica, jĂĄ que o ensino superior privado transformou-se em mercadoria, formando muito mais profissionais que as vagas disponĂ­veis no mercado.

As necessidades financeiras (seja para sustento prĂłprio e da famĂ­lia, seja para pagar os estudos) levam muitos jovens a sujeitar-se a rotinas intensas de trabalho, com dupla jornada (trabalho + estudo) e baixos salĂĄrios.

Além disso, o desemprego entre jovens é 3,2 vezes maior que entre adultos (segundo a Organização Internacional do Trabalho). Em 2006, 67,5% dos jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados ou na informalidade.

Tudo isso Ă© uma grande violĂȘncia contra a juventude e nĂŁo apenas de ordem moral e psicolĂłgica: estudos comprovam que, quanto maior o desemprego, maior o Ă­ndice de violĂȘncia nas grandes cidades.

Sonho e suor
O lema desta Semana da Cidadania Ă©: “Juventude, suando e sonhando, em marcha contra a violĂȘncia”, pois “Trabalhar, alĂ©m de ser uma necessidade Ă©, principalmente para a juventude, realização e crescimento. O trabalho nĂŁo Ă© apenas suor. É tambĂ©m sonho. Em meio ao suor e a dor do peso do trabalho estĂĄ tambĂ©m a oportunidade de sonhar, de transformar as relaçÔes, de ser mais humano e mais feliz.”

Queremos, portanto, que o trabalho seja fonte de realização de nossos sonhos, espaço de exercermos nosso protagonismo e mostrarmos nosso valor.

Por isso, vamos aproveitar e levar essa discussĂŁo a nossos grupos de jovens, escolas, universidades, cĂąmaras de vereadores… Baixemos o material elaborado para a Semana da Cidadania e vamos permanecer em marcha, contra a violĂȘncia!

Alguns trechos foram retirados do subsĂ­dio da Semana da Cidadania, disponĂ­vel em [www.juventudeemmarcha.org]

Quer aprofundar-se sobre o assunto?
Mais materiais estĂŁo disponĂ­veis em: www.ipejota.org.br

PJ de Santa Catarina realiza SeminĂĄrio

Durante os dias 13 e 14 de Junho de 2009, aconteceu na Paróquia São Francisco das Chagas, cidade de Lacerdópolis, Diocese de Joaçaba, o Seminário Regional da Pastoral da Juventude do Estado de Santa Catarina. Participaram do encontro, 30 jovens de 5 dioceses do Regional.

Auxiliados pela assessoria de Geraldo Pires “Pé” (RS) o tema refletido foi “Identidade, Mística e Espiritualidade da PJ”. Perpassou as atividades, fortes momentos de construção em quatro pequenas comunidades constituídas com os/as participantes do Seminário: espaços privilegiados de partilha da vida e de cultivo da espiritualidade.

Na parte da manhã de domingo as pequenas comunidades prepararam momentos marcantes de vivência dos traços da mística e da espiritualidade da PJ. Através das orações, gestos, músicas, Leitura Orante da Bíblia, simbologia, ofício divino da juventude a grande comunidade percorreu um intinerário bíblico, iniciado em Belém lugar da acolhida e do nascimento, seguindo por Canaã, lugar da boa mãe, da acolhida e da alegria, Nazaré como lugar da partilha e do coração acolhedor, e Cafarnaum lugar da descoberta do problema social e do compromisso com as lutas sociais. Este caminho contribui para que pudéssemos perceber a importância do processo de educação na fé dos jovens na pastoral.

Janine Salvaro, da Diocese de Criciúma comentou que “ao sairmos nós de tão longe, enfrentando viagem e a distância para participar do seminário, percebemos que o essencial é o que nos está mais próximo: a vivencia em comunidade, o que é a nossa base”.

E Ivanete Hammes, da Diocese de Chapecó, citou as palavras do Pe. Hilário Dick, que, no Encontro Nacional da PJ, em Janeiro deste ano dizia que “a comunidade tem saudade do jovem”, de nós. A fonte que nos alimenta e nos dá força na caminhada é a comunidade. Sem ela ficamos “deslocados” no nosso agir pastoral.

Esteve presente no seminário, a Secretária Nacional da Pastoral da Juventude, Hildete Emanuele, emocionada manifestou sua alegria com a caminhada do regional. Afirmou que assim como Santa Catarina está em processo de estruturação, fortalecimento e pertencimento à PJ, outros regionais do Brasil vivem o mesmo processo.

Lembrava ainda que a animação, a mística, a espiritualidade da PJ de Santa Catarina também é a mesma no Brasil inteiro, e muitos jovens de todo o país têm os mesmos anseios, os mesmo sonhos, as mesmas esperanças e o comprometimento. Hildete, apresentou ainda, os projetos que a Pastoral da Juventude do Brasil vem desenvolvendo, e sua relação com a base.

Adriano Martini, da Diocese de Chapecó, apresentou o projeto para a articulação regional da PJ em sua realidade específica e os encaminhamentos para o inicio do processo de Assembléia Regional da PJ, com a aplicação de um questionário à todos os grupos de jovens do Estado.

Após o almoço, carinhosamente preparado pela comunidade de Lacerdópolis, os jovens se encaminharam para suas dioceses. Permanece no coração o compromisso com a base, certos de que o que somos e a mística que nos move parte essencialmente da vida comunitária, sinal concreto do Reino Definitivo, a CIVILIZAÇÃO DO AMOR!

Fernanda Segalin | PJ Diocese de Chapecó

Marcos Tramontin Serafim | PJ – Diocese de Criciúma

PJs DA DIOCESE DE CHAPECÓ CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

No Brasil, sempre que acontece um crime grave, são comuns as comoções sociais que exigem uma resposta do poder público, e pressionam por leis penais mais severas. Foi assim que surgiu a Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072/90), decorrente do seqüestro de Roberto Medina, e a mesma, anos depois, sofreu alterações devido ao assassinato da atriz Daniela Perez, e assim também aconteceu com a Lei de Tortura (Lei 9.455/97) e tantas outras, criadas para maquiar um problema que continua presente.

Mas o problema está na criação dessas leis, que não são debatidas e refletidas com a sociedade, dando a falsa percepção de que os problemas sociais serão resolvidos com a simples promulgação de uma lei. É fácil perceber que problemas complexos assim não serão superados de modo simplório e imediatista! Não há uma solução mágica e sim, a necessidade de fomentar um debate profundo para identificar as causas que levam ao acontecimento dessas barbáries! Tanto que hoje, ainda e cada vez mais, acontecem crimes hediondos.

Está em discussão, no Senado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que quer reduzir a maioridade penal para os 16 anos. Os defensores da idéia argumentam que o ECA – Estatuto da Criança e Adolescente é muito brando com os menores infratores. “Vendem” a redução da maioridade penal como uma solução para a diminuição da criminalidade.

Mas não resolve. Por vários motivos:
1) Não é a gravidade da lei que intimida os criminosos, mas a certeza da punição;
2) O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente já é bem completo, prevendo punições suficientemente severas para jovens infratores, mas sempre acreditando em sua recuperação. Jogar os jovens mais cedo para a cadeia só os direcionará para a “escola do crime”;
3) Não adianta tapar o sol com a peneira. A raiz do problema é a desigualdade social. Quando não há igualdade de oportunidades, os jovens são impulsionados a entrar para o mundo do crime.
Por isso, as Pastorais da Juventude da Diocese de Chapecó, em consonância com as Pastorais da Juventude do Brasil e com a Igreja Católica, defende que a maioridade penal deve permanecer nos 18 anos, e não ser reduzida para 16. Pensamos e sentimos que devemos defender uma sociedade que cometa menos crimes e não que puna mais. Como Jesus já dizia: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

Defendemos a vida da juventude. A JUVENTUDE QUER VIVER! A juventude quer ser parte da sociedade, quer lutar por seus sonhos de liberdade, de educação, de comida no prato, de dignidade! Quer desvendar os processos da vida, cada um no seu tempo, quer ser jovem na hora de ser jovem, e não ser adulta nessa idade, que é o que a sociedade deseja, para que pense como ela, consuma como ela, viva (ou deixe de viver) como ela!

“Nossos Jovens não precisam ir para a cadeia,
precisam sair do caminho que os leva até lá” (Renato Roseno)

Pastorais da Juventude – Diocese de Chapecó – SC

Maioridade penal

Vivemos em uma sociedade que está cada vez mais violenta e na qual os governos cada vez mais se mostram incapazes de solucionar tais problemas. E a violência entendida desde a negação de direitos até agressões, opressão e medo. No Brasil, a maioridade penal é fixada em 18 anos, segundo a Constituição Federal em seu artigo 228. Mas em breve será votada no Senado Federal a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe a sua redução para 16 anos. Os defensores da mudança, afirmam que os adolescentes infratores não recebem a punição devida e que o Estatuto da Criança e do Adolescente é muito tolerante e não intimida os que pretendem transgredir a lei.

Não podemos esquecer que a redução da maioridade penal não resolve o problema verdadeiro, que não é o crime, a violência, o tráfico. Deve-se ter a clareza que o que gera isto tudo é a falta de oportunidades, as desigualdades sociais, a falta de políticas públicas e a banalização da vida.

A Igreja Católica, através dos projetos sociais que desenvolve, como casas de recuperação de dependentes químicos, mostra à sociedade caminhos a partir de ações educativas e não punitivas que reintegram os jovens à sociedade, e reafirmando assim sua posição contrária a redução da maioridade penal.

Antes de pensar na diminuição da maioridade penal, o Estado deve proporcionar a todas as classes sociais, principalmente as menos favorecidas, o acesso a uma educação de qualidade, trabalho e salários dignos, atendimento médico-hospitalar, ao lazer, enfim, a uma vida com qualidade.

A Pastoral da Juventude se une à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a todos os brasileiros que lutam contra as adversidades provocadas pelas injustiças sociais para provocar a diminuição da violência e das mazelas da sociedade, não sendo necessária a redução da maioridade penal.

Guilherme Pontes
Secretário Arquidiocesano da Pastoral da Juventude
Arquidiocese de Florianópolis

CARTA FINAL DA XXI ASSEMBLÉIA GERAL DA CPT

A CPT nos caminhos da terra

Há mais de 30 anos a Comissão Pastoral da Terra percorre os caminhos do campo brasileiro. Nossa missão é a fidelidade ao Deus dos pobres e aos pobres da terra. Como dizia D. Hélder Câmara, “mudamos sempre para sermos sempre os mesmos”.

Diante de todas as crises que se abatem sobre a humanidade e o planeta no qual vivemos, reafirmamos nossa missão. Como em nenhuma outra época é necessário reafirmar o compromisso com a Terra e com aqueles que a cultivam com carinho.

Nessa XXI Assembléia em que assumimos o compromisso interno de nos reavaliarmos com sinceridade e fraternidade, reafirmamos o trabalho de base, pisando onde o povo pisa, bebendo de sua água, comendo de seu pão, comungando suas dores, participando de suas alegrias.

Reafirmamos nossa aliança com todos que lutam para permanecer na terra ou para conquistar a terra que nunca tiveram. A reforma agrária, a limitação da propriedade da terra, a demarcação de territórios indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, continuam irrenunciáveis. Essas, juntamente com os sem terra, camponeses, atingidos por barragens, assalariados migrantes, trabalhadores e trabalhadoras em situação análoga à de escravo, formam a multidão agredida pelo agro e hidronegócio, removidos de seus territórios, de seus rios, de suas florestas. Com eles e por eles continuamos existindo. Nesse sentido, rechaçamos toda criminalização dos movimentos sociais, particularmente quando essa tentativa vem de altas autoridades do Judiciário que deveriam garantir o Estado de Direito e os direitos do povo.

No espírito missionário da Conferência de Aparecida, reafirmamos a urgência de cuidar da mãe Terra. Aqueles que agridem os povos do campo são os mesmos que agridem o planeta que vivemos. As empresas do agro e hidronegócio, de mineração, de construção de barragens hidrelétricas derrubam as nossas florestas, destroem nossos rios, apropriam-se da terra, da água, expulsando os povos. Essas empresas e pessoas encontrarão em nós sempre um adversário e um denunciador. Nesse momento de aquecimento global, onde a própria comunidade da vida está em risco, reafirmamos nosso apoio à agroecologia, ao alimento saboroso e saudável, à soberania alimentar de nossos povos, ao uso de energias limpas e à terra partilhada.

Para tirarmos de nosso baú – como dizia Jesus – “coisas novas e velhas”, insistiremos na formação de nossos agentes e também do povo com o qual trabalhamos. O mundo atual exige novos conhecimentos, aliados aos saberes tradicionais, para que o trabalho seja pertinente, fecunde a terra e produza seus frutos.

Concluímos fazendo nossas as palavras do profeta e bispo Pedro Casaldáliga:

“Comprometemo-nos a vivermos uma «ecologia profunda e integral», propiciando uma política agrária-agrícola alternativa à política depredadora do latifúndio, da monocultura, do agrotóxico. Participaremos nas transformações sociais, políticas e econômicas, para uma democracia de «alta intensidade»”.

“Fiquem firmes e de cabeça erguida, a libertação está próxima”, Lc 21,28

Goiânia, 17 de abril de 2009.

13 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

Dia Internacional da Luta Camponesa

A Criação da Defensoria PĂșblica em SC

(Pe Igor Damo)

Estamos no tempo da quaresma. Vivemos a Campanha da Fraternidade com o lema: A Paz é Fruto da Justiça. No seminário preparatório da CF-2009, realizado em Pinhalzinho no ano que passou, um tema discutido foi sobre o movimento da criação da defensoria pública. Este movimento nasceu porque o estado de Santa Catarina não tem oferecido o direito fundamental garantido no art. 134 da Constituição Federal, que fala da defesa jurídica da população.

A intenção no ano de 2009 é criar a defensoria pública. Ela foi pensada na Constituição Federal para tornar o cidadão conhecedor de seus direitos e deveres. Mas, o estado, em toda sua história, pouco tem se preocupado com este direito básico. Por ela ser um órgão indispensável, há vários comitês já instalados em todo o estado, disponíveis para participar e colaborar com o debate.

Sabemos que há advogados a serviço dos pobres com trabalho voluntário. Temos também universidades com estagiários. Mas sem a defensoria pública não ocorre o processo completo de prevenção e acompanhamento cotidiano das pessoas em prol do bem comum.

Aproveitando a CF-2009, almejamos olhar a segurança pública como aspecto da política estatal, que hoje tem um eixo forte de concepção ideológica, pois, muitas vezes, grupos sociais dominantes fazem prevalecer sua visão.

A segurança pública passa pela mudança de mentalidade. Neste tempo é importante porque melhora nossa conduta na sociedade. A participação do cristão ajuda a solucionar esta problemática, já que no momento o executivo e o legislativo, infelizmente, têm dificuldades de construir e aplicar leis que defendam a vida.

Sonhemos construir a cultura de paz! Para isto podemos estar organizando atos públicos, fortalecer o dia nacional de luta pela paz, aproveitar os espaços da imprensa escrita e falada, dialogar e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a se apropriarem da lei e ter mais acesso à justiça.

Fonte: www.diocesechapeco.org.br

EXCOMUNGAMOS…

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

Excomungamos todos aqueles que multiplicam sua renda através da especulação financeira, principais responsáveis pela crise atual, com todos os males que ela provoca, tornando mais miseráveis os pobres e mais poderosos os ricos…

Excomungamos todos os “paraísos fiscais”, onde o trabalho da imensa multidão anônima se converte em ouro, em dólares e em capital para uso de poucos…

Excomungamos o sistema capitalista de produção e sua filosofia liberal que, ao longo da história, se nutre da exploração dos recursos naturais, do trabalho humano e do patrimônio cultural dos povos…

Excomungamos todos aqueles que acumulam fazenda sobre fazenda, casa sobre casa, criando imensos latifúndios improdutivos ou mansões vazias, ao lado de milhões de pessoas famintas e sem terra e sem teto…

Excomungamos os responsáveis pelos assassinatos no campo e na cidade, não somente os que empunham a arma do crime, mas com maior razão os que pagam para matar…

Excomungamos todos os políticos que, apoiados pelo voto popular, usam do poder em benefício próprio e de seus apadrinhados, traindo aqueles que o elegeram e corrompendo os canais da participação popular…

Excomungamos todo Estado que alimenta um exército de soldados e burocratas e, ao mesmo tempo, deixa cada vez mais precários os serviços públicos, substituindo-os com políticas compensatórias…

Excomungamos todos os traficantes de droga, de pessoas humanas ou de órgãos humanos, que mercantilizam a vida e causam a destruição da família e de todos os laços fraternos de solidariedade…

Excomungamos todas as milícias paramilitares e a “banda podre” das polícias porque, a cada ano, ceifam a vida de milhares de jovens e adolescentes…

Excomungamos todos os tiranos que a ferro e fogo ainda reinam sobre a face da terra, assentados em tronos de ouro, construídos com o sangue, o suor e as lágrimas de seus súditos…

Excomungamos todos os mega-projetos, agro e hidro negócios, que devastam a natureza, contaminam o ar e as águas e, no afã de acumular poder e riqueza, reduzem drasticamente a biodiversidade sobre o planeta Terra…

Excomungamos todos os pedófilos, estupradores, sequestradores e seus cúmplices que não só escandalizam os inocentes, mas os convertem em objeto de prazer e de lucro…

Excomungamos a violência do homem sobre a mulher e as crianças, não raro encoberta pela inviolabilidade do lar e da família e que, aos milhões, esconde hematomas, cicatrizes e traumas sem remédio…

Excomungamos os que fazem de seus carros uma arma que fere, mutila e mata e que seguem impunes pelas ruas com suas máquinas velozes e letais…

Excomungamos todo tipo de exploração do trabalho humano, transformando mulheres e homens em peças descartáveis de uma engrenagem que se alimenta de carne humana…

Excomungamos todo sistema prisional que, pela superlotação, pelos abusos e pela tortura, avilta a pessoa humana e faz da prisão uma verdadeira escola do crime…

Excomungamos todas injustiças e assimetrias realizadas em nome da “democracia liberal”, pois a história tem sido testemunha de que essas duas expressões são incompatíveis…

Pastoral da Juventude do Regional Sul 4 se reĂșne.

Representantes da Pastoral da Juventude de 7 dioceses do Regional Sul 4 (SC), estiveram reunidos na cidade de Taió, Diocese de Rio do Sul, nos dias 22 e 23 de Fevereiro de 2009, para planejar a caminhada.
O encontro teve por objetivo principal o de refletir a retomada da caminhada da Pastoral no estado, e assumir sua organização como Pastoral da Juventude específica.
Com a assessoria metodológica de Geraldo Pires (Pé), da ONG Trilha Cidadã (São Leopoldo – RS), os participantes fizeram o exercício de resgatar a história da PJ no regional, conhecendo assim o ponto de partida para as próximas ações, levando em consideração o que já se caminhou.
Desta forma, as atividades, os projetos e os passos foram pensados a partir de seis eixos fundamentais: missão/identidade, formação, organização, assessoria, planejamento e representações da PJ em diversos níveis.
Diante disso, se pôde planejar as atividades que desencadearão um processo de articulação regional, o que resultou num pré-plano de ação com as atividades que culminarão na realização da II Assembléia Regional da PJ, que deverá acontecer em meados 2010, bem como, delegadas funções entre os participantes para que este processo aconteça.
Assim, a Pastoral da Juventude do Regional Sul4, pelo seu bonito trabalho em comunhão com o trabalho pastoral da Igreja junto às dioceses, paróquias e comunidades de SC, quer, pela sua melhor articulação, direcionar o seu trabalho à juventude presente nas comunidades e suas diferentes realidades, favorecendo um melhor acompanhamento e mais próximos dos anseios e necessidades dos grupos de base, que fazem a PJ acontecer nos mais diversos cantos e encantos da bela Santa Catarina.

Colaboração: Marcos Tramontin Serafim
Coordenação Diocesana – PJ Diocese de Criciúma

Carnaval e Segurança PĂșblica

Por D. Demétrio Valentini
19/02/2009 às 00H03

Chegaram os dias do carnaval. Eles são vividos de maneira muito intensa por milhões de brasileiros. O carnaval se tornou uma das expressões típicas que identificam a índole e a cultura do povo brasileiro.

Dada sua importância, ele é programado por muita gente, que por vezes empenha longos meses de preparação para participar dos desfiles previstos.

São louváveis as providências do poder público, pensadas para garantir a ordem e criar condições favoráveis para as apresentações programadas com responsabilidade, sobretudo pelas escolas de samba.

O carnaval tem seus valores. Ao mesmo tempo, resulta evidente que estas manifestações intensas abrem caminho para muitas ambigüidades e contravalores, que acabam pervertendo o sentido do carnaval.

Nesse ano a Campanha da Fraternidade apresenta o tema da Segurança Pública. Desta vez o próprio carnaval se torna motivação oportuna para assumir desde já a Campanha da Fraternidade. Sobretudo para nos darmos conta que a segurança pública tem nas atitudes pessoais a sua primeira garantia. Quando sabemos agir com responsabilidade, também quando nos descansamos ou nos divertimos, vamos garantindo o ambiente indispensável para a nossa segurança pessoal e também a segurança pública.

Assim é o carnaval. Depende de como ele é vivido. Ele também se destina a testemunhar a beleza da vida, e a despertar em nós sentimentos de amor fraterno e de gratidão a Deus. O carnaval nos desperta para a quaresma, que nos leva à celebração do mistério pascal de Cristo, manifestação suprema do amor de Deus por nós.

www.diocesedejales.org.br

Corpo e Mente

Dom Demétrio Valentini
www.diocesedejales.org.br

Estamos nos dias de carnaval. Disto o Brasil se dá conta, com muita evidência. Tal sua importância, que o carnaval se tornou a linha divisória mais evidente do ano. A maneira prática se situar o calendário, é ver se a data vem antes, ou depois, do carnaval.

Na sua origem, o carnaval nasceu para indicar outro tempo, mais importante e mais consistente. O carnaval surgiu em função da quaresma. Era para assinalar que estava chegando o tempo aguardado com expectativa, e que iria conduzir para o evento central do ano, a celebração da páscoa.

Portanto, carnaval e quaresma têm o mesmo nascedouro cultural. Não se excluem. Ao contrário, convergem no seu significado, e pedem uma adequada integração, a ser realizada com discernimento.

Do jeito como está, o carnaval apresenta evidente contraste com a quaresma. Tanto que parece se contrapor, sobretudo pelos exageros praticados, com suas conseqüências negativas, que infelizmente se contabilizam em cifras de acidentes e de mortes. Quantos perdem a vida, ou estragam sua saúde, em decorrência dos abusos do carnaval.

Existe o evidente desafio de integrar melhor carnaval e quaresma. De situar melhor o que o carnaval enfatiza, com os valores que a quaresma aponta.

Nesta tarefa, a recente carta do Papa Bento 16, a primeira do seu pontificado, se apresenta extremamente oportuna.

Em primeiro lugar, porque o Papa enfatiza a importância do amor. Toda a fé crista se baseia neste fato fundamental: Deus é amor!

No momento em que o mundo corre o risco da deflagração de guerras por motivos religiosos, é urgente proclamar esta verdade, e projetar sua luz sobre os conflitos humanos: Deus não quer guerra, Deus não quer vingança, Deus quer amor.

“Num mundo em que ao nome de Deus se associa às vezes a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência, esta é uma mensagem de grande atualidade e de significado muito concreto”, afirma Bento 16. Este o alcance político da encíclica, de uma eficácia muito além do que à primeira vista possa parecer. Esta afirmação oferece a base firme para o posicionamento da Igreja no contexto mundial, oferecendo o respaldo adequado para os questionamentos que ela é chamada a fazer a propósito de conflitos locais ou regionais.

Mas a carta do Papa tem igualmente uma repercussão cultural muito interessante. Ele aborda, com lucidez e desembaraço, as diferentes expressões do amor humano, sinalizando como elas podem ser integradas na maneira harmoniosa da pessoa humana realizar sua vocação de amar.

Lembrando as diferentes conotações semânticas das palavras gregas usadas para falar de amor, “eros”, “filía”, e “ágape”, o papa discorre com elegância e competência sobre as realidades que elas evocam. A palavra “eros” , usada sobretudo para expressar o amor humano entre homem e mulher, teve uma incidência muito grande em nossa cultura. Pelo fato de não ter sido usada nenhuma vez no Novo Testamento, que ao falar de amor prefere a palavra “ágape”, difundiu-se a versão de que a fé cristã olhava com desconfiança as expressões humanas do amor. Tanto que Nietzsche, citado pelo Papa, afirmou que o cristianismo deu veneno a beber para o “Eros”, que assim, mesmo não morrendo, teria degenerado em vício.

Bento 16 enfatiza a visão integradora das manifestações do amor. Admite que pode ter acontecido um menosprezo da corporeidade. Mas aponta o valor positivo dos sentimentos e das expressões corporais do amor, ao mesmo tempo em que as relativiza, colocando a necessidade de serem harmonizadas na forma de amar que busca o bem do outro, superando a satisfação pessoal, como Cristo ensinou e testemunhou, chegando ao ponto de dar a vida por amor.

Não é por acaso que o carnaval antecede a quaresma, que leva para a celebração do amor de Cristo no seu mistério pascal.

Carnaval e quaresma nos colocam o desafio do aprendizado do amor verdadeiro, que cada ano precisamos refazer.

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