O mundo urbano e o desafio de uma presença qualificada da Igreja

O mundo urbano e a cidade foi o tema trabalhado durante a tarde do primeiro dia da reunião do Conselho Regional de Pastoral do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com a colaboração do especialista em mobilidade urbana e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Elson Manoel Pereira, os participantes aprofundaram o papel da cidade e a construção da cultura urbana na atualidade.

A Igreja no Brasil vem entendendo esse desafio da evangelização no mundo urbano como um paradigma da contemporaneidade. Em janeiro de 2018, durante o Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, na cidade de Londrina (PR), esse tema foi debatido pelos participantes, despertando para a necessidade de atualização na forma com que a Boa Nova chega nesses novos areópagos.

No Regional Sul 4 da CNBB, durante a 51ª Assembleia Regional de Pastoral, foi definido que a evangelização do mundo urbano será o eixo norteador para a elaboração das Diretrizes para a Ação Evangelizadora que terá vigência entre 2020 e 2023. 85% população catarinense é urbana e sua maioria vive no litoral, trazendo para a ação pastoral da Igreja no estado o desejo de promover uma metodologia mais qualificada de evangelização.

O Mundo Urbano e a Cidade

O professor Elson Manoel Pereira iniciou sua fala fazendo uma relação entre o campo, a cidade e o mundo urbano. De acordo com Elson, a cidade que a sociedade constrói, constrói a sociedade. “A cultura urbana ultrapassa os limites da cidade, trazendo os benefícios, mas também os desafios sociais. A cidade é um direito, porém o preço dos terrenos e automaticamente a renda, definem a localização das pessoas. Existe segregação e essa segregação é dinâmica, envolvendo espaço e tempo” relatou o professor.

Professor Elson Manoel Pereira. Foto: Franklin Machado/CNBB Sul 4

Ainda segundo Elson Pereira, o conceito de cidade que se tem hoje é capitalista. “A cidade capitalista gera concentração da população, dos instrumentos de produção, do capital e dos meios de consumo. Nesse tipo de sociedade, a cidade é produzida pelos proprietários fundiários, promotores imobiliários, pelos grupos sociais excluídos e pelo Estado, que nem sempre acompanha os que estão às margens”, declarou.

Elson continuou, relatando que, no caso da habitação, na cidade de Florianópolis (SC), por exemplo, existem cerca de 10 mil famílias sem casa própria. Ao mesmo tempo, a cidade possui cerca de 23 mil imóveis desabitados à espera de valorização comercial, desconstruindo a ideia de déficit habitacional.

Outra questão trazida pelo professor foi a situação da mobilidade urbana que também é um direito e permite outros direitos. “A mobilidade urbana tem uma característica primordial: o direito a cidade. O espaço urbano é um produto da sociedade, um reflexo condicionante social”, afirmou.

Os trabalhos da tarde foram encerrados com um debate sobre o papel da Igreja no mundo urbano a partir da explanação do professor Elson, com um olhar na elaboração das Diretrizes para a Ação Evangelizadora do Regional.

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