Afirmar a Esperança, sem Esmorecer

Por dom João Francisco Salm                                                                                                                                                                                Bispo de Tubarão e presidente do Regional Sul 4 da CNBB

“Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer” (Hb 10,23). Foi à luz destas palavras de estímulo – de compromisso e de esperança – que no último mês de abril, por ocasião de sua 56ª Assembleia Geral, os Bispos do Brasil se dirigiram à população brasileira, tendo em vista as Eleições deste ano.

O momento nacional é de muitos problemas e de uma crise profunda. Apesar de tudo, mas também por isso, as eleições se apresentam como grande oportunidade para a participação responsável de cada cidadão, valorizando o voto, num processo político que seja capaz de levar o Brasil a dias melhores para todos. E o cristão, comprometido com a caridade, não pode lavar as mãos numa hora decisiva como essa que o nosso País vive.

O descrédito em relação à política tem se espalhado entre a população. É hora de se restabelecer a confiança e a esperança. Daí a “necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço aos povos, (…) solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados; que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e midiáticos; que sejam competentes e pacientes face a problemas complexos; que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático; que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação” (Papa Francisco). Não nos esqueçamos, porém, que quem os elege somos nós eleitores. A responsabilidade é grande. As eleições serão aquilo que faremos delas.

É importante conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar seus reais interesses, para não eleger ou reeleger aqueles que põem o lucro acima de tudo, que deixam o bem comum em segundo plano, que estão a favor de reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade, ou que buscam foro privilegiado e outras vantagens. Também não têm condições de nos governar, candidatos com discursos e atos de intolerância, de radicalização, com posicionamentos antidemocráticos, sem predisposição para o diálogo e o entendimento.

Candidatos que, ao invés de apresentarem projetos e discutirem as grandes questões do país, preferem acusar e destruir adversários de campanha, com ódio e mentiras, se vencerem, dificilmente governarão preocupados com o bem das pessoas, em especial os mais frágeis. Almejam o poder para estarem a serviço de outros objetivos.

Interessam-nos apenas candidatos com ficha limpa; que defendam a vida sempre, desde a concepção até seu ocaso natural; que tenham compromisso com projetos claros para a saúde, educação, segurança e a geração de emprego; que percebam quanto é crucial o cuidado com a “casa comum”; que respeitem a religiosidade do povo brasileiro e estejam dispostos a garantir a liberdade de praticá-la; que se mostrem livres de viseiras ideológicas e paixões cegas.

Diante das notícias falsas, conhecidas como “fake News”, o eleitor deve estar muito atento, saber desconfiar e procurar informar-se em fontes seguras para discernir.

É muito importante ter presente que além do presidente e governadores, iremos eleger senadores e deputados federais e estaduais. É desses homens e mulheres que vão depender leis, a aprovação ou não de políticas públicas e, portanto, a superação dos problemas sociais. Segundo a Folha de S. Paulo (21/08), “mesmo com o desgaste na imagem dos políticos, três de cada quatro deputados e senadores”, 77% dos legisladores federais, tentarão se manter em atividade no Congresso. É preciso considerar a atuação política passada de cada um.

Apesar de toda dificuldade para discernir em quem votar, é necessário que participemos das eleições, e que sincera e honestamente nos esforcemos para acertar. Isso garantirá vida às instituições democráticas, sem as quais seria o caos.

Tudo isso, e muito mais, diz respeito a nós católicos porque, como cristãos, a luta pela justiça é dever que se nos impõe (cf. Deus Caritas Est n. 28), e a adesão ao Evangelho traz como consequência a preocupação com a construção de um mundo melhor (cf. Evangelii Gaudium n. 183).

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