Quando o sal arde e a luz queima?

O Ano Nacional do Laicato convoca os cristãos para aprofundar a fé e ação evangelizadora como discípulos missionários de Jesus Cristo.

O objetivo geral do Ano Nacional do Laicato é “celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas em todo o Brasil; Aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão;

Testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade está aquecendo a fé de muitos cristãos em todo o Brasil.

A mensagem do Evangelho continua incendiando os corações dos batizados para superar toda a violência na sociedade. É preciso ser mais eficiente, pois a cada dia somos surpreendidos com novos assassinatos. Infelizmente, pessoas que lutam pela paz, se ocupam em praticar a justiça anunciada por Jesus Cristo são drasticamente intimidadas, como aviso para que se calem. O sal da justiça precisa arder na mente de muita gente que produz a violência, postam vídeos raivosos e caluniosos matando e eliminando os prediletos filhos de Deus.

O Ano Nacional do Laicato chama os cristãos para testemunharem na qualidade do sal para dar sabor e preservar o bem, eliminando todo foco de injustiça. É preciso superar a amargura e ódio dos que não permitem a organização da população que deseja construir um país próspero, cristão, sinal do Reino de Deus entre nós. Sabemos muito bem que a figura do sal arde quando uma ferida está aberta. Mas é preciso curar, superar e não deixar que a corrupção apodreça a carne viva que constrói a dignidade da vida humana que se relaciona, ama e quer o bem comum. O sal que permanece na vasilha permite que os maus avançam na sociedade e na Igreja, impedindo que o bem seja agraciado e vivenciado no cotidiano da sociedade. O sal perde seu vigor quando os batizados travam os avanços, o novo olhar para a realidade que a Palavra de Deus nos propõe, pois, o Evangelho é sempre novidade e fecundidade. Afinal, qual é a razão de ser do sal. Se permanecer na vasilha guardada, para nada serve. Mas se colocada na sua finalidade provoca reação salutar e de superação. Não mata mas destrói a maldade, pois dá bom gosto. O sal deve arder para que purifique e seja preservado na sua índole e produza bons resultados e conserve o bem maior que é a vida humana, o maior dom que recebemos de Deus.

O sal é a medida da luz que brilha em nossa vida.

Quando o sal é aplicado com equilíbrio, com boa proporção dá brilho nas obras. Assim a luz começa a brilhar na vida dos batizados porque encontra o equilíbrio do bem querer da fraternidade que abraça e acolhe o irmão e a irmã, que tem gosto e atração para se relacionar com afeto, com amor e renova a esperança do bem viver.

Mas quando a luz ofusca, quando a luz queima, quando a luz irrita é porque está fora da sua medida e proporção. Tudo o que é demais não presta. O excesso mata as relações, o excesso quebra os vínculos da humidade e da fraternidade, o excesso ofusca e cega a realidade de quem está ao seu redor. Muitos estão jogando o sal fora tentam queimar com seus excessos emitindo julgamentos e condenações precipitadas, queimando as relações humanas, a novidade do Evangelho, a nova fraternidade e o senso comum da convivência humana.

A luz arde em nossas vidas quando fomentamos a vingança, condenando as instituições e agitando com procedimentos de ódio, agredindo, apedrejando e assassinando os irmãos e irmãs, filhos de Deus.

A luz queima quando destruímos iniciativas positivas e lançamos no lamaçal da sociedade as milhões de pessoas que vivem na miséria e não nos importamos com os empobrecidos da sociedade. A luz queima quando nos agarramos em doutrinas ferrenhas e ultrapassadas sem luz e sem brilho, pois queimou a solidez que a luz verdadeira matiza a realidade existencial.

O Ano Nacional do Laicato nos provoca a perceber que Deus nos protege, nos ama e nos envia a ser sal da terra e luz do mundo.

Nas pastorais, nos movimentos e associações, nos momentos litúrgicos, no encontro da comunidade de fé, nas congregações e nas ordens, nos meios populares, na política, no mundo da educação e do trabalho, sejamos o sal que dá gosto e renova a esperança em nossas famílias.

Que a luz brilhe na mente de todas as pessoas para que o resplendor do Evangelho produza a felicidade, prelúdio da santidade que buscamos junto de Deus Pai!

Dom Frei Severino Clasen, ofm

Bispo Diocesano de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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