3a. Escola de Liturgia para Jovens destaca a missa como raiz da comunidade cristã

Jovens experimentaram celebrações como parte do aprendizado e da vivência em grupo da escola de liturgia (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
Jovens experimentaram celebrações como parte do aprendizado e da vivência em grupo da escola de liturgia (Foto: Marcelo Luiz Zapelini/CNBB Sul 4)
Para assessores, Concílio Vaticano II devolveu aos cristãos o jeito de celebrar das primeiras comunidades

A descoberta da liturgia como fonte de espiritualidade inspirou os nove dias da 3ª. Escola Liturgia para Jovens, realizada em Caçador, de 8 a 17 de janeiro, pelo Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Pastoral Juvenil e a Comissão Regional de Liturgia, com 28 participantes.

— Nossa proposta foi de mudança e conversão pessoal. Não é que o jovem vai voltar e ensinar a comunidade. Ele vai exercer um ministério e ajudar a comunidade —, explicou à Agência Sul 4 padre Laudimiro Borges, o Mirim, mestre em Liturgia e membro da Rede Celebra.

De volta às raízes

De acordo com a irmã Penha Carpanedo, mestre em Liturgia e membro da Rede Celebra, antes do Concílio Vaticano II (1962-1964) a liturgia estava centralizada na figura do padre. “Depois a gente descobriu-se como protagonista da ação litúrgica. Mas existe o protagonismo primeiro, que é o de Jesus”, explicou.

A mudança foi para “retomar a caminhada da Igreja na liturgia das primeiras comunidades”, acrescentou padre Mirim. Para ele, “o chão do concílio é a vida da Igreja dos primeiros séculos”, que está “mais próxima de Jesus e da proposta de uma Igreja memorial, comprometida com as causas do Evangelho e do Reino de Deus”.

Outro membro da Rede Celebra, Suéd Henrique, analisou que o latim é tradição da Idade média. “Esta é a tradição do segundo milênio. Agora, no terceiro milênio, a gente quer resgatar a tradição dos primeiros séculos da Igreja”.

Para padre Mirim, ensinar esta liturgia é devolver aos jovens o tesouro da Igreja, o que ele chamou de “fonte primeira”.

— Quando as juventudes descobrem isso, é impressionante. Elas a tomam como água que vem saciar a sede. Descobrem na liturgia a fonte que é Jesus, a espiritualidade, o caminho da construção de uma sociedade fraterna e justa. As juventudes se encantam —, disse o assessor.

Assembleia do Povo

De acordo com irmã Penha, não existe Eucaristia sem a Palavra. Elas são as duas partes essenciais da missa. Um complemento à Palavra é a homilia. “Uma forma de estabelecer um vínculo entre a Palavra bíblica, a vida e, depois, a ceia”, explicou a religiosa.

— E essa estrutura é uma estrutura bíblica. Se você pega relatos nos evangelhos, é palavra, é comunidade reunida, é partilha do pão e é o envio à missão. Dessa estrutura vem das raízes bíblicas da missa —, revelou padre Mirim.

Para Sued, ainda falta entendimento pleno da teologia dos ritos. “Ainda faltam fontes para que o povo também consiga entender, de fato, o que os ritos significam e perceber que a missa é um corpo, uma assembleia. Se for uma assembleia não há ninguém melhor do que ninguém, mas que existem ministérios diferentes”, analisou.

— O jovem tem sacadas que os adultos às vezes não tem. Conseguem perceber a profundidade do mistério e do rito muito mais rápido —, avaliou Sued. Segundo ele, o jovem torna-se “multiplicador de uma liturgia mais participativa, mais popular, sem pompa, sem tantos adereços”.

Teoria a prática

A escola foi participativa. Os jovens realizaram exercícios práticos de cada momento da liturgia e opinaram a partir de suas experiências comunitárias.

Participante de equipes de liturgia desde os 10 anos em Chapecó, Stefanie Lazzaretti, 16 anos, ponderou que a fila para a comunhão ser maior para o padre evidencia a falta de compreensão de que Jesus está presente em toda a celebração. “A formação é importante para os jovens compreenderem melhor a mensagem de Cristo através da liturgia”, avaliou.

Para Alexandro Lehmkuhl, o motivo é que “às vezes a gente se torna assembleia, mas não é se sente assembleia”.

À reportagem Sued analisou que “quando o jovem percebe isso, que ir a igreja é tornar-se uma assembleia, se tornar um corpo só, é como devolver a concepção de que a liturgia precisa ser participativa para gerar frutos”.

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